São Paulo é o único que tem desculpas
Excelente texto do Ricardo Gonzalez. Concordo que os jogadores devem ser cobrados, mas a diretoria deve ser mto mais. Bando de FDP.
Uma das discussões preferidas nas mesas de debate e resenha é o São Paulo e os motivos que levaram o clube a não brigar pelo título brasileiro. E alguns dos debatedores sustentam que a culpa é dos jogadores, que não jogaram e, o que mais me surpreende, que se omitiram diante dos problemas administrativos do clube, que amplificaram a crise de comando no futebol. Vou discordar. Não dá para isentar os jogadores de responsabilidade, mas nesse caso a deles é a menor.
O elenco do São Paulo não tem jogadores com perfil de líderes, exceção feita a Rogério Ceni, do tipo que argumenta com base com um treinador, ou contesta um dirigente. Mas, vem cá: que elenco no Brasil tem isso? Nem o Corinthians, que tem em Jádson, Elias e Renato Augusto lideranças técnicas, que orientam, sim, o time em campo. Mas são de temperamento tímido e introvertido fora dele. A falta de líderes é um problema que atinge até a seleção brasileira. O que Nilton Santos, Zito e Didi fizeram com Vicente Feola em 1958 - exigiram as saidas de Dida e Joel, no meio de uma Copa do Mundo, para as entradas de Pelé e Garrincha - é inimaginável hoje, tanto pela falta de iniciativa do grupo como pela personalidade que não aceita palpites de Dunga.
Outra: a decantada crise do São Paulo tem dois lados, mas só se fala em um: que sem se empenhar o São Paulo pode terminar o ano na Libertadores, imagine onde poderia chegar se tivesse jogado melhor... Ora, eu vejo de outro modo: com a grave crise política, que deixou o clube acéfalo por um bom tempo, com a troca constante de técnicos de perfis completamente diferente, o time chegou longe demais, se não fosse a qualidade e o que fizeram em muitos jogos - especialmente os comandados por Juan Carlos Osorio - o time poderia ter sido rebaixado. Com um agravante: com a acefalia do futebol do clube, deixou-se criar uma situação em que os principais jogadores do elenco, tipo Ceni, Luis Fabiano, Pato, quiçá Paulo Henrique Ganso disputaram sua última temporada no clube - ou seja, para cada um individualmente, tanto faz classificar ou não o time à Libertadores, eles não a disputarão mesmo...
Do São Paulo não se pode sequer cobrar ou que se cobra dos outros, que não espere a última rodada do Brasileiro para planejar 2016. Não há entre os outros 19 clubes da Série A um que tenha um presidente tão recente, e que chega depois da renúncia do antecessor, ou um que tenha tido técnicos de perfis tão diferentes quanto Muricy, Milton Cruz. Osório e Doriva. É uma trajetória caótica que, curiosamente, culmina com a impossibilidade de antecipar a decisão sobre se haverá ou não Libertadores para o Tricolor no ano que vem - que muda inteiramente, ou deveria fazê-lo, o planejamento do presidente Leco para 2016.
Portanto, na minha visão, os jogadores serão os únicos responsáveis se o time terminar no G-4. Se passar 2015 em branco, o grupo terá uma culpa de, digamos, 10%, e os restantes ficam todos na conta de Carlos Miguel Aidar e todo o comando do futebol do Morumbi nesta temporada.
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