Planejamente 2016 (Segundo Menon)
O São Paulo deve muito e fatura pouco. A situação deve piorar. Em relação a Corinthians e Flamengo, a cota recebida pelos direitos da televisão, que já é menor, terá seu fosso ainda mais aumentado. O novo contrato de três anos, a partir de 2016, dará 170 milhões aos clubes de maior torcida e 110 milhões ao São Paulo.
Em uma situação crítica assim – o clube já recebeu algum adiantamento – é imperativo que se erre pouco nas contratações. Um exemplo: Elias custou aproximadamente ao Corinthians aproximadamente o que o São Paulo gastou para ter Rodrigo Souto.
O Corinthians pode errar. Errou com Pato, que custou 15 milhões dólares e se recuperou. Ninguém pode se dar a um luxo assim.
Para evitar erros, o São Paulo vai recorrer à teoria de Billy Beane, executivo do Oakland Atlhetics, time de baseboll dos EUA. Em 2002, o clube vivia uma grande crise financeira e precisava reformular sua equipe para a temporada.
Beane abandonou o velho modo de procurar jogadores, através de olheiros que analisavam atletas pelo país afora. Apostou na matemática, vendo a porcentagem de vezes que o jogador chegava na base. Assim, enfrentando muitas críticas, montou uma equipe sem grandes nomes. O início foi ruim, mas na fase final, mesmo sem ganhar o título conseguiu vinte vitórias seguidas.
A história de Beane virou filme – Moneyball – com Brad Pitt no papel principal
Alexandre Bourgeois, CEO do São Paulo, desenvolveu um método parecido. Tentei falar com ele sobre o assunto, mas ele disse que estava trabalhando muito e não podia atender. “Deixa mais para a frente'''', disse. Uma atitude muito diferente do tempo em que estava desempregado e fazia campanha para a derrubada de Carlos Miguel Aidar. Então, era muito solícito.
Procurei então uma entrevista que ele deu ao www.blogdosãopaulo.com.br em que ele fala do assunto.
Um resumo:
“Minha filosofia é tentar eliminar toda a subjetividade possível da avaliação dos jogadores. Você pega quatro caras da mesma posição, com a mesma idade e os mesmos percentuais de desempenho, mas um custa R$ 1 milhão, outro R$ 4 milhões, outro R$ 13 milhões e outro R$ 15 milhões. Você pergunta por quê e ninguém sabe responder”.
“O futebol tem um problema: o conjunto é maior que a soma das partes. Não se faz um time só de craques para vencer e nem sempre um time tem craques para ser vencedor”.
“ Ao contrário de outros setores da economia, no futebol se estuda pouco e – sem trocadilho – se ‘chuta’ muito. Mas a quantificação diminui o grau de risco na decisão de investimento”.
“Gol é muito aleatório. Você chuta, a bola bate na cabeça de outro cara e entra. Outro jogador chuta, a bola bate na trave, corre por cima da linha e não entra. O gol, para mim, vale zero. Para que um time faça gols, há duas condições básicas: ter a bola e criar uma situação de gol. “É o que leva ao evento aleatório gol”.
Então, como analisar um bom atacante, se o gol é aleatório? Bourgeois não analise o número de gols que o jogador fez e sim o aproveitamento que ele teve em oportunidades em que a chance de gol é clara. Se um cara teve cinco chances e fez quatro gols, ele é melhor que outro que teve cem chances e fez 20 gols. O primeiro teve aproveitamento de 80% e o segundo, de 20%. E o de melhor aproveitamento, com certeza vai custar muito menos.
E zagueiros? Em vez de desarme, a porcentagem de vezes que salvou o goleiro.
Vai dar certo? É uma tentativa. Bom lembrar também que, com a falta de dinheiro, o São Paulo pretende utilizar as trocas, como fez com Pato x Jadson e Souza x Rhodolfo. Nesse caso, as moedas mais valiosas são Maicon e Wellington, que estão no Grêmio e Inter, respectivamente.
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