Paulo Autuori está assustado.
É assustador o poder de Juvenal Juvêncio no São Paulo.
Vai além do que todos todos podem imaginar.
Ele alterou os estatutos do clube.
Decretou que um presidente só poderia ficar por dois mandatos seguidos.
Mas desconsiderou os anos que já estava no cargo.
Na prática ficará três mandatos.
Só que foi além.
Na mudança, o clube só permite duas chapas concorrendo à eleição.
Juvenal carrega pelas mãos Roberto Natel e Carlos Augusto Barros e Silva.
Além do milionário Adalberto Baptista.
Os três clamam aos céus serem indicado por Juvenal à presidência.
A situação domina o Conselho Deliberativo no clube.
Os sócios não votam no São Paulo.
Por mais que esperneie, Marco Aurélio Cunha não tem chance de se eleger.
Aí que vem a demonstração inacreditável de força de Juvenal.
Marco Aurélio pode até nem ter o direito de concorrer.
Seria a vingança perfeita contra o seu ex-genro.
Juvenal tem adiado ao máximo a indicação de um nome.
Teme se anunciar um, os outros dois passem à oposição.
Está nas suas mãos mostrar o quanto o São Paulo está aos seus pés.
Fazer uma eleição com só candidatos da situação.
Roberto Natel de um lado.
Leco do outro.
E comprometer os dois a dar o futebol de vez a Adalberto Baptista.
Marco Aurélio seria excluído da eleição.
Nem Dualib, Zezé Perrella, Eurico Miranda tiveram tanto poder.
Conselheiros têm ouvido do presidente sua promessa.
A que não vai perder a eleição de jeito nenhum.
O pleito virou mais importante do que o péssimo momento do São Paulo.
Juvenal tem a certeza de que Paulo Autuori dará um jeito no time.
E, confiante, repete que não há a menor possibilidade de rebaixamento.
Tomou outra medida antipática.
Deu total apoio a Adalberto Baptista.
Mesmo sabendo que ele conta com enorme rejeição do time.
Não quis o simpático vice de futebol João Paulo de Jesus Lopes.
Preferiu a maneira arrogante de falar do diretor.
E lhe deu autorização para enfrentar quem for.
Ele teve a permissão para atacar Rogério Ceni.
O capitão e maior ídolo do clube pagou caro por sua análise.
Ele disse que o São Paulo ''parou no tempo''.
E que o legado de Ney Franco, o protegido de Adalberto, foi zero.
A resposta foi para humilhar Ceni.
O dirigente insistiu que ele está para se aposentar e quer um título.
E que está irritado porque tem uma contusão no pé direito.
Por isso sua ''deficiência'' na reposição de jogo.
Foi de propósito, declaração estudada.
Para desmoralizar.
Um atleta machucado às vésperas da aposentadoria não deve ser levado a sério.
Adalberto sabe que Ceni é muito amigo de Marco Aurélio.
E o tratou como um inimigo perante a imprensa.
Os dois não se entendem desde que o dirigente abandonou a delegação.
O time enfrentava o The Strongest em La Paz.
E ele foi correr de Porsche na Europa.
Ceni deixou claro que ele deveria estar com o time.
Bastou para a relação azedar.
Na briga, os jogadores estão fechados com Ceni.
Adalberto não tem a menor intimidade no vestiário.
Não há a menor parceria.
Só hierarquia, como tanto gosta o milionário dirigente.
O ex-jogador Edmílson entrou no twitter e pediu a saída de Juvenal.
Ele foi empresariado toda a vida por José Fuentes.
O mesmo agente de Luís Fabiano.
A direção acredita que não foi um ataque ao acaso.
Veio para tumultuar.
E envolve Luís Fabiano na questão.
Paulo Autuori mandou avisar que precisa de bons zagueiros.
A direção são paulina passou por uma grande vergonha.
Entrou em contato com Leandro Castán.
O zagueiro que está na Roma negociava com o Flamengo.
Mas ficou caro demais para o clube da Gávea.
Ele acompanha coisas do Brasil.
E com grande ligação com o Corinthians.
Mal viu surgir o interesse do rival, Castán agradeceu.
Disse que continuaria na Roma.
Não iria jogar em um adversário direto do Corinthians.
Os dirigentes são paulinos não esperavam essa postura.
Usando a ''tática Dualib'', Juvenal quer contratar um jogador importante.
E representantes do clube tentam o argentino Scocco.
Desde o início do ano empresários recomendam o atleta a Juvenal.
Mas ele quis insistir com Luís Fabiano.
Agora o jogador está praticamente fechado com o Inter.
Na base do desespero, o clube paulista tem tudo para fracassar.
Enquanto isso, Paulo Henrique Ganso rompeu com a DIS.
Escolheu Giuseppe Dioguardi.
O empresário de Kléber do Grêmio não tem papas na língua.
E seus jogadores são aconselhados a falar, dar sua opinião verdadeira.
O meia tem como marca registrada ''não falar nada com nada''.
Fingir que sempre está tudo bem.
Uma mudança de postura está à vista.
Paulo Autuori está assustado.
Não sabia que o São Paulo havia mudado tanto em oito anos.
O ressentimento domina jogadores e dirigentes.
Não esperava que os atletas atacassem Ney Franco.
E seu preparador físico Alexandre Lopes.
Ceni foi claro.
"Os outros times vivem momento fisicamente melhor."
Tudo deverá ficar ainda pior.
Não haverá tempo para treinar.
Depois de Cruzeiro, Inter e Corinthians pelo Brasileiro, uma viagem.
O time terá pela frente nada menos do que o Bayern de Guardiola.
O campeão da Champions League será o primeiro adversário da Audi Cup.
Em caso de derrota, enfrentará Manchester City ou Milan pelo terceiro lugar.
Se vencer o Bayern, decidirá o título com um desses adversários.
Em seguida, viajará para Portugal enfrentar o Benfica, no dia 3 de agosto.
Em jogo, a taça Eusébio.
Quatro dias depois, estará no Japão.
Disputará a taça Suruga.
Ela reúne o campeão da Sul-Americana e o campeão japonês.
O rival será o Kashima Antlers.
E já no dia 10, terá pela frente a Portuguesa pelo Brasileiro.
A programação é frenética, sem tempo para descanso.
Os jogadores estão tensos, preocupados.
"O Brasileiro não perdoa, já vimos muitas equipes grandes caírem no Brasileiro.
A gente está ali perto de uma zona perigosa, ano passado tivemos o exemplo do Palmeiras.
O momento é lamentável", resume Luís Fabiano.
O São Paulo está a um ponto da zona do rebaixamento, com uma partida a mais.
Juvenal havia prometido que o ano seria de cobertura do Morumbi.
De uma maneira inexplicável, o projeto foi esquecido.
Ele não toca mais no assunto.
Os torcedores comuns preparam protestos contra a diretoria.
As principais organizadas do São Paulo se calam.
Não importam os vexames, as uniformizadas deixaram de protestar.
Mesmo com o clube vivendo um dos piores momentos de sua história.
Juvenal Juvêncio e Adalberto são mesmo homens de muita sorte.
Muuuita sorte...
fonte;r7
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