Ótimo texto do Alexandre Lozetti
Pra quem não viu, o Alexandre Lozetti fez um ótimo texto no GE sobre o time atual e o de 2005, do tri. Concordo com tudo o que disse, hoje o ego individual prevalece sobre o espirito de equipe, e isso faz muita falta em um time campeão.
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/sao-paulo/noticia/2015/07/opiniao-10-anos-depois-sao-paulo-de-2005-tem-muitas-licoes-dar-ao-atual.html
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É verdade que o futebol precisa evoluir, caminhar adiante, se modernizar. Quem não acompanhar seus largos passos ficará para trás. Mas faria bem ao atual elenco do São Paulo uma visita ao passado. Nesta terça-feira, celebra-se o aniversário de 10 anos do tricampeonato da Libertadores, conquistado por um time cujas principais características estão em falta no Morumbi.
O São Paulo tricampeão era confiável. O técnico podia confiar em seus atletas. A torcida também. Não havia garantia de vitória, evidentemente. Isso é ilusão. Mas os tricolores iam ao estádio sabendo que, ao fim do jogo, com vitória, empate ou derrota, sua equipe teria feito o melhor possível. Não restaria uma gota de suor para deixar no gramado.
O maior mérito daquele momento foi a reunião de jogadores obcecados por vitórias. Não eram "popstars", mas tinham postura, atitude. Qualidades em extinção nos chiliques tricolores. Nos palavrões, reclamações nas redes sociais (que mal existiam na época), chutes no copo d’água... Enfim, na falta de educação, companheirismo e autocrítica.
Não há, exceto Rogério Ceni, único remanescente do tri, sequer um jogador no São Paulo de hoje capaz de carregar os currículos de Júnior e Luizão, por exemplo. Em 2005, eles já eram campeões da Libertadores e do mundo com a seleção brasileira. Ainda assim, o prazer a cada triunfo era nítido, como era em outros atletas que não se cansariam de levantar taças por aí: Danilo, Josué, Fábio Santos, Diego Tardelli... A glória estava no sangue e o sangue nos olhos.
E no sangue do atual São Paulo, o que corre, além de mimos? É indiscutível o talento de Ganso, Pato, Michel Bastos, Luis Fabiano e companhia. Poucos se comparam no futebol brasileiro. Mas a história está aí, viva e festejada, para provar que não bastam craques. Não basta talento. É preciso ter algo a mais, o compromisso, a cumplicidade e a solidariedade que sobravam há 10 anos, e hoje passam longe do Morumbi.
Juan Carlos Osorio é dos sujeitos mais bem intencionados que pisaram o solo tricolor nos últimos tempos. Competente e dono de uma humildade encantadora que o impede de admitir, talvez até de enxergar, que um colombiano possa ter mais a ensinar do que aprender por aqui. O São Paulo acertou em cheio ao contratá-lo, mas a exposição à qual seus comandados o submetem com rebeldia sem causa é nociva.
Osorio merecia treinar o time de 2005, tão bem treinado por Paulo Autuori. Lugano não permitia que se reclamasse do companheiro em campo para não deixá-lo exposto em público. Amoroso, que nunca disputou uma Copa do Mundo, assim como Ganso e Pato, pois viu seu talento enorme ser vencido por lesões, mostrava todas as veias do rosto no tesão por um gol marcado ou na ira por um gol perdido. Cicinho, Fabão e Mineiro não se importavam em correr pelo companheiro e estavam preocupados com o próximo jogo, não com a foto que postariam horas depois.
O São Paulo de 2015 tem tempo e bola para abraçar seu técnico, se redimir, e, talvez, também se eternizar. Mas, se não mudar sua postura, se continuar agindo como um grande menino mimado, ninguém vai se lembrar dele em 2025. Não haverá matérias, entrevistas, nenhuma linha e nenhum retrato na parede.
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