SPFC: Não procure a causa do jejum de títulos no campo de jogo
Caros amigos tricolores ressabiados com o jejum de títulos,
Nos blogs tricolores, em busca de respostas, torcedores jovens e não tão jovens se debatem sobre questões circunstanciais de praxe, como a necessidade de reforços, críticas contundentes a técnicos ou a determinadores jogadores, etc.
Convido-os a mudar o foco, pois a meu ver a resposta a essa nossa míngua de títulos em comparação com adversários diretos está… absolutamente “na cara”.
Vamos a ela.
Para se conquistar títulos nos disputadíssimos torneios que interessam, hoje, não basta ter um grande elenco dentro de campo.
É preciso um time de bambas, de especialistas, na retaguarda.
Gente que saiba marcar o mais difícil dos gols, antes mesmo do time entrar em campo:
Administrar egos e inseguranças de jogadores de futebol profissional e unir um elenco.
Jovens que – da noite para o dia- receberam violento choque térmico, ao sair da humildade extrema da periferia, para virar “celebridades” de alcance internacional.
Não estou tentando justificar comportamentos como por exemplo o do talentoso (e hoje inócuo) Casemiro; é só uma explicação.
Isso é um fato com o qual o dirigente deve saber lidar.
Ele também precisa de talento, precisa ser talhado para isso, e não é qualquer filhinho de papai nomeado pelo presidente autoritário que vai fazer isso…
Adicione aí que jovens mal saídos da puberdade têm também repentinamente que aprender a conviver com enormes pressões de torcedores, conselheiros e dirigentes, onde quer que vão.
Fatos. Se você gosta de futebol, no Brasil, e quer ser um dirigente que conquista títulos, tem que saber ou aprender a lidar com isso. Caso contrário, peça o boné. Ou a cartola…
O revolucionário (e copiado) modelo do São Paulo Futebol Clube montado por Marcelo Portugal tinha à frente o maior especialista em psicologia de jogadores: Marco Aurélio Cunha.
Nas derrotas, ou nos momentos particulares de dor como uma contusão grave, dirigentes elitistas somem; pois Marco Aurélio lá estava com eles, no choro do vestiário ou segurando sua mão na maca a caminho da cirurgia, madrugada adentro…
Para ser respeitado pelos atletas, o dirigente precisa ter esse comportamento: solidário na alegria e na tristeza. Precisa vivenciar isso.
Abaixo do Superintendente Marco Aurélio, tinhamos uma Comissão Técnica permanente (eis a moral, eis a revolução), com autonomia e formada por profissionais de gabarito como o preparador físico Carlinhos Neves e o fisiologista Turíbio Leite, dentre outros.
Marco Aurélio comandava essa equipe e a mantinha (bem como ao elenco) imune ao assédio vaidoso de dirigentes – pois o supremo comandante, o afável e inesquecível Marcelo Portugal, sabia delegar poderes e colocava essa responsabilidade nas mãos do hábil e querido MAC.
Tudo isso foi perdido com a ascensão de Juvenal.
Nesse período de jejum que começou no final de 2008, o antiquado e egocêntrico presidente (que acha que sabe de tudo e a ninguém ouve) começou desmanchando essa Comissão Técnica vencedora.
Em seguida, já desmanchou e contratou três elencos inteiros e colocou cinco profissionais diferentes no cargo de técnico…
(Acho até que Juvenal se daria bem empresarialmente montando um “Desmanche”).
Essa profusão de mudanças de jogadores e técnicos é a própria prova cabal da incompetência diretiva e confissão de culpa: o problema do São Paulo não está dentro do campo …
Com elencos mais frágeis, Corinthians, Santos e Palmeiras voltaram a conquistar. Porque?
O Santos de LAOR tem a ajudá-lo nos bastidores uma comissão de notáveis; e próximo aos jogadores, ex-craques como Zito e Serginho falam sua língua, compreendem, acalmam, ajeitam as coisas.
O Corinthians trouxe o ex-jogador Edu Gaspar para lidar com as angústias, os choques e o dia a dia dos craques e da Comissão Técnica. O resultado aí está.
No Palmeiras, o grande reforço foi Cesar Sampaio, cujo trabalho de “imunização” do elenco aos ataques de diretores atrapalhados como Frizzo, começam a dar resultado.
E no São Paulo Futebol Clube…?
Repare nas fotos nos sites esportivos…
Não há sequer uma delas em que o alpinista diretivo Adalberto Batista e o insosso João Paulo “Veja BEm…” Jesus Lopes não apareçam rebolando com seus traseiros rotundos nos gramados dos CTs, bem mais do que os próprios craques.
Pergunto, amigo sãopaulino: você acredita que algum desses dois diretores – crias de Juvenal – falam a língua dos jogadores, são admirados e respeitados por eles, ou… são motivo de chacota desses jovens na “resenha”?
É notório, pelo discurso, que esses senhores se julgam da casta “diferenciada”…
Que acreditam que os “meninos da periferia” precisam jogar as mãos para o céu…não por vestir a camisa de um time vitorioso ( fato) mas – em sua visão elitista – por “usufruírem de uma estrutura diferenciada que lhes proporcionamos”.
Não vão conseguir unir um elenco dessa forma, sem formar um todo: dirigentes, comissão e atletas. Ser dirigente do São Paulo não é ser “da elite” e diferente dos demais. (Esse o maior banho do intragável Andrés Sanches em Juvenal Juvêncio).
Pois união pelo objetivo comum é a única maneira de se conseguir títulos, nos esportes coletivos em geral, e no futebol – muito em particular.
Exemplo dessa visão retrógrada é um tratamento ridiculamente diferenciado (desde a chegada) a um jogador como Luis Fabiano, que precisa de direção de pulso para render o que pode.
Um atleta que insiste em jogar-lhes na cara a indisciplina dentro de campo, e que faz com que seu salário de R$600 mil corresponda à atuação em duas partidas por mês, em média – e preferencialmente fora de finais.
Qualquer estagiário de psicologia, sabe que o atleta está pedindo: “Punam-me, por favor. Eu preciso!”. E o elenco ecoa silenciosamente esse pedido, com atuações pífias.
E aos meninos de dezenove anos, tudo é cobrado…
O que passa pela cabeça dos jovens atletas que saem do CT de Cotia ou chegam de times menores e se deparam com essa realidade… ?
Devem imaginar, por acaso, que para atingir o estrelato precisam se comportar como o individualista “Fabuloso” … Cartões e ausência em clássicos e finais, e dane-se o espírito de equipe! Pois se basta uma vitória e o presidente corre em campo para abraçá-lo!
Enquanto isso, o Corinthians, com elenco bem mais modesto, afastou (por muito menos) atletas como Chicão, Julio Cesar e Liedson.
Mas o São Paulo hoje é terra de privilégios, pois os “diretores” sabem o que fazem.
Coisa de gente “diferenciada”, que os jogadores sabem entender e respeitar…
A resposta aí está, na míngua de títulos.
Fonte: Redator Bipolar
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