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Muricy tem que peitar meio mundo, alterar o time e ficar no São Paulo
Birnadas, Geral
De Vitor Birner
Em regra, quando um técnico coloca o cargo à disposição e a cartolagem não aceita, ele não termina o contrato no clube.
O post trata da parte tática e doutras que envolvem a permanência do treinador.
Discordo, com muito respeito, de Muricy
Não gosto da concepção de jogo e escalação que Muricy tem colocado em campo.
Meus posts explicam isso.
O 4-4-2 funcionou apenas com Kaká, o responsável pela dinâmica de jogo no vice do Brasileirão.
Sempre achei que Muricy demora para organizar os times, tal qual cito, e sou criticado por opinar, desde o tricampeonato.
Fui chamado de o ‘anti-Muricy’, apenas por não pensar como ele sobre a formação da equipe no primeiro semestre, quando acontece a Libertadores, naquele período.
Sempre o respeitei pela honestidade, seriedade e competitividade.
Inclusive, porque eu podia ser o errado na hora de imaginar o melhor jeito de o time atuar.
Minha tese é que ele adota uma proposta e insiste nela até engrenar, e que poderia abreviar o período para o acerto, evitar derrotas diante de agremiações com elencos piores no mata-mata e criar opções para o time não ficar engessado com uma ou duas maneiras de atuar, se escolhesse forma de atuar mais interessante de acordo com as características do elenco.
Não tenho nada contra a insistência em si. Treinadores, quando têm convicção do que fazem, devem repetir, repetir e repetir para a regularidade aparecer.
Acho, inclusive, que o técnico evoluiu, abriu a mente para mais possibilidades táticas, apesar de os resultadores terem piorado.
Campo falou e ninguém ouviu
O 4-2-3-1 na derrota diante do Corinthians no paulistinha se mostrou mais ajustado que o 4-4-2.
Quando Michel Bastos fez o gol contra o San Lorenzo, o técnico havia trocado, alguns minutos depois do intervalo, o 4-4-2 pelo 4-2-3-1.
Foi o lance típico desse esquema de jogo. O meia, aberto na linha de três, entrou na área, atrás da defesa do rival, para aproveitar o cruzamento feito do lado oposto e a confundiu.
Concordo com Muricy que nem ali o futebol foi realmente convincente.
Mas não há como negar que tanto no Majestoso do pênalti perdido por Rogério quanto contra a agremiação do Papa, a equipe mostrou mais competitividade que nos outros clássicos, quando tomou baile na estreia da Libertadores, vareio do Santos apesar do empate ( Ceni fechou o gol) e um passeio do Palmeiras (a expulsão de Toloi pesou muito).
O treinador deveria, com o atual elenco, preparar o 3-4-3 para ter mais chegada na frente, mas agora não é o momento de fazer isso. pois precisará realizar profundas pode ficar exposta.
Na prática, pode atuar de qualquer forma, seja a pior, mediana ou a melhor, inclusive no 4-4-2, desde que os atletas fiquem próximos uns dos outros e o time consiga defender e atacar em bloco e com muitos jogadores.
O objetivo no futebol é preencher os espaços para impedir o gol do adversário, e de posse da bola abri-los para fazer os gols.
Os números servem apenas como referência para explicar aos atletas e a quem tem interesse, qual proposta foi adotada no intuito de cumprir os objetivos básicos do esporte.
Todas exigem, na era física e moderna do jogo, compactação e solidariedade durante os 90 minutos.
E os queridinhos da torcida?
Os quase intocáveis são Pato, Ganso e Luis Fabiano.
Muitos torcedores parece que não podem vê-los na reserva.
E Muricy, que nunca confrontou a nação são-paulina, tenta atendê-los desde o início do ano.
Realmente são os mais capazes no jogo ofensivo.
Mas futebol profissional não é pelada descompromissada, onde o mais habilidoso sempre tem que jogar.
A técnica individual no futebol sério deve ser utilizada em prol do coletivo.
O técnico precisa desagradar um pedaço de sua legião de fãs para ajustar o time.
No 4-2-3-1, Bastos e o ainda inconstante e promissor Centurión jogam pelos lados do trio de criação.
Kardec, muito dedicado na parte coletiva, ocupa a lugar entre eles ou no comando de ataque.
Isso garante 9 boleiros de fato participando da marcação.
Restaria uma vaga para os três renomados disputarem.
E não adianta a torcida, no primeiro momento ruim, começar a gritar o nome de um deles.
Deve apoiar o técnico por colocar quem prioriza a camisa em vez de si, pois certamente haverá muita estrela de nariz torto.
Luis Fabiano precisa de uma temporada consistente para ter certeza que conseguirá outro ótimo contrato, seja em qual clube for, no fim da carreira.
Pato não quer nem passar perto do Alvinegro e tem que mostrar maior comprometimento ao mercado nacional e europeu para alguém contratá-lo.
E Ganso, como ele mesmo já disse, acha que não precisa provar que é um grande jogador.
A reserva irá incomodá-los demais.
Mas nenhum, por exemplo, se dispõe a fazer os sacrifícios iguais aos de Kardec, que jogou a maioria das vezes totalmente fora de posição para duas das estrelas ficarem onde gostam.
Pato possui velocidade para jogar pelos lados do trio do 4-2-3-1, mas teria que recuar muito para auxiliar o lateral, além de se interessar em evoluir na marcação. Nem o técnico, por óbvios motivos, crê que o atacante fará isso.
Até o Neymar, muito superior ao Pato tecnicamente, me disse no início da carreira que se preocupava em aprender a marcar.
É lógico que esse monte de privilégios dos renomados incomoda vários boleiros do elenco e atrapalha a união.
A velha e vigente máxima no futebol é simples: quando alguém corre pelo outro, quem tem a regalia precisa decidir.
Como se diz no futebolês, garantir o bicho.
No São Paulo, a parte complementar e fundamental não acontece.
Muito importante além do gramado
Muricy nunca foi tão importante quanto hoje para o futuro da instituição.
Junto com Ataíde Gil Guerrero e Gustavo Vieira de Oliveira, impede que Aidar leve seus erros de gestão ao CT da Barra Funda.
Lógico que o ambiente pesado que o presidente criou dentro e fora do Morumbi tem impacto lá, mas os prejuízos poderiam ser maiores se Ataíde não encarasse o presidente que, por alguma razão, parece recuar diante de quem optou para ser o comandante do futebol.
A política do São Paulo e algumas medidas do presidente lembram o que de pior houve em decisões tomadas nas antigas administrações do Palmeiras.
O torcedor precisa ser humilde e compreender que o time pode, por exemplo, ser rebaixado no futuro se no presente houver muitas medidas inexplicáveis do ponto de vista comercial.
O são-paulino menos atento é incapaz de notar o tamanho do benefício para o clube que a MP do futebol pode trazer.
Mas isso, se necessário for, será assunto para outros posts.
By Birner
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