Julio Casares anunciou sua renúncia ao cargo de presidente do São Paulo na última quarta-feira, encerrando formalmente sua gestão à frente do clube. A decisão foi comunicada através de uma carta pública divulgada nas redes sociais. Com isso, Casares deixa a presidência antes da assembleia geral de sócios, uma movimentação que altera significativamente o panorama político interno do clube.
A renúncia ocorre apenas alguns dias após sua derrota na votação do Conselho Deliberativo, que aprovou o prosseguimento do impeachment. Em resposta, Casares decidiu não esperar a finalização do rito estatutário, uma ação interpretada internamente como uma tentativa de minimizar o desgaste institucional, já que o ambiente dentro do clube se tornava insustentável.
Após a saída confirmada de Casares, o vice-presidente Harry Massis Júnior assume a presidência de forma interina até o final do mandato em dezembro de 2026. Com 80 anos, Massis herdará um cenário de instabilidade política e pressão externa, com a prioridade, segundo seus aliados, voltada para evitar novas rupturas de imediato.
Na carta de renúncia, Casares adotou um tom firme, acusando a existência de articulações políticas, além de distorções e ataques pessoais. O ex-presidente afirmou não reconhecer qualquer irregularidade em sua gestão e reiterou que sua saída não deve ser interpretada como uma confissão de culpa. Ele justificou a decisão como uma forma de preservar tanto a sua família quanto o clube, criticando um ambiente "contaminado" por narrativas e versões sem provas robustas.
A missiva repercutiu intensamente entre conselheiros e torcedores. Casares também se pautou em conquistas esportivas da sua gestão, como a vitória na Copa do Brasil de 2023 e a Supercopa do Brasil, sublinhando que deixa um clube competitivo em campo, apesar das dificuldades financeiras.
A renúncia de Casares acontece em um dos períodos mais críticos da história recente do São Paulo, que agora enfrenta investigações da Polícia Civil e do Ministério Público relacionadas à venda ilegal de camarotes no Morumbi. Este caso elevou a crise e acelerou o desgaste da sua gestão. O clube se declara vítima neste processo e agora entra em uma nova fase administrativa sob uma liderança interina.
Conselheiros do clube clamam por uma reconstrução institucional e maior transparência. O grande desafio será estabilizar o ambiente político sem comprometer os aspectos esportivos do São Paulo, e a forma como essa transição será conduzida terá impacto significativo nos próximos anos.
ele só renunciou porque deve quando a pessoa não tem culpa nada teme