A Polícia Civil de São Paulo desencadeou uma operação para investigar a venda ilegal de camarotes no Estádio do Morumbi, casa do São Paulo Futebol Clube. A ação, realizada pela 3ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Desmanches Delituosos (DICCA), cumpriu quatro mandados de busca e apreensão relacionados a pessoas diretamente ligadas à investigação, conforme informado em reportagens recentes.
Os alvos dos mandados incluem Douglas Schwartzmann, ex-diretor adjunto das categorias de base do clube, Mara Casares, ex-esposa do atual presidente Julio Casares e a empresária Rita de Cassia Adriana Prado. Em um dos imóveis, foram encontradas anotações relevantes, enquanto em outro, a polícia apreendeu R$ 28.000,00 e uma CPU. Durante a operação, duas das pessoas não estavam presentes nas residências, mas isso não impediu a coleta de documentos importantes para a investigação.
De acordo com o promotor José Reinaldo Carneiro Guimarães, a investigação abrange crimes como coação no curso do processo, associação criminosa e corrupção privada no esporte. Ele alertou que a gravidade e a extensão dos fatos são mais amplas do que se supõe, e as diligências realizadas até o momento foram consideradas bem-sucedidas.
O São Paulo Futebol Clube se posicionou afirmando que é uma vítima neste caso e que colaborará com as autoridades na apuração dos fatos. A operação foi motivada após uma denúncia que chegou aos órgãos competentes através dos Correios.
Julio Casares, o presidente do clube que enfrenta um processo de impeachment, também está sendo investigado no mesmo inquérito. A situação no clube se agravou após a revelação de casos de exploração clandestina de camarotes para eventos, incluindo shows. Tanto Casares quanto membros de sua equipe enfrentam pressão significativa na esfera política do clube.
Os diretores e outros envolvidos também se pronunciaram. Douglas Schwartzmann se defendeu afirmando que estava à disposição das autoridades para esclarecer os fatos e que sua ausência durante a operação se deveu a compromissos profissionais no exterior. Por outro lado, Mara Casares expressou surpresa com a medida cautelar, ressaltando sua intenção de colaborar com a investigação, afirmando que nunca fora intimada formalmente.
Além do esquema de venda ilegal de camarotes, a Polícia Civil investiga outras supostas irregularidades financeiras dentro do São Paulo Futebol Clube, incluindo depósitos e saques significativos nas contas do clube e de Julio Casares, que somam milhões de reais.