QUAL TORCIDA TEM MAIS AMOR PELO SEU TIME?
Eu não gosto muito do jornalista Vitor Birner mas nesta coluna ele mandou bem.Observem o que ele escreveu. Casados com o sofrimento
Eu e a maioria achamos muito estranho se o sujeito fanático por algum clube de futebol virar a casa.
Bem pior do que se ele, fiel à esposa, ficar apaixonado pela colega de trabalho detestada por ela e pedir o divórcio.
Amar um time é casar com o sofrimento ‘até que a morte os separe’.
Quem não se dispõe a conviver com a dor do fracasso jamais entenderá a alma dessa atividade esportiva maluca, capaz de influenciar em nosso humor e mexer intensamente com as emoções.
Frustrações, abatimento, lágrimas, raiva, cada pessoa reage da uma forma na hora das derrotas importantes. Ninguém escapa disso.
Todas as equipes, sem exceção, perdem mais campeonatos do que ganham. Mesmo assim, seus torcedores verdadeiros continuam fiéis.
Esperam, até quando não há perspectivas, por dias melhores.
Pensam em contratações, mudança de treinador ou dirigente, reformas de estatutos, modernização da instituição, investimento em estrutura, na promessa das categorias de base…
Sempre arrumam fórmulas para o cenário desfavorável mudar.
Inconscientemente, enquanto vivem a desgraça sentimental esportiva vão tornando o prazer do futuro sucesso cada vez maior. Como acontece com a vontade de matar a sede, comer e transar, a impossibilidade de saciar os desejos aumenta a satisfação do momento em que os realizamos.
Não há como ser diferente.
Somos escravos de nossa natureza. Funciona assim com quem carrega o distintivo de qualquer agremiação tatuado no coração, mente e alma.
Tanto faz se é o do bairro no campeonato de várzea ou o que possui lugar reservado no noticiário da grande mídia.
O fato de você torcer pelo Corinthians, por exemplo, não garante que sua paixão é mais intensa que a do palmeirense, santista, são-paulino, juventino, lusitano ou qualquer outro.
Nenhum indivíduo, grupo de pessoas ou multidão possui o monopólio da emoção.
O direito de sofrer é livre, indispensável, pois a tentativa de tornar tudo racional e lógico destrói a deliciosa insanidade futebolística.
Observações
Escrevi o texto do post para o Lance, no começo de julho.
Citei o Corinthians como exemplo porque numa conversa com Juca Kfouri durante a Tabelinha, ele argumentou que ninguém se emociona tal qual o corintiano e eu discordei.
Afirmei que nenhum indivíduo, seja torcedor de Flamengo, Fluminense, Corinthians, Botafogo, São Paulo, Vasco, Palmeiras, Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio, Internacional ou de qualquer equipe possui o monopólio da emoção.
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