O futuro do SPFC sem Lucas - Por Juvenal Juvêncio Flex
Cofres cheios, arquibancadas vazias.
Especulações à toda, realizações distantes.
Esperança abalada, desconfiança fortalecida.
É tão tenebroso e sombrio o futuro que o SPFC nos reserva?
Depois de mais um ano de insatisfações, dúvidas, incertezas, frustrações e surpresas, o SPFC finalmente entregará aquele que por muitas vezes o carregou nas costas. A jóia rara, promessa que virou realidade, talento, dedicação e raça puros, Lucas, vai embora.
Em um time questionado, construído à primazia no papel, apto à disputar e vencer campeonatos, até agora, não vingou.
Revelações de outros times, promessas da base, melhores do Brasil, convocados e convocáveis, mitos, ídolos, artilheiros natos... Nada disso funcionou como deveria e apenas alguns poucos tem sua titularidade não questionada e mesmo ameaçada.
Lucas é, e logo, foi um desses.
Técnicos vieram e se foram, e nada se resolveu. Paizões, generais, amigos e estudiosos, em sua maioria bons trabalhadores, mas com trabalhos infrutíferos.
Mas Lucas permaneceu intocável, imprescindível, quase insubstituível. Logo, será memória, saudade.
Válvula de escape, esperança de brilho em uma equipe apagada no geral, responsabilidade de ser um gigante, o motor, com apenas 20 anos, talento de sobra, e muito, muito respeito ao SPFC.
Internazionale, Manchester United, Real Madrid, e por fim, a derradeira proposta inimaginável e irrecusável fez nosso mandatário bater o martelo. O hoje bilionário e poderoso Paris Saint Germain venceu, e Lucas se vai.
Eu, como a maioria, me pergunto o que será desse time do SPFC sem o motorzinho que movimentou-o durante esse tempo todo em que foi alçado ao profissional.
Mudaremos o esquema tático? Até hoje é debatido se Lucas é um atacante lateral, um ponta, ou um meia de ligação.
Na contramão do infortúnio, chegou ao SPFC o meia Paulo Henrique, o Ganso, um dos melhores do Brasil, quiça do mundo em sua posição, com a terrível missão de "reparar" o SPFC. Será capaz?
Oswaldo começa a despontar como o bom jogador que era nos tempos de Ceará. Segundo atacante pelas pontas, tem a dura, e provável missão de substituir Lucas lá na frente. Muito boa sorte e sucesso, Oswaldo.
Talvez, seguindo a tendência européia, adotemos o tão utilizado e bem quisto 4-2-3-1, amplamente utilizado no velho continente. Meias que se completam, armam e marcam, num meio campo rotativo e flexível. Uma referência à frente, apenas.
Mas Lucas não estará nesse ou em qualquer outro esquema. Se vai, e deixará aberta uma lacuna simplesmente enorme.
Sonharemos com o preenchimento de sua vaga, mas poucos vêem ou conhecem algum substituto à altura.
Meias, no esquema acima citado, tem de se entregar, participar e respeitar ordens como nunca. Têm de, sem exagero, serem perfeitos técnica e taticamente.
O SPFC nunca pôde contar com seu elenco completo, e quando puder, sua jóia não estará mais entre nós. Brilhará nos gramados europeus, será ídolo na cidade luz, onde nosso saudoso Raí foi rei.
Muita coisa mudará no SPFC, de hoje, para o ano que vem. Muito se espera com o dinheiro da venda de Lucas. Talvez, uma ou outra esperança se renove. Talvez vejamos um ou outro ídolo de volta. Talvez.
Que a diretoria do SPFC, tresloucada porém inteligente no manejo de dinheiro, construa, ao menos, a possibilidade de competirmos em alto nível, em igualdade com os melhores.
Que os jogadores que chegarem, estejam dispostos a mostrar realmente brio, respeito à camisa, a suar os 90 minutos.
Que o treinador possa encontrar soluções para as escalações, e não problemas seguidos, que consiga dar uma cara vencedora ao elenco e time, que tenha respaldo, tempo e muito trabalho bem feito.
E principalmente, que o SPFC não se afogue em mágoa, apatia e como que, numa crisa de abstinência, se torne uma viúva de Lucas.
Essa pequena e jovem máquina de jogar futebol, que com seus apenas 20 anos, mostrou como honrar uma camisa, como ser digno de respeito, de titularidade, de idolatria.
Que o futuro de Lucas, e do SPFC, sejam brilhantes, que o menino se torne "o cara" mundo afora, e que o time se espelhe e use sabiamente sua herança e legado, e que os dias que estão por vir, sejam melhores do que nunca.
Lucas deixará saudades mas também deixará o exemplo
a ser seguido, de nunca se entregar, não se jogar ao chão, brigar até o fim, ser melhor a cada dia.
Assim como fez o menino, sempre, que o SPFC se movimente muito, e com sua saída não fique estacionado na mesmice e na apatia, corra atrás de seus objetivos, consiga sua soberania de volta, e com suas próprias pernas, caminhe, mesmo que vagarosamente de volta ao topo.
Tenho certeza que dias melhores virão. Dias nos quais o SPFC poderá dedicar títulos aos atletas já se foram, mas que ajudaram-no a voltar ao lugar dos campeões.
Boa sorte, Lucas. Boa sorte, SPFC.
Abraço a todos,
JJF
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