Cortez
Existe um dito popular entre boleiros que compara futebol com andar de bicicleta. Ou seja, não se esquece.
Essa comparação se aplica a praticamente todas as coisas que, em teoria, uma vez que se aprende, não se esquece mais.
Cortez chegou no começo do ano como uma contratação acertada, com total apoio de críticos da impresa e torcida. Um negócio repentino, que surpreendeu o mais otimista dos são paulinos, e agradou a todos que não aguentavam mais ver Juan oscilando entre partidas ruins e partidas péssimas.
Ao longo do Campeonato Paulista, Cortez foi um dos principais nomes do time em uma boa campanha, que sucumbiu, novamente, à frente de um Santos de Neymar e Ganso. Tudo normal até aí.
Em seguida, caiu de produção, junto com todo o time, até a queda na Copa do Brasil. Até aí, tudo normal ainda.
Mesmo nesses momentos, ainda se destacava pela disposição dentro de campo. Era peça chave do time e tinha toda a confiança da torcida.
Porém, veio o Campeonato Paulista e o jogador que mais atuou pelo clube nesse ano (parte importante 1), começou a render cada vez mais. A disposição diminuiu (parte importante 2), a questão tecnica também (parte importante 3), até chegarmos no momento atual, onde ele vem atuando bem abaixo das expectativas e, em alguns momento, até abaixo do restante do time, como foi hoje contra a Ponte Preta.
Quem viu a trajetória de Cortez, pôde ver um cara simples e humilde, que não se vislumbrava com o sucesso como o restante da boleragem, mantinha os pés no chão, e estava sempre disposto a dar o seu melhor (parte importante 4).
E como explicar essa queda de rendimento?
Bem, aqui vão algumas teorias (sim, por que a verdade no mundo do futebol é sempre relativa).
Após a saída de Leão, houveram algumas declarações da de membros da comissão técnica, mais precisamente os preparadores físicos, que durante o tempo em que Leão comando o time, ele submetia os jogadores a treinos físicos exaustivos e repetitivos, além de abolir o rachão, atividade preferida dos boleiros. Leão passava por cima dos profissionais que eram responsáveis por cuidar da parte física dos jogadores. Os que estudaram para isso, e que tem como objetivo, manter os jogadores no melhor estado físico possível para enfrentar a exaustiva temporada brasileira.
É nesse momento que chamo atenção as partes importantes 1, 2 e 3.
Ninguém afirma mas, dentro do clube, existe um consenso de que, a série de contusões que ocorreram no Tricolor durante o primeiro semestre, são frutos colhidos da plantação maldita de Leão.
Seus treinamentos semi-militares, levaram o time a um desgaste físico maior que o esperado para um primeiro semestre. Funcionou durante o paulista, o time virava partidas, por que corria mais que os adversários nos ultimos 30 minutos de jogo, mas o preço saiu caro.
E é nesse momento que eu, na minha humilde e até mesmo irrelevante opinião, vejo Cortez como uma vítima das consequências.
Enquanto uns tem estiramentos, outros tem torções, outros tem desconfortos, ele não teve nada, e jogou praticamente todos os jogos.
E quando olho para o Cortez de hoje, depois de ver o Cortez do primeiro semestre, não consigo imaginar nada além de "esse cara está esgotado fisicamente".
E pergunta a qualquer boleiro. Quando o corpo começa a pedir arrego, o passe sai errado, a bola expirra do pé, e em determinado momento do jogo, você fica muito pesado e acaba se perdendo no posicionamento.
Muitos podem discordar, dizer que outros não estão passando por isso (apesar que eu vejo o mesmo em Rodholfo e Jadson). Dirão que ano passado ele também caiu de produção no Botafogo, que ele pode estar sentindo a pressão do momento e estar "pipocando".
Mas eu acredito que, pelo que eu vi do Cortez pessoa, a parte importante 4 me leva a crer que, apesar de todo o desgaste físico, ele não reclama, e se dispõe sempre a jogar. O que prejudica mais ele do que o time, que não tem um substituto a altura para sua posição.
Resumindo, o rapaz precisa descansar. Assim como Lucas, que foi passear em Londres a convite de Mano, e quase não jogou, e por isso voltou zerado. Voou hoje no Morumbi e mostrou que Mano perdeu uma bela oportunidade de trazer uma medalha.
Jogador cansado não rende. E Cortês precisa de uma pausa. Que tal tentar aliviar um pouco pro cara e ver como ele volta? Eu acho que vale a pena. E eu tenho certeza que ele merece.
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