Cosme Rímole tem razão, A prioridade do LECO é vender, vender, vender.
O São Paulo está em décimo quarto lugar no Brasileiro. Em apenas oito rodadas, está a dez pontos do líder do Corinthians. Já a quatro dos times na zona de classificação para a Libertadores. E a apenas dois pontos da zona do rebaixamento.
A próxima partida será amanhã, contra o Atlético, no Paraná.
O time já foi eliminado do Campeonato Paulista, da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana. Rogério Ceni sabe que a única missão que recebeu em 2017 é classificar o time para a Libertadores da América. E a única chance está no Brasileiro.
Só que ele está pagando por sua imaturidade.
O São Paulo segue cada vez pior, refém de seu técnico despreparado.
Ceni acreditou que sua vivência como jogador seria suficiente para se impor e montar um grande time. Resgatar o São Paulo vitorioso, vencedor, impiedoso. Acreditou que bastaria a idolatria que construiu em 25 anos de dedicação exemplar ao clube. Largou o curso de treinador, que jurou concluir, pela metade. Trouxe dois auxiliares europeus.
Ganhou de Leco o respaldo de um contrato de dois anos.
2017 seria o ano de aprendizado.
E em 2018, colheria os frutos.
Bastaria classificar o time para a Libertadores.
Leco garantiria uma equipe forte no próximo ano.
Ceni acreditou que estaria seguro, com respaldo.
Tinha certeza que usaria o clube para ganhar experiência.
Mas, apesar do intelecto privilegiado, é ingênuo. Está sendo usado de forma impiedosa desde que aceitou ser o técnico do São Paulo. Leco o usou como cabo eleitoral para conseguir a reeleição. O presidente sabia que não montaria uma equipe forte, confiável este ano. A prioridade seria vender, vender, vender.
Seus jogos deveriam ser transmitidos pelo Shoptime.
om uma sede por dinheiro que supera a de Zezé Perrella, Leco transformou o Morumbi em um balcão de negócios. Vendeu David Neres por 12 milhões de euros, R$ 44,2 milhões. O atacante de 19 anos fez apenas oito partidas pelo São Paulo. Em seguida, com direito à comemoração especial de Leco, o clube vendeu Lyanco para o Torino por 7 milhões de euros, R$ 25,7 milhões. O zagueiro tem 20 anos.
Mais rápido do que os donos de barracas do Mercado Municipal de São Paulo, Leco vendeu Luiz Araújo para o Lille. Por mais 8 milhões de euros, R$ 29,4 milhões. O time francês chegou a deixar tudo certo, mas recuou diante do aumento da pedida do presidente do São Paulo, mas segue com a prioridade em relação a Thiago Mendes. A direção do clube paulista quer a negociação por 8 milhões de euros, R$ 29,4 milhões e não por 6,5 milhões de euros, cerca de R$ 23,9 milhões, como estava acertada.
Como o blog anunciou no dia 2 de junho, Leco negociava com empresários turcos o zagueiro Maicon. O Galatasaray acenou com 7 milhões de euros, cerca de R$ 25,7 milhões. O que é uma enorme vitória. Já que o dirigente é muito criticado, até por membros de sua diretoria, por ter investido 6 milhões de euros, R$ 22,1 milhões pelo zagueiro junto ao Sporting. O dinheiro já era considerado perdido, devido à fragilidade técnica de Maicon. Mas surgiram os turcos e Leco quer a negociação fechada nas próximas horas.
Mas as vendas não param por aí. Se surgir uma proposta de 10 milhões de euros, cerca de R$ 36 milhões, Lucas Pratto fará as malas e irá embora. Mesmo com o argentino garantido que pretende seguir no Morumbi.
Fora o desejo de empurrar Rodrigo Caio. Inter de Milão e Lazio são clubes interessados. O presidente do São Paulo quer, pelo menos, 16 milhões de euros, livres, cerca de R$ 59,2 milhões.
Leco assume uma fúria por fazer dinheiro com jogadores.
Ela nasceu pelo cálculo do departamento financeiro do clube. O diretor financeiro Adílson Alves Martins avisou ao presidente que o clube deveria alcançar R$ 67 milhões em vendas de jogadores. Isso para o São Paulo seguir sem grandes dívidas. Com a ajuda do Profut, que parcelou R$ 77 milhões em vinte anos, aumento da cota de transmissão da tevê e antecipação das luvas dos torneios de 2019 e 2024, mais a chegada de patrocinadores, o clube deixou de dever R$ 270 milhões. Acumula dívidas de R$ 144 milhões.
Só que Leco adorou essa história de vender. Já arrecadou R$ 99 milhões com Luiz Araújo, Lyanco e David Neres. Ultrapassou os planos de conseguir R$ 67 milhões com jogadores. Só que, se negociar Maicon e Thiago Mendes, acumulará mais R$ 55 milhões. Se surgirem os R$ 36 milhões por Lucas Pratto, o próprio presidente são paulino é capaz de ajudar a arrumar as malas.
Ou dirigir o carro que levaria Rodrigo Caio ao aeroporto.
A avidez por dinheiro de Leco é algo estarrecedor.
Rogério Ceni se cala.
Não pode fazer nada.
Só que não percebe que segue sendo usado como escudo.
Para a torcida não reclamar, protestar em frente ao Morumbi, Leco negocia a compra de novos jogadores. Leco sondou Geromel, o Grêmio recusou vendeu seu zagueiro. Mas a diretoria do São Paulo fez questão de deixar vazar essa sondagem que não deu em nada. Em compensação tem propostas feitas para dois jogadores estrangeiros. O zagueiro equatoriano Robert Arboleda, do Universidad Católica, e o meia Jonathan Gómez, do Santa Fé, da Colômbia.
Além de negociar com Petros, ex-Corinthians, que está no Bétis. O São Paulo ofereceu 2,5 milhões de euros, R$ 9,2 milhões. O jogador já acertou salários e quer atuar no Morumbi.
Leco está oferecendo Lucão. O zagueiro criticado pela torcida não quer mais atuar pelo clube. E não enfrentará o Atlético Paranaense para não completar sua sétima partida e não jogar em outro clube que dispute o Brasileiro. Vasco, Coritiba, Fluminense, Bahia já acenam sobre a possibilidade de um empréstimo.
Leco foi incapaz de renovar o contrato com João Schmidt, meio campista que Ceni adora.
O atleta de 24 anos irá de graça para o Atalanta.
Em meio esta feira livre de jogadores, Rogério Ceni fica à mercê. Esperando com que jogadores realmente poderá contar. Ele segue sendo o último a saber com qual grupo seguirá até o final do Brasileiro. Mesmo sua amizade profunda com o bilionário diretor de futebol, Vinicius Pinotti, não está ajudando. Leco tem imposto sua vontade irrefreável de vender atletas.
No máximo, conseguiu ontem que o clube propusesse a renovação de contrato de Lugano. Leco esperou o uruguaio ficar profundamente magoado, revoltado, para oferecer mais seis meses de compromisso. E uma festa de despedida no final do ano. O zagueiro pode até aceitar, só que está desgastado. Se sente desprezado. Sabe que o inseguro presidente só agiu pressionado pela torcida, pela imprensa, pelos jogadores, por Ceni. Se dependesse só do dirigente, Lugano iria embora do Morumbi.
E talvez, ele nem aceite.
Rogério Ceni acreditou que estava pronto para ser treinador.
Não está.
Se mostra incapaz de montar um simples sistema defensivo.
Seus jogadores estão cada vez mais tensos, inseguros.
Sabem que a estratégia não funciona.
O clube acumula decepções, a torcida vaia o próprio time.
Leco está mais empolgado que o dono da camisaria Fascynios.
Vai ganhar o prêmio de ''vendedor do ano''.
Quanto ao São Paulo na Libertadores de 2018?
O clube está fazendo tudo para não disputar a competição.
E no centro do vendaval, fazendo pose, Rogério Ceni.
Triste São Paulo Futebol Clube.
Tricampeão mundial, que virou mero balcão de vendas...
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