[Futebol/Bastidores] Carlos Miguel Aidar não quer Alterações de gestão propostas por Abílio Diniz.

[Futebol/Bastidores] Carlos Miguel Aidar não quer Alterações de gestão propostas por Abílio Diniz.

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De Vitor Birner

Carlos Augusto de Barros e Silva não descarta convocar uma reunião extraordinária do conselho deliberativo para debater as alterações na governança do clube propostas por Abílio Diniz.

“Ainda não decidi. Tenho que ouvir a comunidade”, falou.

Se fizer isso será para discutir a pauta e não votá-la como alguns conselheiros e o empresário querem.

Abílio Diniz seria novamente chamado para palestrar e trocar ideais com os conselheiros.

Dependendo de como Leco avaliar a receptividade da argumentação, as mexidas serão colocadas na votação, tal qual me disse, durante a próxima reunião que deve acontecer em cerca de 50 dias.

Relevante

O assunto é muito mais importante que quaisquer contratações de atletas ou esquemas táticos e metodologias de treinamentos do time.

Se referendado pelo conselho, terá impacto no futebol e noutras áreas do clube, e não apenas em curto prazo.

Toda estrutura de poder presidencialista e conservadora determinada pelo estatuto ruiria em detrimento do modelo de gestão empresarial.

Irei opinar em outro post, com profundidade, se a ideia é construtiva ou não, caso o assunto for pauta dos políticos do clube.

Abílio Diniz propõe enormes alterações

Na reunião do Conselho Deliberativo, há uma semana, o empresário Abílio Diniz, convidado obrigatório depois que indicou o CEO Alexandre Bourgeois para brecar os gastos da administração de Carlos Miguel Aidar e tentar colocar a gestão do clube na linha, se posicionou radicalmente contra a formação do fundo de investimentos que o presidente pretende criar.

O empresário quer a implementação de um Comitê Gestor com autonomia de tomar decisões e dizer “não” para as do atual e as dos próximos presidentes, se achá-las inadequadas para o São Paulo.

Outras medidas seriam a extinção da função de diretor e o total esvaziamento de poder dos vice-presidentes.

Esses últimos teriam suas carteirinhas mantidas, mas na prática o cargo seria apenas simbólico, pois o papel deles se limitaria às dicas e ponderações para a ‘rainha da Inglaterra’ hierarquicamente acima.

O presidente do clube poderia sugerir, planejar, negociar, executar e agregar, mas a última palavra, em tudo, seria do Comitê Gestor composto por meia dúzia de integrantes do conselho deliberativo, o presidente do órgão e dois profissionais de mercado.

O Conselho Deliberativo ganharia força, pois votaria nos seus integrantes que formariam o Comitê Gestor.

Queria dinheiro do empresário

Após a explanação da última terça-feira, Abílio Diniz foi aplaudido, em pé, pela maioria dos conselheiros situacionistas e de oposição.

Carlos Miguel Aidar, que pretendia ouvir o empresário falar que faria o cheque para quitar as dívidas de sua gestão, escutou de maneira enfática a negativa e ainda tomou o contra-ataque indireto, naquele momento, das ideias de Abílio Diniz para o instituição.

Na hora, notou a excelente receptividade da maioria e não se manifestou nem contra e nem a favor.

Dia seguinte, a realidade se fez soberana.

Carlos Miguei Aidar começou a minar a proposta.

O empresário, tal qual citou no post em seu blog, quer mostrar o caminho para solucionar as questões financeiras e não tirar do bolso a monta que encerrará os problemas, pois crê que o clube se afundará de novo se nada estrutural for alterado.

Em suma, o presidente simplesmente quer o mecenas endinheirado, enquanto quem tem a verba pretende fornecer a sua valorosa e incalculável experiência para o São Paulo não precisar do dinheiro dele e de ninguém mais.

Freio e acelerador

Era muito óbvio que Aidar não encamparia a proposta, pois ela é totalmente contrária a maneira como gere a agremiação.

Se fizer isso, um dia, será a contragosto e por falta de opção para se manter no cargo.

Em vez de simplesmente negá-la, pode ganhar prazo ao tornar o processo lento, pois tem quase dois anos de mandato a cumprir.

O empresário adaptado à velocidade do mundo realmente profissional e com experiência enorme em negociações, e ciente das imediatas necessidades da instituição, ‘pretendia’ que a mexida na forma de poder acontecesse em duas ou três semanas (já passou uma).

Por isso, nessa suposta queda de braço iniciada depois da reunião do Conselho Deliberativo, Abílio Diniz perdeu o primeiro round para Carlos Migual Aidar.

Leco, reitero, afirmou que não irá colocar a ideia em votação antes do encontro que ocorrerá em cerca de 50 dias.

Aplaudo

Carlos Augusto de Barros e Silva exerce a presidência do Conselho Deliberativo de maneira elogiável.

Não põe entraves na gestão de Aidar e apenas zela pela instituição.

Entre outras medidas, tirou da pauta anterior, em maio, a votação que poderia aprovar o pagamento da comissão à Far East, que supostamente teria levado a Under Armour e sido preponderante para o acerto do fornecimento de material esportivo.

A perspicácia do dirigente pode proporcionar R$ 18 milhões de economia, pois a direção ainda não conseguiu mostrar como a empresa norte-americana teria apresentado a fornecedora de material esportivo e intermediado a negociação.

Carlos Miguel Aidar, que ficou irritado e saiu no meio da reunião retrasada do conselho deliberativo, seguido por alguns diretores, após Leco retirar a votação do comissionamento, sequer quis que o tema entrasse na pauta do último encontro do órgão.

Se Leco não decidiu nem descartou convocar a reunião, e se apenas tem convicção que não colocará de maneira extraordinária a votação das mexidas na estrutura de governança, é porque conhece o clube, sabe que Carlos Miguel Aidar repudia a ideia, e que a possibilidade de transformar a oportunidade em perda de tempo é considerável.

Muito diálogo interno dos conselheiros com quem ficou contra ou a favor de Abílio Diniz será preciso para a proposta de reformulação caminhar

Estrutura política

O estatuto do clube deve ser alterado para isso.

A maioria simples (metade mais um dos que forem à reunião) do Conselho Deliberativo precisa votar favoravelmente.

No São Paulo, o presidente do Conselho Deliberativo possui a prerrogativa de colocar ou retirar da votação aquilo que foi debatido, desde que tenha colocado previamente o tema em pauta.

Guerra fria

Colecionador de entreveros dentro e fora do Morumbi desde eleito, Carlos Miguel Aidar perdeu um pouco de força política nos últimos meses e Abílio Diniz, que ganhou adeptos e admiradores no conselho, tem sido diplomático ao dizer como avalia a atual gestão.

O primeiro mandatário sabe da força que o cargo lhe confere e que o desatino, agora, com o empreendedor bem-sucedido, pode, em breve, ser algo indigesto.

Os pares de Juvenal Juvêncio querem que o o presidente renuncie.

Fazem lobby para que aconteça o impeachment diante dessa recusa.

Tal hipótese comentada nos corredores do clube ainda é uma realidade muito distante ou nem isso.

Dependerá de algumas circunstâncias para ganhar força e a guerra fria de Abílio Diniz com Carlos Miguel Aidar, se mantida, pode ser uma delas .

Internamente, a política continua em temperatura de efervescência.

Há cardiais e conselheiros que afirmam que essa é a maior crise de gestão do São Paulo desde a fundação.

O grupo ‘Clube da Fé, por exemplo, que foi contra Carlos Miguel Aidar na eleição e passou a apoiá-lo após ganhar algumas diretorias, rachou entre quem acha inaceitável a manutenção da postura em prol do presidente e os que são contra isso.

Nos clubes de futebol, há quem crie dificuldades para conseguir facilidades.

Alguns conselheiros podem se colocar como opositores apenas para ganharem cargos ou quaisquer privilégios.

No São Paulo tinha gente que xingava o ex e o atual presidente (sou absolutamente contra ofensas. Crítica deve ser feita com argumentos e ideias em vez de palavrões) anterior e cessou assim que passou a ocupar posição na diretoria.

Não há como ter convicção que os discursos sempre são de interesse do clube e por isso é complicado, ao menos agora, dimensionar com precisão qual é o real tamanho da força do presidente e de quem pretende tirá-lo da função.

Gestor e são-paulino

A torcida fala em contratações, desempenho técnico dos jogadores e questões táticas, enquanto o clube pede aos empresários que ofereçam seus funcionários para outros clubes e a situação econômica piora.

A gestão de Carlos Miguel Aidar tem sido ruim. Um dia ele irá embora e ficará longe, como fez antes de assumir o cargo, e deixará condição econômica que pode levar a agremiação, noutros torneios, à segunda divisão do Brasileirão.

Apenas quem vive no mundo da lua descarta a possibilidade.

Outros gigantes do futebol nacional desceram por conta de péssimas administrações e falta de grana.

É isso que Abílio Diniz, certo ou errado nas suas propostas, quer evitar no time para o qual torce.

Sorte

Para sorte do São Paulo, Juan Carlos Osório, escolha do demitido Gustavo Vieira de Oliveira e de Ataide Gil Guerrero, é o treinador.

O colombiano, além do enorme conhecimento de futebol, tem exercido mais funções que a de treinar o time, pois o futebol do São Paulo continua à deriva após a saída do gerente executivo.

Carlos Miguel Aidar, relembro, queria outro técnico como por exemplo o português José Peseiro.

Negociou com Ataíde Gil Guerrero e contratação de Juan Carlos Osorio em troca da demissão do funcionário que segurou ‘na unha’ a insatisfação dos atletas por causa dos atrasos salariais e da não realização dos pagamentos nos prazos posteriores combinados entre dirigentes e o elenco.

O xingamento de Michel Bastos, a reclamação de Centuríon no twitter e a recusa de Ganso cumprimentar o técnico aconteceram depois que o então funcionário recebeu o o bilhete azul.

Escrito por Vitor Birner às 20:34 Vitor Birner 100 Comentários

http://blogdobirner.virgula.uol.com.br/2015/08/04/carlos-miguel-aidar-nao-quer-alteracoes-de-gestao-propostas-por-abilio-diniz/

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