Harry Massis Júnior assumiu a presidência interina do São Paulo na noite de sexta-feira, em um dia de votações intensas, alta tensão política e troca no comando do clube. E não demorou para o novo dirigente sinalizar qual será o tom da transição: logo na manhã de sábado, ele esteve no Centro de Treinamento da Barra Funda para conversar com jogadores e comissão técnica, deixando claro que, no curto prazo, a prioridade absoluta é o futebol e a preparação para o clássico do fim de semana.
O encontro com o elenco foi apenas a primeira movimentação. Na sequência, Massis iniciou diálogos com funcionários e setores da estrutura administrativa para alinhar expectativas, mapear urgências e estabelecer uma pauta objetiva para os próximos dias, conforme apuração do Bolavip Brasil. A palavra de ordem neste início é organização, justamente para reduzir ruídos internos em um clube que atravessa semanas de instabilidade institucional e precisa evitar novos focos de desgaste antes que a transição ganhe contornos definitivos.
Mesmo com a troca de comando, Massis não adota discurso de ruptura. Nos bastidores, a proposta apresentada é de pacificação política: esfriar ânimos, reduzir o clima de confronto e impedir que a transição se transforme em um processo traumático. Inclusive, setores da oposição reconhecem que o momento exige ajustes e melhorias de gestão, mais do que uma mudança radical na estrutura, ainda que parte da torcida pressione por uma renovação ampla e imediata.
É justamente por isso que a primeira decisão considerada mais sensível tende a acontecer dentro do futebol. Internamente, avalia-se a escolha de um nome para acompanhar de perto a rotina do CT, atuando ao lado de Rui Costa e funcionando como elo entre diretoria, departamento de futebol e ambiente político durante a transição. A ideia, no desenho discutido, é criar um ponto de contato permanente que ajude a estabilizar a tomada de decisões no dia a dia e diminua o impacto das turbulências fora de campo sobre o trabalho do elenco.
No setor administrativo, a orientação inicial é evitar mudanças bruscas. A leitura é de que mexidas imediatas poderiam ampliar inseguranças e atrasar processos que já estão em andamento, por isso as equipes atuais devem ser mantidas ao menos neste primeiro momento, respeitando trâmites e planejamentos em curso. Ao mesmo tempo, a gestão interina entende que será preciso agir para eliminar o risco de novos atrasos salariais, mesmo diante de um cenário de fluxo de caixa pressionado e compromissos financeiros relevantes.
Na prática, o maior desafio identificado por Massis é financeiro. A previsão de faturamento para 2026 é superior a R$ 931 milhões, mas a urgência está em aumentar receitas, cortar despesas consideradas desnecessárias e revisar custos com critério, transformando a pauta de controle orçamentário em prioridade estratégica. A expectativa é que, após as primeiras reuniões com diferentes áreas, algumas diretorias possam sofrer mudanças como resposta política e administrativa ao cenário atual, porém sem ruptura total: a “espinha dorsal” do clube deve ser preservada nesta etapa inicial.
Com as eleições se aproximando e o ambiente ainda instável, a estratégia de Massis é priorizar estabilidade, diálogo e decisões graduais, evitando o “tudo ou nada” que costuma ampliar crises internas. No São Paulo, a mudança começa pelo tom da condução e pela comunicação — e não pelo confronto. Resta saber qual será o alcance real dessa linha de pacificação e, principalmente, como ela vai se traduzir em medidas concretas no futebol e nas finanças, justamente nos pontos que mais pressionam o clube neste momento.
Você viram a quantidade de gente que vota e são conselheiros do SPFC? Se fosse uma empresa privada teria um terço dessa quantidade. Tanta gente para fazer o que ? É por isso que é muito difícil corrigir. Se virar SAF essa brincadeira termina.
E preciso em primeira conversar com os jogadores garantido que eles não vão ficar sem receber os salários.