A dura vida de Osorio
Olá,
Sou inteiramente a favor da vinda de técnicos com passaportes diferentes para o Brasil. Qualquer que seja a modalidade. Mas este tempo em que o técnico Juan Carlos Osorio, do São Paulo, tem trabalhado na terra dessa gente bamba é ilustrativo e didático de como estamos e de como a vida dos treinadores por aqui tem contornos inimagináveis para um país que já foi uma fábrica de craques, tem cinco títulos mundiais e se especializou em exportar pé de obra.
Entre o desembarque com pompa e circunstância no Morumbi e o domingo ensolarado no Maracanã, na derrota para o Flamengo, o São Paulo perdeu oito jogadores. Deve ser a primeira vez que o Osorio se depara com esta situação. Algo comum para quem há anos por cá dá expediente à beira do campo.
Osorio Flamengo x São PauloNão conheço o Osorio pessoalmente, mas as entrevistas que concede chamam a atenção pela educação, preocupação em ser ponderado e, de uns tempos para cá, revelam certa perplexidade com a situação por aqui vivida. Ao olharmos o semblante do Osorio, ao vermos suas angústias e estranhamentos com o que acontece no cotidiano do “Mundo do Futebol” temos a chance de entender muito do procedimento dos técnicos que por aqui se esgoelam. É uma realidade particular, única e capaz de alterar princípios e conceitos.
Vê-lo assustado, quase que deprimido com tantas perguntas sem respostas, explica um pouco sobre os métodos adotados pelos técnicos brasileiros. O exercício desta profissão por aqui é de alto risco. Trabalha-se sem nenhuma segurança e o mercado é regido somente pelos resultados. Claro que a pressão por resultados transforma o pensamento do treinador. Esqueça que muitos se identificam com formações que se caracterizam pelo defensivismo, mas lembre-se que criou-se um conceito de que o time só joga bem quando vence.
E não ignoro que parte dos catedráticos, com seus olhares conservadores, contribuem para que o jeito de se ver futebol seja cada vez mais divorciado da essência brasileira.
Seria muito se a CBF pensassem em normas para orientar a relação dos técnicos com os clubes. Quem fosse demitido durante uma competição não poderia trabalhar em outro clube naquela mesma competição. Assim, os dirigentes pensariam duas vezes antes de agir movidos por um desejo de dar satisfação ao torcedor e o técnico, noves fora suas limitações, poderia mostrar realmente o que pensa na formação de um time.
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