Bingo!!!!! Descobriram os verdadeiros problemas do São Paulo.
No começo do ano, boa parte da opinião pública dizia que o São Paulo não jogava bem por causa da ausência de Lucas ou de algum atleta capaz de fazer a função executada por ele antes de ser negociado com o Paris Saint German.
Rapidamente, os mesmos juntaram ao pacote de reclamações a opção de Ney Franco pelo 4-2-3-1, esquema usado pelo time em suas melhores apresentações nessa temporada e na anterior.
Os desafetos do técnico no CT da Barra Funda aproveitaram e iniciaram a campanha para derrubá-lo. Pareciam mais concentrados nisso do que nos resultados obtidos pelo time.
Transformaram a insatisfação em guerra pessoal.
E começaram a sair do CT as notícias parcialmente verdadeiras, que minaram a imagem e o trabalho de Ney Franco, tal qual a da insatisfação geral no elenco com o técnico.
Ele perdeu a paciência com essas pessoas e decidiu culpá-las publicamente pelos fracassos da equipe: disse que não passa, chuta, faz gol…
A direção, vivendo momento de grande impopularidade por conta da falta de títulos importantes desde 2008 e demissões de funcionários renomados com história no São Paulo, notou o racha e percebeu que precisava fazer algo.
Ou demitia Ney Franco, que era a decisão populista, ou mexia com os insatisfeitos, que era a medida tecnicamente necessária e multiplicava a impopularidade vezes mil.
Ficou com a primeira possibilidade e contratou Paulo Autuori, o preferido entre todos os técnicos em atividade, dos desafetos do atual treinador do Vitória.
Os resultados não melhoraram logo de cara e nem os opositores de Ney Franco ficaram completamente satisfeitos.
Adalberto Batista, que cumpriu o papel dele ao apoiar o treinador e foi o único dirigente com coragem para mexer no vespeiro das vaidades e luta por território no ambiente que deveria ser de harmonia, deu um passo em falso ao discordar publicamente de Rogério Ceni.
O goleiro, sem dúvida um dos maiores ídolos da história são-paulina, atleta que faz jus à alcunha de ‘mito’, fundamental dentro e também, ressalto, fora de campo em conquistas importantíssimas do time, havia falado do tal “legado zero”.
Nesse caso, discordei do camisa 01.
A opinião pública, novamente estimulada pelas notícias nascidas do CT da Barra Funda, ficou radicalmente contra o diretor.
Acreditou na história verdadeira da incompetência dele ao fazer o tal do ‘meio de campo entre os atletas e a direção’, mas menosprezou algo fundamental:
Milton Cruz, coordenador técnico que não indica bons jogadores faz anos, inclusive antes de Adalberto assumir a direção do futebol, e nem participou, por opção dele mesmo, dos treinamentos no período de Ney Franco, tinha que cumprir o papel que cobravam de Adalberto.
Um adendo:
Se Marco Aurélio Cunha estivesse na gerência do futebol, a chance de os problemas acontecerem seria bem menor.
Infelizmente para o São Paulo, hoje as brigas pessoais colocam de lados opostos as pessoas mais capazes.
De qualquer forma, lá estava Autuori, de quem Milton gosta muito.
Obviamente, o coordenador técnico opinou nas escalações, realmente tentou ajudar o treinador que acabara de voltar, apesar de ter, na prática, atrapalhado.
Autuori escutou, tentou mexer na forma de o time atuar mesmo sem ter tempo de treinar as alterações, e falhou.
Esse erro provavelmente nem foi os maior dele na minúscula passagem pelo clube.
A crença que sua compreensão, paciência e parceria com o elenco gerariam comprometimento dos boleiros, acabou sendo o mais destrutivo.
O plano teria funcionado se tivesse bastante tempo, coisa que a tabela de classificação no Brasileirão não fornecia.
A questão não era, como obviamente não é, a insatisfação de todos os atletas com seu antecessor.
A campanha anti Ney Franco gerou danos difíceis de serem resolvidos.
Assustou alguns jogadores e minou a relação de confiança, respeito e união entre eles.
Traduzindo, o ambiente estava contaminado, doente.
Sem dúvida, com Autuori as brigas e o diz que diz pelas alamedas do CT acabaram.
Só que isso não bastou para transformar o local de preparação da equipe.
Ney Franco saiu, Autuori chegou, e tanto a desconfiança quanto o incômodo da parte do elenco que não tinha nada contra o técnico campeão da última Copa Sul-Americana, ficaram lá.
Alguns jogadores têm medo de falar o que pensam. Desabafam apenas com quem confiam bastante e pedem as mesmas sigilo absoluto.
Temem a reação de alguns colegas de clube, situação compreensível, pois viram eles derrubarem um treinador, além do diretor de futebol conhecido como o homem de confiança do presidente.
A última cartada da direção, que paga salários em dia, bichos gordos e diminuiu o preço dos ingressos para aumentar o apoio do torcedor nos jogos, foi a contratação de Muricy Ramalho.
Colei, no próximo parágrafo, o trecho da matéria do UOL Esporte sobre a reunião de ontem do técnico com o elenco. Tem a conclusão do atual treinador do São Paulo a respeito do que se passa.
Muricy falou sobre a impressão negativa geral que tem sobre o atual elenco. A avaliação do técnico é que não há companheirismo no dia a dia e que será preciso clima mais amistoso e sem disputas internas para que o São Paulo fuja do rebaixamento
http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/brasileiro/serie-a/ultimas-noticias/2013/10/04/muricy-reclama-de-individualismo-e-cobra-parceria-em-reuniao-no-sp.htm
Bingo!!!!!
Finalmente descobriram e tornaram públicos os verdadeiros problemas do time.
Quem lê o blog faz tempo e crê no que eu escrevo, já sabia.
Responsabilidade
Muricy disse, após a derrota contra o Santos, que sentiu vergonha da postura dos atletas e se surpreendeu com a diferença de comportamento deles em relação ao confronto diante do Grêmio.
Colocou a responsabilidade nos jogadores, tal qual Ney Franco fez.
Dessa vez a torcida, por acreditar na competência de Muricy ao invés de crer na campanha realizada com o plantio de notícias parciais e interessadas na mídia, não criticará o treinador.
Muricy está agindo como deve.
A responsabilidade é dos atletas, sejam os desafetos de Ney Franco ou os que nada têm com isso.
Obviedade
É claro que a direção do São Paulo, quando permitiu o crescimento da confusão e não tomou as medidas necessárias, teve grande responsabilidade pela crise.
Ela tinha autoridade para evitar tudo.
Agora, precisa lidar com a crise e respaldar integralmente o treinador.
Fundamental
O confronto diante do Vitória é muito importante.
Depois dele, o São Paulo viajará à Belo Horizonte para encarar o forte Cruzeiro e receberá o Corinthians no Morumbi.
Como está atrás do Vasco, precisa ganhar.
Não pode permitir que o adversário abra vantagem matematicamente impossível de ser tirada numa rodada.
Isso aumentará enorme pressão com a qual os atletas precisam lidar.
É claro que a cobrança pública de Muricy, a briga pessoal de alguns com Ney Franco e a própria situação do time no campeonato brasileiro devem fazer o São Paulo, individualmente bem melhor que o adversário, correr muito no sábado.
Se nem diante disso tudo a equipe for guerreira de maneira exemplar, até eu, que aposto na permanência do São Paulo na elite do futebol do país, pensarei em mudarei de opinião.
http://blogdobirner.virgula.uol.com.br/2013/10/04/bingo-descobriram-os-verdadeiros-problemas-do-sao-paulo-vamos-ver-como-o-time-vai-se-comportar-no-importantissimo-jogo-contra-o-vitoria-de-ney-franco/#.Uk8wbxqP7Do.twitter
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