O São Paulo Futebol Clube decidiu reformular profundamente a maneira como lida com a transição de seus jovens talentos para o time principal. A diretoria e a comissão técnica de Hernán Crespo pretendem abandonar o chamado "Plano Beraldo" — modelo que consistia em promover o atleta ao profissional, mas mantê-lo por longos períodos sem atuar, nem na base, nem no time de cima, o que acabava por prejudicar o ritmo competitivo dos garotos.
A nova diretriz foca no desenvolvimento contínuo. O entendimento interno é de que o treinamento com as estrelas do elenco principal é vital para a adaptação tática, mas nada substitui o "cheiro de grama" e a pressão do jogo. A partir de agora, as promessas de Cotia seguirão treinando na Barra Funda sob os olhos de Crespo, mas descerão periodicamente para disputar partidas pelo Sub-20. O objetivo é claro: garantir que o atleta chegue à maturidade técnica com rodagem, aumentando consideravelmente seu valor de mercado para futuras transferências internacionais.
Entre os nomes que já encabeçam essa nova lista de integração estão Felisberto, Nicolas, Djhordney, Isac, João Pedro, Tetê e Pedro Ferreira. O cronograma estabelecido prevê que esses jogadores atuem nas categorias de base pelo menos uma vez a cada dez dias. Essa dinâmica permite que o clube monitore a evolução física e técnica em tempo real, sem que o jogador perca a intensidade que o futebol de alto nível exige.
Um dos grandes destaques monitorados por Crespo nesse sistema é o lateral Igor Felisberto. O jovem tem encantado a comissão técnica pela refinada qualidade técnica nos treinamentos com o grupo principal. No entanto, o diagnóstico é de que ele ainda precisa de ajustes no posicionamento defensivo, algo que será lapidado justamente nessas descidas pontuais ao Sub-20. O São Paulo entende que, ao oferecer tempo e jogo, transforma "promessas" em ativos financeiros e esportivos muito mais sólidos.