O que é o Dinizismo? É o futebol moderno ou o futebol que todos os times treinam normalmente? Fernando Diniz pode ser considerado um revolucionário? Moderno? Estudioso? Ofensivo? Professor Pardal? Promissor ou mais do mesmo? Tentaremos dissecar o que pode caracterizar o Dinizismo.
LEIA TAMBÉM: [VOCÊ REFORMULA] Quem deveria deixar o São Paulo em 2020?
Adorado por todos os jogadores com qual conviveu e consciente das suas virtudes, o treinador é especialista com o cuidado humano e psicológico do atleta. Além do mais, consegue despertar esperança nos críticos do futebol ultrapassado que buscam uma revolução no futebol brasileiro e ao mesmo tempo coleciona ''haters'' pelos resultados ruins colecionados em suas campanhas nas edições passadas do Brasileirão.
O modelo de jogo tem viés ofensivo, incentivo ao drible e a jogada individual e principalmente a saída de bola com os goleiros jogando com os pés, zagueiros que já precisam ajudar na criação, um meio-campista mais preso no campo de defesa e liberdade para os demais alternarem entre jogadas centralizadas e pelas pontas.O futebol tende a ser ofensivo, com criações de jogadas, penetrações nas defesas adversárias que se encontram retrancadas e movimentações constantes sem marcar uma posição fixa.
No papel, parece ser um estilo gostoso de se assistir. Mas para que consiga se aplicar um método tão ousado como esse em uma equipe profissional, é necessário mais do que tudo, um simples fator crucial: TEMPO.
O trabalho mais famoso de Diniz foi justamente o seu mais marcante e o mais duradouro. No Osasco Audax, o técnico conseguiu mostrar um novo formato de jogar quando o país inteiro acompanhava a nossa seleção brasileira sofrer a pior derrota de sua história em Copas do Mundo. Jogando pra frente e sem medo do adversário que estava em sua frente, o time de Osasco fez uma excelente campanha no Campeonato Paulista de 2016, eliminando São Paulo e Corinthians da competição e vendendo caro o título paulista para o Santos.
O trabalho chamou a atenção do Brasil e o treinador acabou indo para o Athletico Paranaense que buscava implementar um estilo de jogo mais ousado e se tornar competitivo junto com os times do Sudeste. O trabalho foi interrompido por um péssimo início de Campeonato Brasileiro, mas parte das ideias foi mantida e rendeu frutos. A ponto de jogadores exaltarem e agradecerem a influência de Diniz quando o time se recuperou e ainda foi campeão da Copa Sul-Americana de 2018.
Em 2019, Fernando Diniz teve mais uma chance de colocar suas ideias em prática em um time da Série A e foi contratado pelo Fluminense. No time carioca, Diniz construiu um time muito ofensivo, que marcava muitos gols, mas tinha uma deficiência defensiva. Com números deste Campeonato Brasileiro, é possível notar que o Flu de Diniz finalizava, em média, 14,8 vezes por partida. Sendo que 41,9% dos chutes nos 15 jogos com Diniz eram em direção ao gol. Só que mais uma vez, o treinador sofreu na competição de pontos corridos e acabou sendo demitido do clube carioca.
Tudo isso nos leva a duas questões. Como seria o trabalho de Diniz com jogadores de mais qualidade? E o que levou o São Paulo a contratar Fernando Diniz?
O São Paulo hoje tem muitas deficiências ofensivas, um ataque pragmático e sem criatividade, porém com nomes de respeito. Basicamente, um precisava do outro, e esse match aconteceu entre o treinador e a diretoria. Diniz foi um pedido do elenco que sabe das qualidades e do futebol que podem apresentar. Além de acreditar na psicologia e na conversa com os jogadores, conseguir implementar um futebol corajoso e arrojado com as peças que o tricolor tem é o que a torcida, a diretoria e de qualquer um que ame o São Paulo hoje em dia pede para o time.
O treinamento do ousado treinador é de se observar. Diniz aplica treinos longos, algumas vezes passando de 1h30 de duração, enquanto a vanguarda prega por atividades mais curtas e super-intensas; Em tempos de apego por inovações táticas e estudos profundos de adversários, foge da imagem de estudioso e diz que valoriza muito mais a própria intuição e o que aprendeu enquanto jogador; É ofensivo, de fato, e coloca Pep Guardiola como referência para isso. Mas bebe de fontes completamente opostas, como José Mourinho e Luiz Felipe Scolari.
Argumentos existem para acreditar em Diniz. Ele tem os jogadores, tem os recursos, o time grande... ele só pede um pouco de tempo para que o São Paulo de hoje se transforme no Audax de 2016. O aproveitamento não é positivo nas competições, e isso é um fato, além do mais, a diretoria do São Paulo tem que começar a acreditar em um trabalho que possa durar e implementar um sistema de jogo. Diniz é o quarto treinador do tricolor paulista no ano, e assim não existe clube que resista.
Então porque não darmos uma chance para o Dinizismo?
O Diniz deve continuar em 2020?
LEIA TAMBÉM: Jogadores que podem assinar contrato sem custos
São Paulo, Fernando Diniz, brasileirão, 2020