Daniel Alves abriu o jogo sobre diversos assuntos em entrevista ao programa do Sportv, Grande Círculo. O jogador falou sobre polêmicas, patriotismo, culturas, seleção e como os outros não o compreendem. De início, o atleta falou sobre a volta ao Brasil depois de tantos anos na Europa e tudo que já conseguiu presenciar.
"Foram os três meses mais intensos durante toda a minha carreira, nunca vivi tantas coisas tão intensamente. Isso para o bem e para o mal. Mas quando tomei a decisão de vir para o Brasil, tinha consciência de tudo que representava a minha vinda. Todo o status de estrela que eu tenho".
O atleta do São Paulo foi questionado sobre sua ida para a fora do país muito novo, e depois quando volta, qual foi o tamanho do choque cultural.
"O principal foi que eu não esperava a recepção que tive (da torcida). Mas depois, vi que aqui tudo gera debate, se você é melhor ou pior que aquele, em tudo, etc. Acredito que não deveria existir as comparações, todos tem importância no que fazem, e devem ser respeitadas como tal. (..) Não julgo ninguém, aceito como são, e tento aprender com elas. Então isso me choca um pouco, tudo é debate."
Em seguida, foi perguntado sobre o comportamento dos jogadores dentro e fora de campo, e teve como exemplo a crise política no Chile, onde alguns jogadores da seleção se manifestaram sobre o assunto.
"A gente vive num país, que não somos patriotas. Porque o problema está do seu lado, e você põe 'pray' por Paris (se referindo a quando as pessoas colocam em suas redes manifestações sobre algum evento fora do país), 'pray' por não sei onde, mas o problema está do seu lado. Então não é uma questão do jogador da seleção brasileira. (...) Somos responsáveis por posicionamento pelo nosso país, mas infelizmente não vivemos isso, não somos patriotas, tudo lá de fora é mais importante, ídolos lá de fora são mais importantes. Às vezes sinto vergonha de certos tipos de coisas do meu país".
O tema então foi sobre o carinho com a seleção, quando parece que o público às vezes cria uma antipatia com os jogadores.
"Gostaríamos de jogar mais no Brasil, mas é difícil pegar os voos longos e acostumar com os fusos horários. (...) Mas como a seleção tem parceria com uma empresa, aí nos mandam para China, temos que ir. E nem sempre as seleções de fora querem jogar no Brasil também. E se nós não jogamos aqui, é claro que gera um distanciamento com o público".
Certa vez o jogador falou que se sentia incompreendido por muita gente, e foi perguntado como acha que as pessoas o enxergam.
"Se tenho que falar eu falo. Falo o que penso, seja do presidente ou de um amigo. Não coloco máscaras. Tenho a sensação de que as pessoas não estão preparadas para escutar o que tenho para falar. Na maioria das vezes sinto isso, não sou uma pessoa de meio termo. Gostaria que só me respeitassem como sou, sempre estou de corpo e alma nas coisas".
O veterano também falou sobre qual seria o maior problema do futebol brasileiro, e citou o atual treinador do Flamengo, Jorge Jesus, como exemplo da diferença.
"Aqui não tem estabilidade, como você vai fazer carreira aqui? Em três meses já sou contestado, e sou o jogador que tem mais títulos na história do futebol. Estabilidade é o maior problema aqui. (...) E também jogadores da base não são bem formados. O individual é o melhor do mundo, mas o jogo coletivo não se tem. Veio um treinador estrangeiro (Jorge Jesus, do Flamengo), implementou uma filosofia de jogo coletivo e olha a diferença de jogo, de intensidade que tem para os outros".
Quando o assunto foi a crítica em cima da imprensa, de que "nunca jogaram futebol", ele citou até um apresentador de TV.
"Quando falei que a maioria dos repórteres não jogaram futebol, não é só o campo, tem o lado de fora, bastidores, isso não vão saber. Tem detalhes que só quem joga que sabe. (...) Eu não generalizo nunca, mas tem gente hoje querendo dar exemplo, que não foi exemplo, o Neto (da Band). Como que ele vai querer falar, criou um personagem, gera polêmica, eu conheço ele nos bastidores, não é assim como na TV".
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