Rogério Ceni X Dagoberto:Entre o último título da Libertadores…e a ética.
O Texto é Grande mas vale a pena ler.
- “É hora de decidir quem presta ou não, para o ano que vem… “
Prezado leitor, palavras ao vento podem até servir para um @RedatorBipolar, voando de asa delta.
Mas jamais serão vistas na boca de um monstro sagrado e notório dizimador de recordes e conquistas, como Rogério Ceni.
Ali, cada vírgula vale Taça…
Por isso, me arrisco a enumerar alguns fatores para propor um Teorema: o quão pesado e significativo é o recado dado por esse atleta nesta frase espontânea e inusitada, após seu milésimo jogo pelo São Paulo.
E a quem se destina…
Com metade do campeonato ainda a ser disputada, a declaração do capitão passou quase batida, em meio à exuberante data histórica e à maravilhosa festa, e nem mesmo a midia esportiva – ávida por especulação, deu a devida atenção à sua profundidade.
Repare bem: apenas metade do Brasileirão decorrida, o time na vice-liderança do torneio e uma “convocação à limpeza” com todas as letras. Parece normal a você? Não, é bem tenso.
Pois bem…
Com uma inteligência bem acima da média e do alto da posição de “Mito” à qual foi guindado pela massa tricolor, sabe-se que o Capitão – assim como odeia desperdiçar títulos – não é de jogar palavras fora.
Não há nada dito em vão, aí. Pelo momento e contéudo há um recado tão fulminante quanto as faltas que Rogério bate em direção ao gol. E como dizia um sábio há 2000 anos “quem tiver olhos de ver, que veja…”
Com uma autoridade ímpar conquistada em vinte anos de conquistas – e conhecendo os meandros do clube como poucos – Ceni teve diversas oportunidades de expor problemas de relacionamento interno. E não fez.
No passado o São Paulo já jogou no lixo uma fase de ouro, com uma linha que tinha nada menos do que Julio Baptista – Kaká – Ricardinho – Luis Fabiano (!). Time para Mundial. Ganhou Rio-São Paulo.
Nessa ocasião, parte do elenco – leia-se Gustavo Nery – boicotou Ricardinho por questões salariais e rachou ao meio o grupo – episódio que ficou conhecido como “toca pro trezentinho“, frase dita no treino.
Em fase mais recente, o tricolor do Morumbi enfrentou episódios graves de indisciplina com Adriano, Carlos Alberto (hoje no Bahia) e Fábio Santos, que provavelmente custaram uma Libertadores.
Vencedor, Ceni sofreu calado com tudo isso. Sempre preservou a ética e nunca “queimou” colegas.
O que pode mudar agora, então…?
Somemos a tudo isso o fato de que Rogério é um batalhador nato, lutador renhido, desses que até admite ser derrotado por um adversário superior, mas jamais perder para si mesmo (leia-se, seu próprio time…)
A terceira e mais importante parte da questão é que o capitão Rogério tem consciência que desta vez só lhe resta uma bala na agulha. Um ano, mais. Isso está corroendo o craque… E levou ao desabafo.
É inadmissível para um atleta desse nível – e com sua identificação – ter uma estrutura excelente à sua volta, vivenciar os esforços financeiros do clube ano após ano para montar um elenco de alto nível e cogitar a possibilidade de sua última chance de um título mundial escapar por algum problema interno.
Dos recordes que lhe restaram a quebrar, no mínimo, quer igualar-se a Zetti na conquista de duas Libertadores e dois Mundiais como titular da equipe.
Caminhemos para o final do Teorema… O mais difícil de comprovar. Mas “quem tem olhos de ver…”
Desde o final da Era Muricy (inclusive em seu último ano), o São Paulo fez contratações caras e trouxe diversos treinadores para tentar dar um padrão de jogo, achar uma equipe. E não há meio: o time não joga. Não por falta de talentos.
Por absoluta “falta de liga” e incapacidade de formação de uma nova grande equipe do tricolor, alguns atletas preferiram deixar para trás a excelente estrutura e sair para brilhar fora.
Repare, por exemplo, na integração em tempo recorde de atletas como Arouca – e mais recentemente Borges – no time do Santos e na evolução e alegria de seu futebol. A mudança de ambos é emblemática.
Há quase três anos o São Paulo não encontra um padrão de jogo e – principalmente – a falta de disposição para a luta em campo fica evidente se comparada com outros times.
Essa é a reclamação recorrrente da torcida, ao ver elencos razoáveis de rivais se empenharem em campo de maneira notoriamente superior – e superando o São Paulo clássico após clássico.
O time do São Paulo há tempos mantem-se próximo dos líderes sobrevivendo do talento individual. Sem jogo de conjunto. Sem empenho. Sem o “algo mais”. Sem títulos.
Esse é um sintoma evidente de que há uma cisão no CT da Barra Funda. “Há algo de podre no Reino da Dinamarca”, como diria Hamlet… Não um racha evidente. Em verdade, velado. Mas há.
Perdoe, leitor, estamos chegando ao fim da cirurgia, digo, do artigo: cheguemos ao problema central.
Sinais exteriores às vezes ajudam… Detalhes, se bem analisados. Vou expor aqui.
No jogo América Mineiro X São Paulo o treinador sacou Dagoberto para a entrada de Fernandinho.
O tricolor passava (como de hábito…) péssimos bocados em campo, jogadores “se matando” num zero a zero , quando a câmera deu um “take” no banco de reservas. Que não passou despercebido a este Bipolar:
Às gargalhadas, lá estava Dagoberto…
Virado quase de costas para o campo, contava uma história com rico gestual, divertia e desviava totalmente a atenção do recém-chegado meia argentino Cañete, sentado a seu lado e “deslumbrado” com a conversa do calejado jogador. Riam muito. De forma desproporcional ao quadro geral em volta.
O jogo comendo forte e o novato estava ali, absorto e abduzido numa conversa animada, como se jogo não houvesse. Sem ironia: tentando se integrar, talvez. Mas – talvez sem saber – integrava-se a “uma parte”. Meu feeling, de observador calejado: Dagoberto jogava para as câmeras. Gostava do flagrante.
Deixado inúmeras vezes no banco na era do rigoroso Muricy, o vaidoso Dagoberto viu sua importância no elenco disparar, com a saída dos craques, um a um. Conquistou um fã clube dentre o público feminino.
Num elenco formado por garotos inexperientes, consegue a proeza de dividir ao meio até mesmo a torcida , pois se de um lado não se esforça para marcar o adversário e participar, de outro acaba fazendo gols decisivos. Nos blogs (como num elenco…) torcedores se esgoelam, divididos entre fãs e detratores.
Das estrelas, só sobraram ele e… Rogério. Mas não parece o tipo de jogador disposto a ser coadjuvante.
Domingo contra o Grêmio, sacado, fez questão de passar longe de Rivaldo que entrava em seu lugar. Repito: não deu a mão para Rivaldo, pentacampeão mundial e melhor jogador do mundo.
Com sua postura em campo (habilidoso e decisivo, mas jogando onde, como e quando quer) Dagoberto já protagonizou episódios ridículos, como ser chamado aos gritos de “bobalhão” por Carpeggiani na frente de todos.
E agora no milésimo jogo de Ceni, faz um gol e comemora (não com o Capitão homenageado por todos), mas dependurando-se de forma isolada e estranhíssima no técnico Adilson Batista.
São sinais para todos. O interesse e o destaque da midia para Rogério incomodam demais a Dagoberto, que “nasceu para brilhar”… E agora se vê até mesmo preterido na seleção de Mano por… Cícero.
O atacante terá seu passe livre dentro de mais um mês. Pode renovar, ou assinar pré-contrato com outra equipe – o mais provável – “permanecendo” em campo na fase decisiva do campeonato. O que pode representar uma eternidade, e com final previsível…
Eis o drama ético do Capitão Rogério: assistir impassível um jogador importante pelo nome, com sua postura, montar uma “igrejinha” de jovens deslumbrados (como Casemiro,p. ex) dividir o elenco e colocar tudo a perder novamente, exatamente na reta final e momento fundamental da disputa
Ou por outro lado, com sua importância histórica ímpar, Ceni ter em mãos hoje (por méritos e conquistas) até mesmo o poder de interferir internamente e exigir de uma Diretoria – da qual pode vir a fazer parte, bem breve – uma medida drástica para enquadrar o jogador. Fato.
Provavelmente, mesmo que o São Paulo se afaste na tabela, Rogério não vai querer macular a carreira e privilegiará mais uma vez a ética, não usando trunfos e prerrogativas que só ele tem num clube.
Mas o recado inicial de Rogério, mesmo que velado, tem destino e é forte: pede colaboração para motivar um grupo de jovens de vinte anos na luta pela conquista do Brasileiro, a Libertadores e o Mundial.
Rogério está pedindo ao companheiro que lute pelo grupo desta vez. Ou que saia logo de uma vez.
Por: http://redatorbipolar.com.br/
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