Análise tática do SPFC vs River (Texto grande mas bem interessante).
As derrotas para The Strongest, Corinthians e São Bernardo colocaram o trabalho de Edgardo Bauza sob olhares desconfiados, mesmo que com apenas três meses e diversos problemas. Porque Bauza pegou um São Paulo de quatro técnico e quatro ideias diferentes em 2015, além dos problemas extra campo, e vai tentando ajustar o time a sua maneira de ver, aos poucos. Em campo, há quem cobre fibra dos atletas e até mais participação nas ações de jogo. No popular, para muitos, falta raça ao São Paulo.
E o duelo contra o River Plate seria um imenso divisor de águas. Perder significaria a proximidade com a eliminação no torneio continental. Vencer, além do respiro, daria mais credibilidade ao contestado Bauza. Que manteve modelo e estrutura, com Carlinhos na ponta esquerda e Maicon ao lado de Lugano na zaga. Como bem dito pelo técnico antes do jogo, o tricolor precisava resistir aos primeiros minutos do River Plate. Que foram de pressão.
Os milionários tinham pontas bem incisivos, acelerando a transição pelos lados, com atacantes ocupando espaço na área e brigando por cada bola. Dênis salvou uma cabeçada, o travessão a outra. Até o São Paulo entender que precisava preencher os lados sem a bola. Carlinhos e Centurion voltavam se alinhando a Hudson e Thiago Mendes, compactando o meio e se projetando no transição. De um ponta para o outro, quase um lindo gol de voleio de Carlinhos. Mas não foi na transição, no contra-ataque, que São Paulo abriu o placar. Foi na bola parada, ou melhor, no rebote. Chutaço de Ganso, que cada vez parece mais ligado.

São Paulo na transição defensiva
O River de Gallardo sentiu o golpe e a falta de espaço num bom jogo coletivo do tricolor, que ainda tinha a fibra e a inteligência que faltavam em outros embates. Até a infelicidade de Dênis, que socou o escanteio nas costas de Thiago Mendes e deu aos milionários o empate. Mesmo assim, o São Paulo não baqueou e seguiu lutando por cada bola, fechando os espaços dos lados, onde o River tinha suas melhores armas, Fernandez e Driusi. Por dentro, Ponzio e Domingo eram homens de contenção e primeiro passe, mas não carregadores. Bom para o time de Bauza que cedeu espaços por dentro com Hudson e Thiago Mendes, ainda mal posicionados em vários momentos.
O polêmico lance em Calleri fechou um primeiro tempo bem disputado. Com bons momentos do São Paulo e bons momentos do River. Mas ninguém que dominasse o jogo de forma absoluta. Os argentinos tiveram a bola por mais tempo (55%) e finalizaram mais vezes (6 a 4), porém perderam nos desarmes (14 a 11).

River no 442
Sem poder de infiltrar e criar ocasiões pelos lados – bem marcados – Gallardo desfez as duas linhas de quarto com a entrada de D’Ale. O “enganche” do famoso losango argentino, por trás de Mora e Alario. Bauza sacou Centurion lesionado, que taticamente havia ido bem, e colocou Michel. Pouco mudou no panorama ofensivo. Ganso seguia conduzindo e armando o São Paulo sozinho. Defensivamente, surgiram alguns espaços pelos lados, mas o River já centralizava mais seu jogo.

Com D’Ale o River formou um losango, tentando jogar por dentro.
Gallardo trocou um dos atacantes, Alonso por Alario, e Bauza respondeu com Caramelo no lugar de Carlinhos. Pontas no mesmo lado de seus pés bons (Caramelo na direita e Michel na esquerda) – o que indica jogo de profundidade. Rapidez na recomposição. Em uma das poucas transições de Thiago Mendes, Ganso serviu com maestria e o volante não concluiu. Do outro lado, o enganche D’Alessandro se moveu bem, cruzou alguns bolas, mas nao conseguiu ser fatal ou preciso.
O São Paulo levou um ponto do Monumental. Seria ótimo, não fosse a derrota na primeira rodada em casa. Mas também não passou perto de ser ruim. O time de Bauza mostrou a tão esperada fibra, a garra necessária em alguns jogos e que parecia tão em falta. O grande desafio neste time, é manter a consistência. Tanto coletiva, quanto individual.
Dados estatísticos: Footstats.net
Fonte: spfctatico.wordpress.com/2016/03/11/garra-e-fibra-alem-de-organizacao-dao-um-ponto-ao-sao-paulo-na-argentina/
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