esse texto do caique toledo é perfeito. ..é o que se passa realmente!

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Terrordostravecos

Hoje, 13 de outubro de 2015, precisa ser marcado como uma data simbólica dentro do São Paulo Futebol Clube. Depois de inúmeras polêmicas, uma pressão inédita do clube causou a renúncia de Carlos Miguel Aidar da presidência tricolor. A saída de Aidar é um marco porque, torcemos, inicia um verdadeiro trabalho de recuperação no São Paulo. Depois de anos e anos vendo polêmicas surgindo para lá e para cá, a atual situação é a primeira prova de que alguma coisa de bom pode acontecer dentro dos bastidores do clube. O ex-presidente, acusado de desviar dinheiro, de pagar comissão para a namorada, de negociar fora do permitido pela Fifa, deixa o cargo após 18 meses de pura ladainha e muitos problemas.


Apoiado por Juvenal Juvêncio na última eleição (sempre bom lembrar disso), Aidar voltou ao São Paulo como nome para recolocar o clube nos eixos. Depois do controverso terceiro mandato, todos nós achamos que nada pior podia acontecer, certo? É, então. Nunca duvide da incrível falta de capacidade da corja de dinossauros que gerem o clube. Do nosso hoje ex-presidente, ouvimos que Itaquera era ''outro mundo'', que Kaká tinha ''todos os dentes'' e por isso combinava com o SPFC, que os italianos não comprariam Ganso nem com o dinheiro da máfia, que clube rival estava se apequenando, que o Morumbi estava ultrapassado, que treinador não podia reclamar depois de ter recebido reforços. Vimos outro técnico ser enganado e queimado, salários atrasarem e a dívida aumentar, tudo ao ponto de que Aidar fosse deixado sozinho na diretoria. Fez um pedido para que todos os diretores se afastassem, tendo os corredores do Morumbi só para si.


Depois de tanto, era impossível que permanecesse no comando. Da moção de desconfiança ao fim do apoio de vários aliados, Aidar deixa o São Paulo como um dos piores (exagerei no plural?) presidentes que já passaram pelo clube. Pior, deixa uma marca que ainda vai ser lembrada (e que precisa ser paga) pelos próximos bons anos. Foi tarde, e isso é um consenso até de sua família. Carlos Miguel era a representatividade de tudo de ruim que existe no tricolor, e sua saída precisa representar uma postura sólida no restante das investigações.


Gazeta Press
Gazeta Press E era o Palmeiras que estava se apequenando, né?
Vamos em frente. Quem assume é Leco, atual presidente do Conselho Deliberativo, e que desde que nasci faz parte de dentro do São Paulo. É inocência demais achar que a mudança do clube passa por alguém que esteve por lá esse tempo todo. Leco, por exemplo, chegou ao tricolor trazido por Aidar. É amigo de Juvenal. Era um dos postulantes da situação para assumir o clube no ano passado. Aliás, lembram daquela dívida cobrada na Justiça por uma comissão na negociação do Jorginho Paulista? Ele quem autorizou. Leco deve convocar eleições em até 30 dias e deve ser candidato à presidência. Se eleito e com uma reeleição, podem ser mais de sete anos no poder. Não pode ser um qualquer.


Hoje, eu não sei a quem pedir socorro. Virei cético quanto à honestidade de qualquer um dentro do São Paulo. Leco, Ataíde, Casares, Douglas, todos são como Aidar. Todos são como Juvenal. Se quer o bem do clube, como sempre pareceu querer Ataíde, não tem capacidade para cuidar do trabalho que lhe foi dado. Se é profissional competente, como parece ser Casares, trabalha mais numa guerra de erros do que em prol do tricolor. Quem esteve esse tempo todo ao lado do presidente e só pediu afastamento agora que as bombas estouraram também não pode sair ileso. São nomes que, pelo bem do nosso clube, não podem mais ter cargo em gerência.


Que Leco cale minha boca e, antes de qualquer coisa, continue a investigação sobre tudo que vem acontecendo no São Paulo. Precisamos de uma auditoria urgente e, se responsáveis forem encontrados, punição severa. Da venda de Douglas ao empréstimo de Kaká, de Maidana a Under Armour, de Juvenal a Aidar. Tudo precisa ser analisado. Inclusive nosso patético estatuto, que não deixa sócio votar e coloca todas as decisões importantes na mão de uma lista praticamente escolhida a dedo.


Enquanto sonhamos com um futuro melhor, um lembrete: o acordo para Aidar deixar o São Paulo é que ele saia sem ser investigado e sem ser punido para devolver dinheiro ao clube, caso as denúncias fossem provadas. Isso só me deixa com mais nojo ainda de toda a podridão que existe no Morumbi. Digo com pesar, mas cada vez que conheço mais histórias dos bastidores, menos gosto do futebol. Torço para que isso não continue.


Aos termos. É claro que a renúncia de Aidar precisa ser comemorada, mas é mais como aquele título de primeiro turno do Brasileirão: simbólica. A saída ajuda, mas não é o suficiente para resolver todos os nossos problemas. A corja é grande, o histórico não ajuda e há muito o que fazer para salvar-nos da pior crise política de nossa história. Teremos uma certa ilha de paz, mas não podemos parar por aí. Conselheiros, temos aqui uma chance histórica de limpar grande parte da sujeira que existe no maior clube do Brasil. Finalmente, é a hora de salvar o São Paulo.


@CaiqueToledo

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