O São Paulo faz 1 a 0 e o torcedor começa a sofrer. Em vez da tranquilidade de quem espera o segundo gol, surge uma sensação que se tornou frequente: “será que vamos conseguir segurar?” Contra o Coritiba, o roteiro se repetiu. Pablo Maia abriu o placar, o Tricolor não matou a partida e Tiago Cóser empatou no segundo tempo.
Por trás dessa angústia existe um problema que Dorival Júnior precisa solucionar: os principais goleadores do São Paulo deixaram de decidir. Calleri e Luciano marcaram 11 gols cada no primeiro semestre, mas atravessam agora um período de baixa produção. A pergunta da Análise da IA é: eles estão simplesmente em má fase ou o próprio funcionamento do time está dificultando seus gols?
Calleri e Luciano sabem fazer gols — os números provam
Antes de decretar que os dois vivem um problema individual, é importante lembrar o que aconteceu poucos meses atrás.
Calleri e Luciano terminaram o primeiro semestre empatados na artilharia do São Paulo, com 11 gols cada. Portanto, estamos falando de dois jogadores que já demonstraram nesta própria temporada capacidade para decidir partidas.
Calleri chegou a atravessar um jejum de 12 jogos até voltar a marcar contra o Flamengo, no Maracanã, em 26 de julho. Desde aquele empate por 1 a 1, porém, o camisa 9 ainda não conseguiu iniciar uma nova sequência de gols.
Luciano também perdeu a frequência que apresentou durante boa parte do primeiro semestre e não tem conseguido aparecer na área com a mesma eficiência.
Por que eles pararam de marcar?
Na avaliação da IA, colocar toda a responsabilidade nos atacantes seria um erro.
Calleri frequentemente precisa abandonar a área para participar das jogadas. Luciano recua para buscar a bola e ajudar na construção. Surge então um paradoxo: os dois jogadores que deveriam receber a última bola acabam ajudando a construir a jogada que deveria terminar neles.
Contra o Coritiba isso apareceu novamente. O São Paulo teve volume ofensivo e chegou ao campo adversário, mas o gol precisou sair em uma finalização de Pablo Maia de fora da área.
Ter a bola não significa criar perigo. O São Paulo precisa acelerar a circulação, procurar mais passes verticais e colocar seus atacantes em condições de finalizar dentro da área.
Como fazer Calleri voltar a marcar?
A primeira mudança parece simples: Calleri precisa jogar mais perto do gol.
O melhor Calleri não é aquele que recebe a bola longe da área para iniciar a construção. É o atacante que disputa com os zagueiros, ataca o primeiro pau, procura a segunda bola e transforma cruzamentos em finalizações.
Dorival precisa criar mecanismos para levar a bola até ele — e não obrigá-lo a sair constantemente da área para procurá-la.
E Luciano?
Luciano possui características diferentes. Ele gosta de participar da construção e aparecer entre as linhas. Isso é importante, mas existe um limite.
Quanto mais longe Luciano fica da área, menos o São Paulo aproveita uma de suas melhores características: a finalização.
A solução seria aproximá-lo novamente de Calleri, permitindo que participe da criação sem transformá-lo em um meia responsável por buscar a bola perto dos volantes.
Ryan Francisco pode mudar a dinâmica
E é aqui que Dorival tem uma alternativa interessante.
Ryan Francisco voltou a pedir passagem. O atacante marcou duas vezes na vitória por 4 a 0 sobre o Ituano em jogo-treino recente e já recebeu minutos contra o Coritiba.
Ryan oferece algo importante para um ataque que parece previsível: juventude, movimentação e principalmente instinto para atacar o gol.
Isso não significa necessariamente substituir Calleri. Dorival poderia testar Ryan ao lado do argentino em determinados momentos, principalmente quando o São Paulo precisa buscar um gol.
Imagine Calleri prendendo os zagueiros e Ryan atacando os espaços deixados por eles. É uma alternativa diferente daquela em que o camisa 9 permanece isolado entre dois defensores.
E tem Gustavo Santana
Outra alternativa está pedindo oportunidade.
Gustavo Santana foi o artilheiro do São Paulo durante a intertemporada, com três gols em seis jogos-treino. Contra o Coritiba, esteve novamente relacionado, embora não tenha entrado.
Gustavo pode atuar como segundo atacante e oferece presença de área. Assim como Ryan, não precisa ser tratado como substituto definitivo de ninguém.
Os dois jovens podem ser utilizados justamente para aumentar a concorrência e mudar partidas que ficam amarradas.
A solução da IA: não escolher dois, mas encontrar combinações
Para a Análise da IA, talvez a pergunta errada seja: “quem deve sair para Ryan ou Gustavo entrar?”
A pergunta melhor é: como Dorival pode combinar essas características?
Calleri pode continuar sendo a referência dentro da área. Luciano pode jogar próximo dele, chegando de trás. Ryan pode oferecer profundidade e atacar espaços. Gustavo pode funcionar como segundo atacante e aumentar a presença ofensiva.
Dorival não precisa utilizar os quatro simultaneamente. Mas precisa ter coragem para mudar a dinâmica durante os jogos.
Se o São Paulo estiver vencendo por 1 a 0 e perceber que o adversário começa a crescer, talvez a resposta não seja simplesmente recuar.
Talvez seja colocar mais velocidade e procurar o segundo gol.
O maior problema é justamente o 1 a 0
Hoje, a vantagem mínima não tranquiliza o são-paulino.
O empate contra o Coritiba mostrou novamente por quê. O São Paulo abriu o placar, não conseguiu ampliar e sofreu o empate depois do intervalo. Dorival reconheceu que os problemas no retorno para o segundo tempo vêm se repetindo.
Quando um time tem dificuldade para fazer o segundo gol, passa a depender de uma atuação defensiva praticamente perfeita para vencer.
E o São Paulo não está conseguindo fazer isso.
Mensagem da IA ao torcedor
Calleri e Luciano não desaprenderam a fazer gols. Os 22 gols somados pelos dois no primeiro semestre mostram isso. Mas Dorival precisa voltar a colocá-los onde são realmente perigosos.
Ao mesmo tempo, futebol é momento. Ryan Francisco e Gustavo Santana estão mostrando que merecem oportunidades.
Talvez a solução não seja abandonar os goleadores experientes para apostar nos garotos. Pode ser justamente unir experiência e juventude para construir um São Paulo mais agressivo — um time que, depois de fazer 1 a 0, procure desesperadamente o segundo em vez de esperar pelo empate.
A IA pergunta
Torcedor, qual ataque você gostaria de ver Dorival testar: Calleri e Ryan? Luciano e Ryan? Calleri e Gustavo? Ou manteria Calleri e Luciano juntos?
A Análise da IA SPFC.NET utiliza números, desempenho recente e contexto do São Paulo para apresentar uma leitura independente sobre os principais assuntos do clube. A proposta não é substituir a opinião do torcedor, mas acrescentar novos elementos ao debate.
Dorival precisa mudar