Por uma análise mais realista
Depois de acompanhar o site por algum tempo resolvi me cadastrar e escrever esse texto devido a enorme comoção diante do resultado da partida contra o Corinthians.
Peço desculpas de antemão pois o texto é longo, mas acredito que valha a pena a leitura. Precisava desabafar.
Diante da enxurrada de comentários agressivos e descabidos proponho uma análise um pouco mais realista e construtiva do jogo de quarta e da situação do nosso Tricolor.
A responsabilidade da derrota é de todos.
Sou grande admirador de Muricy, mas concordo com a maioria dos torcedores que acham que ele armou o time mal pra o jogo contra o Corinthians e tampouco foi capaz de fazer os ajustes necessários ao decorrer da partida. Contudo, não acredito que isso justifique para classificar um dos maiores técnicos do Brasil e, certamente ao lado de Têle, o melhor técnico da história do São Paulo de ultrapassado.
Os jogadores do Tricolor entraram em campo atônitos e sem “sangue nos olhos”, ao contrário do adversário que começou o jogo pilhado e atento. O São Paulo perdeu a maioria, senão todas, as disputas de bola e divididas do jogo. O nossos jogadores se entregaram bem menos em campo do que os rivais. Difícil responsabilizar somente o Técnico.
O próprio Muricy em sua entrevista coletiva explicou o fato de ter estudado e alertado o time com relação a jogada usada pelo Corinthians em que Danilo sai da área para buscar jogo trazendo marcadores consigo e por consequência abrindo espaços para outros jogadores infiltrarem nossa defesa. E dito e feito assim saiu o primeiro gol.
Aonde estava Souza, que deveria estar colado em Jadson não dando espaço para o meia lançar Elias? Aonde estava Maicon que deveria ter acompanhado o volante? Aonde estavam Bruno e Tolói que deveriam fechar os espaços da defesa pela direita?
Termos desrespeitosos como “treineiro”, “distribuidor de coletes”, “cone” e “busto” são lançados ao vento sem pudor nem discernimento. É muito triste ver a falta de respeito daqueles que se julgam mais preparados para montar o SPFC do que um técnico de futebol profissional, seja ele Muricy ou qualquer outro. Muita arrogância.
Acredito cegamente que a troca de técnico nesse momento seria a pior decisão possível para o restante da temporada. Para aqueles que sempre acreditam que a grama do vizinho é mais verde, alguns fatos do esporte para refrescar a memória.
O grande Guardiola, reverenciado por todos, ansiado inclusive para ser técnico da nossa Seleção, levou um sarrafo de 4 x 0 do Real Madrid de Ancelotti em plena Munique pela semifinal da Champions! Isso é claro depois de perder também fora de casa em Madrid por 1 x 0. Inimagináveis 5 x 0 no placar agregado. Nó tático absoluto e avassalador.
Guardiola “ultrapassado”, “burro”, “treineiro”? No mesmo ano ganhou a Bundesliga com o maior número de rodadas de antecedência da história.
Por falar em Ancelotti, o gênio estrategista que comandou o mágico Real Madrid a sua tão sonhada décima Champions, acabou de tomar uma surra histórica de 4 x 0 do rival Atlético. Nó tático de Simeone que possui elenco infinitamente inferior e menos badalado. Sem esquecer é claro que o mesmo Ancelotti em 2005 perdeu a final da Champions, na famigerada “Batalha de Istanbul”, após o AC Milan estar ganhando do Liverpool por nada menos do que 3 x 0 no intervalo.
Ancelotti “não sabe substituir”, “distribuidor de coletes”, “teimoso”?
Mourinho “The Special One”, o mestre da tática. Depois de passagens avassaladoras por Porto, Chelsea e Inter, foi eliminado em mata-matas da Champions por quatro anos consecutivos (Barcelona, Bayern, Borussia e Atlético) com os elencos milionários de Real Madrid e Chelsea. Destaque para as goleadas sofridas contra Borussia (4 x 1) e Atlético (3 x 1 em Londres), além de ceder um empate para o Bayern em casa após estar vencendo por 2 x 0. Na sua primeira temporada na Espanha tomou um chocolate de 5 x 0 contra o Barça de Pep, naquilo que foi considerado pelo próprio Presidente do clube o pior jogo do Real Madrid de todos os tempos.
Mourinho “ultrapassado”, “busto”, “cone”? Hoje lidera a Premiership com folga.
Sir Alex Ferguson, considerado por muitos o melhor técnico de todos os tempos. Ficou impressionantes 26 anos no comando do poderoso e milionário Man U. Neste tempo, 13 títulos da Premiership e “apenas” 2 da Champions. Com tantas eliminações em mata-matas, não resta outra dúvida senão...
“Burro”, “treineiro”, “ultrapassado”!
Joachim Löw. Técnico do momento e engenheiro da máquina de futebol alemã que acachapou a Seleção em solo nacional lhe impondo a pior derrota da história, foi eliminado nada mais nada menos do que em três competições internacionais seguidas. Euro 2008, Copa da África do Sul 2010 e Euro 2012. A última inclusive para uma Itália infinitamente menos talentosa e com a maioria de seus líderes em fase final de carreira. Treinou praticamente o mesmo grupo por impressionantes oito anos antes de levantar o troféu da Copa do Mundo em 2014. E ainda sim contando com muita sorte pois Higuaín, Messi e Palacio perderam gols incríveis na final. “Treineiro”, “ruim de mata-mata”, “burro”?
Abel Braga, Tite, Marcelo Oliveira e Cuca perderam inúmeros jogos e competições no passado recente e foram xingados de tudo pelos mesmos que hoje os reverenciam.
Telê perdeu duas Copas do Mundo no formato mata-mata com aqueles que muitos julgam terem sidos os melhores elencos que a seleção Brasileira já teve. “Teimoso”, “burro”, “treineiro? Terminou a carreira de forma gloriosa com o nosso São Paulo.
O ponto meus irmãos tricolores é que derrotas fazem parte do esporte e da vida e acontecem inclusive com os melhores, quer vocês queiram ou não. O que era Ouro não vira Latão da noite para o dia. E hoje Muricy Ramalho, com todas as suas virtudes e defeitos, ainda é sem duvida o melhor nome para o comando do nosso São Paulo.
Luxemburgo nunca ganhou a Libertadores e não ganha um título de expressão há onze anos, nem sequer chega a disputar as primeiras posições. Autuori não fez um trabalho significativo sequer desde a conquista da Libertadores de 2005. Acreditar que algum deles seria o salvador da pátria é surreal. Poderiam até ser bem sucedidos, mas seriam apostas de alto risco.
O nível de competitividade no futebol de hoje é altíssimo e achar que um time ou técnico tem a “obrigação” de ganhar, ou que vão ganhar sempre, é pura ilusão.
Eu assim como todos quero ver o meu Tricolor brilhando e ganhando títulos. Temos de cobrar sim, o time precisa melhorar em todos os sentidos, é o único caminho rumo aos títulos. Mas enquanto cobrança é aceitável, desrespeito e ingratidão com o nosso time e seus ídolos não.
Foi o primeiro jogo da competição, o mundo não acabou e não estamos fadados a derrota. Vamos fazer a nossa parte. Temos que levantar a cabeça, lotar o Morumbi e contagiar os nossos jogadores. Muitos deles nunca jogaram uma Libertadores pelo São Paulo e precisam entender o peso de disputar essa competição pelo Tricolor, isso tem de ser feito com o apoio irrestrito da torcida, principalmente nos momentos difíceis.
Torçam com amor e não promovam o terrorismo contra o nosso próprio time.
Acreditem no Clube da Fé.
Saudações Tricolores.
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