Muricy não tem como resolver os problemas do time enquanto houver jogadores omissos. Blog do Birner

Muricy não tem como resolver os problemas do time enquanto houver jogadores omissos. Blog do Birner

TRICOLOR-DO-PARANA

Aidar e Muricy

Carlos Miguel Aidar, pouco depois de assumir a presidência do São Paulo, teve um bate-boca com Muricy no vestiário.

Não por isso, e nem por questões de competência do comandante, cogitou trocar o técnico.

O funcionário reprovou os nomes dos jogadores que o primeiro mandatário do clube pretendia contratar para o elenco.

E Aidar queria e quer tirar do caminho as pessoas mais próximas de Juvenal Juvêncio.

Me contaram, na época, que pensou em Tite.

Foi o mais citado por ele nos bate-papos com os conselheiros.

De acordo com informação do jornalista Osvaldo Pascoal, mandou um interlocutor sondar a possibilidade de o treinador assumir o cargo no fim do ano.

Tite, ciente que retornaria ao Parque São Jorge, cortou o assunto na raiz.

Sampaoli, quase inviável por questões econômicas e até do crescimento da própria carreira, foi citados pelo gestor.

Mas o time jogou melhor no returno do brasileirão, ficou com a vaga na Libertadores e nada foi mexido.

Ataíde Gil Guerreiro, consultado, preferiu dar sequência ao trabalho em vez de começar outro.

Aidar tem respeitado as decisões do vice-presidente de futebol.

Não chegou na Barra Funda

A pesada crise política do clube não entrou no CT da Barra Funda por causa do Ataíde.

O local tem outros problemas, aqueles antigos citados aqui no blog, que tornam o ambiente menos competitivo que o necessário, e que aumentam ou diminuem de acordo com o momento.

A chegada de Kaká, por exemplo, os minimizou.

E antes, a do próprio Muricy Ramalho.

O treinador tem o respeito dos funcionários mais antigos e influentes do CT da Barra Funda, conhece a política interna do local, sabe como reagir diante dos entraves criados lá e como administrá-los ou evitá-los

Por isso conseguiu impedir o rebaixamento do time no campeonato brasileiro.

Os treinadores antes dele, como Autuori e Ney Franco, foram engolidos pelo ambiente.

Não foi o trabalho tático superior ao dos concorrentes que fez de Muricy um vencedor.

Ele conhece o assunto, não é um ‘burro com sorte’ como Levir Culpi ironicamente se auto-intitulou ao contar no livro com este nome a própria história, e tem convicções sobre a forma de jogar.

Demorei para entender isso, pois discordo de muitas delas.

Eu e o Muricy Ramalho

Minhas críticas ao técnico, em especial no período do tricampeonato brasileiro, renderam 3 a 4 anos de recusa do boleiro em dar entrevistas para qualquer programa (direito dele, não tem obrigação, e eu respeito) do qual participei.

Há algum tempo passei a entender as virtudes de Muricy Ramalho..

De alguma forma sabe se impor, e os jogadores, apesar de demorarem um pouco, ‘compram’ o trabalho dele.

Basta reparar no desempenho do São Paulo no segundo semestre de todos as temporadas com sob a direção do técnico.

Melhor que antes

Leio nas redes sociais a avalanche de críticas a respeito do atual Muricy Ramalho.

Parece ter sido o novo eleito de parte da torcida como responsável pela derrota diante do Corinthians.

Uns dizem que a saúde o atrapalha, outros citam falam que ficou obsoleto, e há quem simplesmente reclame dele.

Discordo de todos.

Muricy, hoje, é um técnico melhor que no passado.

Tenta formar o time com mais variações táticas.

A natural preocupações com a sobrevivência não é o cerne de tudo.

A fraca atuação diante do Corinthians, no jogo que entrou para a história, não foi nenhuma novidade.

O amigo (a) leitor (a) não lembra de como o São Paulo, com time superior ao do Grêmio de Mano Menezes e Tuta, foi eliminado da Libertadores em 2007?

Ou da desclassificação diante do Cruzeiro, no Morumbi, quando, como na derrota de ontem, não chutou uma vez sequer em gol?

Ganhou o Brasileirão após fracassar contra os gremistas e não teve a chance após perder dos cruzeirenses, pois foi demitido por Juvenal Juvêncio, que o segurou depois de três perdas de Libertadores sob fortes protestos dos torcedores.

Aceitaram a superioridade

Tal qual expliquei no post do Majestoso de ontem, discordei do esquema tático e escolha dos titulares feitas por Muricy Ramalho.

Mas não coloco apenas na conta do técnico a fraca apresentação.

Ganso, por exemplo, jogou como muita gente defende (não faço parte deles), na meia, entre os volantes e atacantes, com enorme liberdade para se movimentar e criar.

E não fez nada.

Foi omisso, apático, como se disputasse apenas mais um jogo e não o primeiro clássico na Libertadores diante do maior rival do São Paulo.

Luis Fabiano, estabanado, perdido, irritado, não contribuiu.

Tinham que voltar e ajudar o meio de campo logo depois de verem que o time perdera a disputa no setor.

Tanto faz quais são suas posições de origem e maiores virtudes.

É preciso recuperar a bola para fazer algo com ela e, o meia, tem que se mexer para achar espaços onde pode fazer o grande talento se transformar em algo útil para o time.

Palavra de Cassio

Os jogadores mais experientes, quando notam que algo não funciona em campo, têm obrigação de falar com o técnico para o treinador alterar a proposta.

Dependendo do momento, precisam, por dificuldade de comunicação com o técnico, tomar decisões, entre eles, durante os 90 minutos.

Não podem simplesmente ficar olhando enquanto esperam os ventos soprarem a seu favor.

Participei, ontem, do Fox Sports Radio e o goleiro Cassio foi entrevistado.

Ele confirmou que os jogadores corintianos, quando notam que algo não caminha a contento durante o jogo, conversam com o técnico, ele os escuta e faz os ajustes.

No São Paulo, a impressão é que os ‘com moral’ jogam para si mesmos.

Dividir a responsabilidade

O Ganso quer a bola para criar. O Luis Fabiano para finalizar.

Parecem crer que nada além disso lhes compete. Que vão lá para fazer o deles e não para fazer o time campeão.

O futebol de hoje exige mais do jogador.

Passou a hora de dividirem as responsabilidades nos sucessos e nos fracassos.

É essa coesão coletiva que permitirá ao time superar momentos difíceis.

Rogério Ceni, por jogar no gol, não tem como liderá-los em diversos momentos.

Nos tempos em que o São Paulo conquistava título, teve parceiros para tal como Lugano, Junior, Danilo …

Não irei, como muitos querem, colocar Muricy na cruz.

Os acertos táticos e de formação certamente tornam o time muito mais forte, ele falhou em ambos no clássico, mas para ser cascudo e campeão o São Paulo precisa mais que posicionamento preciso e técnica.

O futebol, além dos duelos tático, técnico e físico, tem o psicológico, o mental, e, em regra, quando um time perde o embate emocional fica mais fraco nos demais.

Se é derrotado, por exemplo, no tático, muitas vezes consegue o resultado interessante porque o desejo de vencer transformado em concentração e intensidade na disputa de cada lance ajudam a tapar as lacunas.

Principalmente nos confrontos equilibrados em técnica individual e preparação física.

A direção precisa cobrar dos jogadores mais capazes o auxílio que o técnico, seja Muricy, João ou José, precisa para formar um time campeão.

E exigir do treinador, após ter o apoio funcional dos deles, o padrão correto de jogo.

E mais

O São Paulo deve arrumar o jeito de acabar com essa história de o sujeito jogar ou ter privilégios para recuperar a posição porque possui mais nome.

Esses foram reconhecidos, na maioria das vezes, na hora de acertaram o salário.

Quando alguém recebe tratamento especial, como os companheiros correndo por ele, passa a ter obrigação maior de resolver os jogos, pois o esforço alheio inútil e contínuo faz o profissional que se incomoda com derrotas se sentir um imbecil.

Nem é preciso de muita perspicácia para imaginar o impacto disso no elenco.

Previsível

Tudo que citei poder alterado com atitudes diferentes dos jogadores. A parte de Muricy é pagar o preço de colocar em campo um time menos técnico, a direção apoiar, para o coletivo ser solidário e forte.

Reproduzo aqui a minha coluna do Lance!

Foi publicada 5 dias antes do clássico.

Não houve nada atípico no jogo.

O São Paulo vai ‘estrear’ contra o Corinthians?

Não há como afirmar quem vencerá o Majestoso, primeiro após 55 edições de Libertadores, da próxima quarta-feira. Na parte técnica, a da qualidade individual, os times se equivalem.

O futebol não é apenas um duelo de habilidades motoras de trato da bola. Questões táticas, físicas e psicológicas pesam em grandes confrontos.

Se o Corinthians repetir a regularidade e a pegada mostrada diante de Once Caldas e Palmeiras, quando teve um pouco de dificuldade apenas na marcação de cruzamentos e pelos lados do campo, algo normal no atual estágio de preparação, e o São Paulo mantiver o comportamento dos compromissos no torneio estadual, o Alvinegro irá comemorar os três importantes pontos.

Nas vitórias contra os pequenos e no empate do meio de semana na Vila Belmiro, oscilou muito durante os 90 minutos, deu espaços além dos normais entre as linhas de meio e defesa, criou pouco em grande períodos desses jogos, e alguns de seus atletas no gramado pareceram contrariados, como se fossem obrigados a cumprir um protocolo dos mais chatos.

Eis a questão: o Alvinegro, nessas duas semanas, foi guerreiro, solidário, privilegiou a parte coletiva e ninguém ganhou a titularidade por causa do nome ou do currículo na equipe, e o São Paulo foi mole por causa de alguns boleiros, não todos, que não entraram em campo com a tal da fome de ganhar.

A confiança dos torcedores corintianos e a preocupação dos vice-campeões brasileiros com o duelo que entrará na história e terá enorme impacto dentro e fora de ambos os clubes reflete o começo de temporada.

O clássico mostrará se a enorme diferença de respeito pela camisa foi consequência da importância dos jogos que disputaram ou da falta comprometimento de alguns comandados de Muricy.

Perder ou ganhar é do futebol. Faz parte, desde que todos se entreguem de corpo e alma enquanto milhões dão a audiência que lhes rende altos salários.

http://www.superposts.com.br/pub.asp?cp=2102285

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