
“Do jeito que a coisa vai, com o time conquistando resultados e sem um álibi para demiti-lo, vão dar um jeito de silenciar o Leão”, alertou um conselheiro, de maneira até despretensiosa, no auge do tiro cruzado. Coincidência ou não, o técnico inaugura nesta sexta-feira a nova fase de declarações mais escassas com sua primeira coletiva semanal. E, a partir de agora, será assim: antes duas, agora Leão foi indicado a conceder apenas uma coletiva semanal.
A assessoria de imprensa do clube assumiu a autoria da iniciativa, pautada nos treinadores anteriores que concediam apenas uma entrevista semanal. Disse ter recebido o aval da diretoria para colocar a ideia em prática e, em seguida, consultou o treinador, que por sua vez respeitou a redução.
Há dez dias, Adalberto Baptista acalmou os ânimos nos bastidores ao garantir publicamente a continuidade de Leão, mas admitiu que as alfinetadas do treinador em suas coletivas nem sempre era bem recebidas na cúpula.
“Não é de todo agrado para o São Paulo que algumas coisas sejam externadas para a imprensa, mas é normal”, avaliou o cartola, na ocasião.
Com o microfone ligado, Leão disse, entre outras coisas, que era contrário ao afastamento de Paulo Miranda e que não concordou com a dispensa de alguns atletas na virada do ano. Nesta sexta, com a mudança na agenda do treinador, a avaliação dos diretores ganhou outro foco.
“Não nos preocupamos com o teor das declarações. A nossa instrução é para que as pessoas falem o que elas quiserem, desde que seja de uma maneira respeitosa. Não tem nenhum problema de repressão. Para nós, se o Leão quiser falar a cada meia hora, pode falar tranquilamente”, disse João Paulo de Jesus Lopes, vice de futebol. E no esforço para garantir a calmaria nos bastidores, o que é dito hoje pode ser desmentido por completo amanhã.