A Justiça de São Paulo rejeitou o pedido do São Paulo Futebol Clube para se habilitar com advogados no inquérito que investiga a possível exploração de um camarote no Morumbis. A decisão judicial considerou que não existe previsão legal para que representantes do clube atuem formalmente no processo, já que a instituição não figura como investigada no caso, sendo tratada apenas como vítima. As informações foram divulgadas inicialmente pelo portal UOL.
De acordo com a reportagem, a investigação teve início em dezembro e envolve suspeitas relacionadas à exploração irregular de camarotes no estádio são-paulino. Nos bastidores do caso, ainda existem dúvidas sobre o papel desempenhado pelos representantes do clube durante as primeiras semanas de apuração, período que coincidiu com o final da gestão do ex-presidente Julio Casares.
Procurado pela reportagem, o São Paulo afirmou que está colaborando com as autoridades responsáveis pelas investigações. Em nota oficial, o clube declarou: “O São Paulo Futebol Clube esclarece que está cooperando em todas as investigações da Polícia e do Ministério Público e informa que fez novo pedido de habilitação como vítima nos procedimentos investigatórios em curso relacionados à gestão passada”.
Apesar de não haver acusações de que o clube esteja criando obstáculos às apurações, pessoas ligadas ao caso avaliam que o São Paulo ainda não demonstrou a proatividade esperada no fornecimento de documentos, provas e esclarecimentos durante o andamento da investigação. A expectativa é de que esse cenário evolua com a consolidação da nova gestão, agora liderada pelo presidente Harry Massis Jr..
Nos bastidores, existe uma preocupação baseada em precedentes. Uma investigação envolvendo denúncias na gestão do ex-presidente Carlos Miguel Aidar, entre 2014 e 2015, acabou se transformando em ação criminal contra dirigentes do clube em 2019. Na ocasião, o São Paulo apresentou petições por meio de seus advogados minimizando as acusações e defendendo que seus dirigentes não fossem responsabilizados criminalmente, o que acabou contribuindo para a absolvição dos envolvidos.
Segundo a reportagem do UOL, o mesmo escritório de advocacia que representou o clube naquele processo segue atuando atualmente em casos criminais envolvendo o São Paulo. Diante desse histórico, o atual presidente, Harry Massis Jr., tem buscado reforçar publicamente que a postura institucional do clube nas investigações atuais será a de se posicionar como vítima dos fatos apurados.
O inquérito sobre o chamado “caso do camarote” teve início após denúncias sobre a possível exploração de um camarote clandestino no Morumbis envolvendo os ex-dirigentes Douglas Schwartzmann e Mara Casares. A força-tarefa formada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público investiga a possibilidade de que o suposto esquema tenha se estendido para outros eventos realizados no estádio ao longo dos últimos anos.
Além desse procedimento, existem ainda outros dois inquéritos relacionados ao clube. Um deles apura movimentações financeiras envolvendo recebimentos em dinheiro vivo que somariam cerca de R$ 1,5 milhão na conta do ex-presidente Julio Casares. Já o terceiro tem como foco investigar possíveis irregularidades e suspeitas de corrupção no departamento social do São Paulo.
As investigações seguem em andamento e ainda não há conclusões definitivas sobre os fatos analisados pelas autoridades. O São Paulo afirma que continuará colaborando com os órgãos responsáveis para esclarecer todos os pontos relacionados aos casos em apuração.