José Augusto Moscatto levou cerca de 16 anos para descobrir que estava na história no São Paulo. Ele era goleiro e fez um gol. Nunca havia se dado conta do tamanho do feito.
Moscatto fez primeiro. E só soube disso em 2011, quando repórteres começaram a ligar em seu telefone para repercutir o gol 100 de Rogério Ceni, marcado em clássico contra o Corinthians.
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Foi em Uberlândia, em julho de 1995, num torneio amistoso chamado Rei Dadá, homenagem a Dadá Maravilha, que reuniu, além do São Paulo, o time da casa, Uberlândia, o Atlético-MG e a Ferroviária.
Moscatto tinha chegado ao São Paulo no começo do ano vindo do XV de Jaú e era o terceiro goleiro do time que tinha Zetti titular e Ceni na reserva. Era difícil ganhar uma chance.
O clube, porém, convidado para o torneio em Minas Gerais, mandou o time reserva para a disputa – eles eram comandados por Muricy Ramalho, enquanto Telê Santana cuidava da equipe principal, que jogava a fase final do Campeonato Paulista daquele ano – clássico decisivo contra o Palmeiras, em Ribeirão Preto, uma derrota por 1 a 0 que eliminou a equipe.
Moscatto não era batedor de pênalti. Não tinha pretensão de ser. E só soube que teria que bater – uma exigência bizarra do regulamento era que os goleiros batessem as penalidades – quando o árbitro marcou uma falta dentro da área do Uberlândia.
– Estávamos perdendo e saiu o pênalti. Descobri na hora, nosso time não sabia do regulamento. Fui lá dando risada. Vou bater, fazer o quê? – contou ele ao GloboEsporte.com.
Não há imagens conhecidas do lance. Mas, em 2012, à TV Tem, afiliada da Rede Globo, Moscatto lembrou que bateu rasteiro, no canto direito. Nunca um goleiro tinha feito algo do tipo no São Paulo – um outro goleiro faria muitas vezes depois, mas essa história é mais do que sabida.
O São Paulo venceu o Uberlândia, depois bateu a Ferroviária no dia seguinte e conquistou o torneio Rei Dadá. Em visita ao clube, anos depois, Moscatto diz ter visto o troféu guardado.
– Por mais insignificante que possa parecer, você estar na história de um clube deste tamanho... Para mim não é insignificante, é uma alegria muito grande.
O goleiro teve carreira curta. Deixou o São Paulo já no ano seguinte, foi para o XV de Piracicaba, e abandonou o futebol em 1996. Desde então, vive em Jaú, interior de São Paulo, sócio de uma loja de móveis.
– Não tive saco pra recomeçar. Saí do São Paulo, fui pro XV de Piracicaba. Só jogava no primeiro semestre. No outro ano, até entrar em forma de novo, demorava. Saí do XV e não tive propostas com oportunidades bacanas. Tinha as coisas aqui (em Jaú), e pensei: “vou cuidar da vida que ganho mais”.
Com Rogério Ceni, encontrou-se mais duas vezes desde então: uma no Morumbi, outra em visita ao CT do São Paulo. Ainda espera por uma terceira:
– Se você falar com o Rogério, diz que quero uma revanche com ele no tênis. Apanhei muito uma vez na quadra que tinha no CT – brincou.
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