Tudo se deu início na apresentação de Daniel Alves no Morumbi. Efeitos luminosos e fogos de artifício, tapete vermelho e 45 mil pessoas. A apresentação oficial de Daniel Alves fez o torcedor sonhar alto com o São Paulo, e sugeriu que ali começava uma nova era. Naquela noite, diante de cerca de 150 jornalistas de todo o mundo, a diretoria aproveitou a ocasião e anunciou a retomada de um projeto ambicioso: a transformação do clube em uma Sociedade Anônima (S.A.).
A inspiração está no Bayern de Munique, que tem Adidas, Allianz e Audi como sócios minoritários, mas os exemplos de clubes-empresas bem-sucedidos estão por toda a Europa - incluindo os finalistas da última Liga dos Campeões, Liverpool e Tottenham. No Brasil, o modelo ainda é raro, limitado a times de abrangência estadual ou regional, mas o Tricolor está disposto a ser pioneiro entre os grandes.
Esta intenção ficou clara nas palavras do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, o primeiro a discursar na apresentação de Daniel Alves. Com intenção de ficar marcado na história( deixe aqui sua risada) do São Paulo, ele foi aconselhado por uma pessoa muito próxima a fazer uma mudança significativa na reta final de seu mandato. A ideia é que este marco seja a transição para S.A., mas a política interna do clube ainda é obstáculo. A semente de um clube-empresa no Morumbi foi plantada durante uma viagem do executivo de futebol do clube, Raí. Ele foi à Europa em busca de reforços no primeiro semestre e não apenas viabilizou a contratação de Daniel Alves, mas também foi abordado por pessoas interessadas a investir no Tricolor. Estas conversas conquistaram a atenção de Leco, e a roda da São Paulo S.A. começou a girar.
Hoje, o Tricolor é governado pelo sistema presidencialista. De acordo com o estatuto, aprovado em assembleia geral em dezembro de 2016, o mandatário montou uma equipe de diretores executivos - assalariados, como numa S.A. - formada por profissionais que, em teoria, apresentem experiência no mercado. Há ainda os conselhos Deliberativo, de Administração, Consultivo e Fiscal.
Com o sistema de clube-empresa, o São Paulo permaneceria sendo sócio majoritário. Em um primeiro momento terá 100% das ações. Mesmo com a entrada de investidores, o Tricolor paulista, segundo o seu estatuto, será majoritário com pelo menos 51% das ações.
O clube, assim como acontece atualmente, ainda seria gerido por um presidente. No planejamento, haveria o Conselho de Administração da S.A., com pessoas indicadas pela empresa e pelo clube. Abaixo, estaria o CEO, como um responsável por gerir o futebol que teria em seu quadro os executivos de diversas áreas. Todos seriam remunerados. Os investidores seriam responsáveis pela receita do futebol, pelas dívidas e também pelo estádio. Já o social seria de responsabilidade do clube, que teria um diretor para a função.
COMO É HOJE: Administração:
-Regime presidencialista
- Executivo de futebol
- Diretores executivos( administrativo, finaceiro, infraestrutura, estádio, jurídico, comuncação e marketing).
- Conselhos (deliberativos, adminstração, consultivo e fiscal)
- Diretoria social
Finanças:
-Clube é responsável por todos os investimentos, receitas e gastos
Sócio do Clube:
-Livre acesso ao clube social
Morumbi:
Gestão do clube
COMO FICA COM A SÃO PAULO S.A
Administração:
- Presidente do clube
- Conselho de administração S.A
-CEO
- Diretores executivos (Financeiro, jurídico, marketing e futebol)
- Enfraquecimento do poder do conselho
- Possibilidade de investimento estrangeiro e de venda de ações no mercado financeiro
Finanças:
-Dívidas, estádio e futebol ficam sob responsabilidade de investidores
Sócio do Clube:
-Livre acesso ao clube social
Morumbi:
Gestão da S.A
Mas como de costume, com uma diretoria totalmente confusa e desunida, o presidente Leco e seu vice Roberto Natel, divergem opiniões sobre o assunto. Leco disse que "é um tema que o São Paulo trata desde a reforma do estatuto, há mais de dois anos. O estudo está praticamente concluído para funcionar dentro dos órgãos do São Paulo''.
Já Natel foi pelo pensamento oposto do presidente. "Qual a necessidade de fazer com urgência uma mudança tão grande. Por que colocar esse assunto na apresentação do Daniel Alves? Não sou contra a S.A., desde que possa sentar, discutir e entender por que vai ser melhor. Hoje, não sou favorável. Não é o momento de o São Paulo ser pioneiro neste assunto''. Disse o vice-presidente do São Paulo.
Já nas palavras do Presidente da Câmara, Rodrigo Maia disse que "temos ambiente positivo para a reforma. Hoje o futebol representa 1,7% do PIB. Se caminhar para 2% ou 3% do PIB, vamos gerar impostos para o Brasil e empregos para a sociedade."
Em um breve resumo. Se o São Paulo virasse S.A, a empresa cuidaria apenas do futebol tricolor, o social e outras modalidades seriam de responsabilidade do clube. Assim, o time do Morumbi não iria se preocupar tanto com as finanças do futebol, com impostos e poderia fazer diferentes investimentos. O problema é que se a empresa quebrar, o São Paulo vai junto. A verdade é que os clubes-empresas devem ser o futuro dos clubes brasileiros daqui alguns anos. A dúvida é: O São Paulo deveria ser o pioneiro dos times grandes a virar uma sociedade anônima?
Se pegar uma administração igual essa de leco, nós estamos ******