Que covardia e falta de caráter da diretoria e RC dispensar Neílton depois de uma eliminação!
A chegada de Antonio Conte ao Chelsea foi bastante aguardada e tida como fio de esperança para dias melhores. Após uma temporada 15/16 “desastrosa”; com direito a demissão do ídolo Mourinho e término em 10º lugar na EPL, a vinda do estrategista italiano era incensada como oportunidade de melhor aproveitamento do vasto elenco do clube londrino.
Início cauteloso (e difícil nos grandes jogos)

Nos quatro primeiros jogos do Chelsea na EPL; jogando no 4-1-4-1 (contra West Ham, Watford, Burnley e Swansea), o time encontrou cenários idênticos em cada partida: domínio da posse de bola (teve mais de 60% de posse em todos os duelos) e propondo o jogo. Já que o sistema ofensivo se encontrava em formação sob comando de Conte, tudo dependia demais de Hazard e Diego Costa. Algo que ficaria exposto na difícil sequência contra Liverpool e Arsenal.
Por serem conjuntos que atuam juntos há mais tempo; Liverpool, Tottenham e Arsenal principalmente, já era esperada superioridade coletiva dos rivais diretos pelo título inglês. Mas a forma como ela ocorreu ligou o sinal de alerta para Antonio Conte.
Principalmente no primeiro tempo dessas duas partidas, o Chelsea foi dominado de forma impiedosa.
Tendo campo mais estreito para trabalhar a bola nestes jogos, o time não conseguia trocar passes como nos primeiros jogos; tampouco acionar Eden Hazard e Diego Costa para situações favoráveis no jogo. Acima de tudo, os blues se defendiam mal e não ofereciam resistência aos já entrosados ataques adversários.
https://www.youtube.com/watch?v=ZwjkjlineMw
Tomando um acachapante 3×0 do Arsenal, Conte foi pragmático e mudou a formação para um 3-4-3; buscando equilíbrio defensivo e evitar uma goleada histórica do rival. Dentro do próprio jogo, apesar dos gunners terem reduzido o ritmo, o esquema mostrava um bom caminho; com a bola chegando mais rapidamente ao terço final do campo e garantindo mais segurança defensiva a meta de Courtois. Impressão essa que se consolidaria nos jogos seguintes.
Surgindo numa situação emergencial, o 3-4-3 de Antonio Conte virou marca de uma sequência impressionante dos azuis de Londres.
Entenda melhor esta metamorfose.
Três zagueiros para proteger a área
Para proteger melhor seu gol, Conte elegeu David Luiz, Azpilicueta e Cahill para protegerem a área.
Jogar ao lado de dois zagueiros é um sonho para David Luiz; que pode sair a caça da referência em diversos momentos sem deixar um buraco às suas costas. Assim, o brasileiro está num contexto que lhe permite usar e abusar de seu vigor físico. Apesar de que Cesar Azpilicueta, lateral de origem, geralmente também recebe essa liberdade, até por ser um jogador ágil e especialista no combate terrestre. Gary Cahill é o que mais guarda a posição no momento defensivo, e vem demonstrando segurança. Quando o inglês está num sistema que lhe protege, não compromete. A trinca sempre está em superioridade numérica em relação ao adversário e recebe um ótimo suporte dos laterais/alas e volantes.

Geralmente quando as coisas não funcionam na armação de um time, automaticamente associamos a ausência de um camisa 10. Porém, no Chelsea, esta função é dos zagueiros. Tocam a bola pacientemente entre si, alargam o campo, conduzem a bola; vão ao campo de ataque e lançam com bom aproveitamento buscando os diversos receptores no campo de ataque. Lembram do Breno? O nosso atual poderia ser Rodrigo Caio.
Menor sobrecarga para Kanté e Matic
Kanté e Matic são conhecidamente marcadores da maior qualidade, cada um com seus métodos. E o advento dos três zagueiros só fez a dupla crescer – principalmente o sérvio, que fez péssimo 2015/2016. Se no Leicester, Kanté podia correr o quanto quisesse para desarmar; no Chelsea encontrava dificuldades tendo que proteger mais a frente da defesa. Vem se adaptando cada vez mais, mas tem mais liberdade para seus sprints de tirar o folego. Matic antes atuava de interior, e mostrava certa lentidão pra proteger seu setor. Agora marcando mais próximo a área e alinhado à Kante, reencontra seus melhores momentos defensivos.
Mais do auxílio defensivo, a nova formatação deu vida a Kanté e Matic quando estão com a bola no pé. Se antes precisavam iniciar o jogo, selecionar passes e ditar o ritmo – nenhum dos dois sendo muito criativo na saída de bola -; agora precisam apenas dar sequência ao jogo, assim como fazem Busquets, Weigl e outros volantes da elite. Os alas sempre desmarcados também colaboram para os dois, principalmente Kanté, que vem acertando o pé em seus passes longos.
Ambos também possuem liberdade para atacar, principalmente quando o Chelsea concentra um número alto de jogadores próximos a área.
Alas
Se nos times de Guardiola os laterais muitas vezes atuam por dentro pra garantir uma saída de bola limpa; no Chelsea de Antonio Conte eles servem para alargar o campo e atacar o tempo inteiro. Victor Moses e Marcos Alonso simplesmente não param de atacar, sempre ao mesmo tempo.
Quando um chega mais ao final do campo e passa para a área, o ala do lado oposta fica mais por dentro para finalizar e acompanhar o seguimento da jogada.
Moses parece que encontrou sua posição. Se sente um Cafu, tamanha confiança e autoridade no lado direito do campo. A função se encaixou perfeitamente aos seus atributos físicos. E tecnicamente vem correspondendo, sendo que geralmente necessita apostar corrida com os defensores adversários ou acionar um dos homens de ataque. O espanhol Alonso chegou para completar o elenco e vem correspondendo positivamente, embora ainda falte um acerto técnico maior.
Defensivamente, ambos recuam e se alinham aos três zagueiros, onde ambos correspondem muito bem, principalmente o nigeriano em confrontos diretos.
Trio de Ataque
Como são os alas que ocupam o limite da linha lateral, cabe ao trio de ataque jogar por dentro e causar o caos nas defesas adversárias. O posicionamento inicial é Eden Hazard à esquerda, Pedro na direita e Diego Costa no centro. Porém, no jogo existem diversas mutações, principalmente do craque belga, que constantemente vai ao encontro da bola para produzir jogadas no terço final.
Diego Costa segue o mesmo atacante de sempre: um tanque, rompedor de defesas, de muita entrega e faro de gol. Cada vez mais letal em seus jogos. O desenho atual favorece o atacante que além de criar muito para si mesmo, vem recebendo mais chances de gol.
Pela direita, jogam Pedro (titular no momento ou William). Enquanto o Brasileiro é mais garantia de dribles, o espanhol mostra muito oportunismo e entendimento dos movimentos coletivos da equipe.
Por último, mas definitivamente o mais importante, vem o craque do time (se redimindo sob a batuta do novo comandante):
O melhor Hazard possível
Após temporada 15/16 pouco inspirada, Eden Hazard vem mostrando o futebol que o consagrou como melhor jogador da EPL 14/15. Embora, há de se marcar que de jeito diferente. O belga serve os companheiros e passa numa frequência menor, mas vem se mostrando cada vez mais atacante e goleador.

Quando recebe a bola, sempre busca um destino vertical às jogadas; geralmente combinando com Diego Costa, com Alonso ou Pedro num ataque ao espaço vazio. Antonio Conte viu que um jogador do talento de Hazard, “fixo” apenas num lado do campo era desperdício. E que aparecendo em todos os setores, se torna um problema para as defesas inglesas.
https://www.youtube.com/watch?v=-MQ2zoOuqmY
É o craque do time. A quem mais se atribuí o sucesso ofensivo da equipe; que é de naturalmente refém da sua capacidade de atacar, criar, driblar e conduzir a bola.
Fonte: http://doentesporfutebol.com.br/2016/11/antonio-conte-metamorfose-3-4-3/
Há vários anos estamos pedindo três zagueiros no São Paulo. A Holanda jogou um grande futebol com três zagueiros na Copa do Mundo, coisa que também fez a Alemanha em vários jogos. Aqui no Brasil, os técnicos não enxergam o quanto é equilibrado este sistema de jogo.
O sistema de jogo do Chelsea é exatamente o mesmo que o São Paulo usou para ser tricampeão brasileiro. Uma zaga com Lugano, Rodrigo Caio e Maicon traria grande segurança para as subidas de Jucilei e Thiago Mendes. Sem contar que os nossos laterais são ofensivos por vocação.
Rogério Ceni adotou jogar com um meia de criação. Ou seja, um sistema 3-4-3 cairia como uma luva no nosso time, pois ele não mexeria radicalmente na filosofia que deseja implantar. Antônio Conte passou a usar três zagueiros no desespero após estar perdendo por 3-0 em clássico para não ser goleado no mesmo jogo. Não foi algo estudado e estrategiado.
editado por wenderpeixoto
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