uma entrevista exclusiva com o diretor de marketing do São Paulo, Vinícius pinotti.
Enquanto eu estiver no São Paulo, esqueçam esse papo de clube soberano ou de elite”
Confira a entrevista exclusiva do novo diretor de marketing do Tricolor, Vinícius Pinotti
Por Anderson Dias
Na noite da última sexta-feira, o novo diretor de marketing e assessor da presidência do São Paulo, Vinícius Pinotti, me recebeu cordialmente em seu escritório na zona sul da capital paulista. Lá, o jovem empresário (38 anos) falou sobre seus planos, realizações e tudo o que deve ocorrer daqui para frente no departamento em que dirige oficialmente desde o último dia 13 de abril. Temas como preço de ingressos, patrocínio máster e auxílio financeiros em contratação de atletas, é claro, estiveram presentes na conversa.
Apesar de ter sido amplamente divulgado na mídia após o empréstimo de quase R$ 13 milhões ao Tricolor para contratação do meia-atacante Centurión junto ao Racing, a relação do administrador de empresas e acionista da Natura com o clube vem de longa data, com direito à preferência pela arquibancada laranja desde 1981. Confira abaixo a entrevista:
Para começar, fale um pouco sobre sua trajetória profissional.
Sou graduado em administração de empresas, comando um dos blocos acionistas da Natura, tenho negócios nos Estados Unidos e muita experiência nas áreas financeira, de gestão e governança corporativa. É exatamente nesse sentido que tenho auxiliado o São Paulo, já que comecei a trabalhar aos 16 anos e desde sempre atuei na linha de frente dos negócios. Quero aplicar esses conceitos no departamento de marketing do clube. Claro que é difícil levar essa experiência para a instituição como um todo, mas ao menos em tudo que eu tiver autonomia o farei.
Embora seu nome tenha estourado na mídia após a contratação do Centurión, seu relacionamento com o São Paulo vem de quando?
Fui ao Morumbi pela primeira vez em 1981 levado pelo meu pai, naquela final do Campeonato Brasileiro em que infelizmente fomos derrotados pelo Grêmio. Desde então nunca mais parei, assisto às partidas de preferência na arquibancada laranja (onde ficam as torcidas organizadas), viajei para diversos locais do Brasil e do mundo para acompanhar o time (esteve no Japão no Mundial de Clubes em 2005), além de ser sócio do clube há muito tempo. E é algo que se expande à toda minha família. Na última quarta-feira, contra o Corinthians, chamei meu irmão para assistir o jogo na tribuna e ele não quis, preferiu ir a arquibancada laranja. Minha vida como torcedor é longa e intensa assim como vocês do Arquibancada Tricolor e todos que lerão essa entrevista.
A transferência do Centurion junto ao Racing, da Argentina, pelo que foi noticiada na mídia, contou com um empréstimo financeiro seu, o que não inclui participação nos direitos econômicos do atleta ou mesmo qualquer outro tipo de pagamento adicional por parte do São Paulo que não sejam os R$ 12,7 milhões viabilizados por você. Foi essa a negociação? É possível que você auxilie em futuras negociações?
Exatamente. Desde quando cheguei ao clube, ainda que não trabalhando diretamente, meu objetivo sempre foi trazer recursos de fácil pagamento. Apenas para esclarecer esse negócio, vale salientar que para qualquer instituição, a dívida boa deve ser sempre bem vinda. Naquele momento, por exemplo, o São Paulo não tinha dinheiro para viabilizar a contratação do Centurión. Eu disponibilizei a quantia ao clube e o pagamento será em CDI (Nota: A sigla significa Certificado de Depósito Interbancário, ou seja, a modalidade econômica é utilizada quase que exclusivamente em empréstimos entre bancos algo que não existe no mercado tamanho o seu baixo rendimento). Além disso, ofereci duas janelas de transferência para que o clube comece a me pagar, o que significa que a primeira parcela será paga em janeiro de 2016. Minha única exigência foi que o pagamento termine até o fim do mandato do presidente Carlos Miguel Aidar, em abril de 2017. Não tenho participação em futuras transferências tampouco nos direitos econômicos do jogador. Sobre futuras contratações, podem sim ocorrer, desde que sejam nomes indicados exclusivamente pelo departamento de futebol, como foi o caso com o Centurión. Não entrei no São Paulo para ganhar dinheiro, graças a Deus não preciso.
Hoje, quais os cargos que você ocupa no São Paulo?
Sou diretor de marketing pleno e assessor da presidência. Quando levei a ideia da parceria para o clube entreguei algumas ideias ao Aidar. Ele gostou muito das sugestões e, junto com o vice-presidente de Comunicações e Marketing, Douglas Schwartzmann, me nomeou diretor adjunto de marketing e assessor da presidência. Em um determinado momento, por diferenças de ideias e conceitos, meu antecessor Ruy Mauricio Barbosa saiu do clube e assumi como diretor pleno no dia 13 de abril.
Hoje, você está à frente de algum projeto especificamente? Qual ou quais?
Cuido de todos os projetos e ações do departamento de marketing. Como trata-se de um trabalho voluntário e continuo com minha carreira normalmente, não é possível tocar todos os pormenores. O São Paulo tem excelentes profissionais em seu departamento de marketing e uma de minhas primeiras atitudes foi justamente passar autonomia e confiança para eles. No entanto, os grandes projetos passam pelas minhas mãos e também pelo vice-presidente Schwartzmann. Hoje estou focado em três pontos: a obtenção de patrocínios e receitas em geral, o projeto sócio-torcedor, que em breve será relançado completamente reformulado e a política de precificação dos ingressos. E claro, há outras ações embutidas, como comercialização de camarotes e revisão de contratos. Sou também uma espécie de conselheiro financeiro para tentar resolver os problemas monetários do São Paulo em curto prazo.
Apesar do período complicado economicamente que vivemos no Brasil, o que causa uma retração em investimentos de empresas, é possível que tenhamos novidades sobre o patrocínio máster ainda neste primeiro semestre? O valor desejado pelo São Paulo beira a casa dos R$ 30 milhões?
Realmente temos um período economicamente complicado, mas não podemos utilizar isso como justificativa. Infelizmente o clube perdeu algumas oportunidades e agora, no fim de abril, praticamente todas as empresas estão com seus planos de investimentos fechados. O São Paulo passou também por conturbados momentos políticos, o que está se acalmando e a ideia é reconstruir a imagem da instituição. Eu tenho contatos que busco trazer sempre ao clube. Não se trata de uma garantia, mas algumas ações já apareceram, como os patrocínios ligados às mídias sociais (Gatorade e Copa Airlines), outras negociações estão em andamento, tivemos a experiência de inserção do logotipo da Pizza Crek em alguns posts, empresa que pode se tornar parceira, enfim, há uma porção de ações buscando novos investimentos e renegociando contratos em vigência. A ideia é anunciar senão um patrocinador máster, diversos parceiros que cheguem ao valor de R$ 30 milhões ou quem sabe até mais. Gosto de trabalhar em silêncio e anunciar acordos somente depois de assinados. Mas essa é sim uma prioridade absoluta.
Explique como funcionam os acordos com Gatorade e Copa Airlines, já que eles representam um novo modelo de parceria pelo menos no Brasil, ainda mais no futebol.
Estes acordos são basicamente a colheita de um grande trabalho que o São Paulo realiza nas mídias sociais e isso é mérito também do Douglas Schwartzmann. Não há no Brasil um clube com tantas interações na internet, apesar de haver torcidas maiores. As ações estão voltadas quase que exclusivamente para as mídias sociais, embora a Copa Airlines tenha estampado a camisa com sua marca nos últimos dois jogos da Libertadores. Por sigilo contratual, não posso dar mais detalhes, mas basicamente é isso. São grandes parceiros e nosso objetivo é sempre ampliar esse relacionamento.
Atualmente, o grande foco do programa de sócio-torcedor do São Paulo é o ingresso, que pode ser comprado com desconto até maior que 50% e com alguns dias de antecedência em comparação à abertura de vendas para os torcedores em geral. O que o torcedor pode esperar do novo plano? Sua grande meta é fazer com que a ação cresça em adesões não apenas após boas vitórias, que é o panorama atual?
O objetivo é criar um programa que fidelize o torcedor, não podemos ter voos de galinha (nota do repórter: sem nenhuma referência ao clube rival rsrs). Nós não podemos ter essa ideia de que o programa seja simplesmente um facilitador na compra de ingressos. Esse deve ser um dos pontos abordados. Teremos um programa trabalhado e discutido profundamente com profissionais de Tecnologia da Informação (TI), software, mercado, observação e implantação de pontos que têm dado certo em outros clubes e uma pitada de São Paulo Futebol Clube, é claro. Somos donos de nosso estádio e podemos explorá-lo da forma como desejarmos. A ideia é ampla e vai contemplar desde o torcedor que pode pagar pouco até aquele disposto a ajudar com grandes quantias. É isso que posso dizer nesse momento e na hora certa vamos divulgar.
Com relação à alimentação no estádio do Morumbi, que hoje tem um contrato de exclusividade com o Habib''s, pode haver alguma mudança?
Também por força contratual não posso falar sobre isso, mas esse é um dos acordos que quero melhorar no clube.
Sobre o projeto de modernização do estádio, que o presidente Aidar prometeu apresentar aos conselheiros por volta do mês de junho, você tem alguma informação?
O presidente está tocando isso pessoalmente, é algo que não tem passado diretamente pelo marketing. Internamente tivemos algumas conversas, mas não tenho autorização tampouco conhecimento para citar detalhes. O que vale dizer é que o Aidar está muito bem assessorado nessa questão e devemos ter boas novidades.
Sobre o preço dos ingressos, houve claramente uma mudança de rumos desde que você assumiu a diretoria de marketing. Pensando na estratégia anterior, me pareceu uma tentativa de atrair as pessoas ao sócio-torcedor. Como você tem trabalhado esse tema?
Inicialmente, já que haviam ingressos vendidos para os três jogos da primeira fase da Copa Libertadores pelo valor de R$ 120 ao torcedor comum, conseguimos melhorar a situação com promoção VC + 01, que foi um sucesso principalmente na partida contra o Corinthians. Essa é uma prioridade para mim, aproximar o torcedor do clube independentemente de sua classe social. Essa ideia de “São Paulo clube de elite” acabou, pelo menos enquanto eu for o diretor de marketing. Nossa massa é o torcedor que mora longe, ganha pouco e tem dificuldades para pagar qualquer quantia. A estratégia anterior estava, a meu ver, completamente equivocada. Nós devemos priorizar o sócio-torcedor, incentivá-lo a ir ao campo, mas jamais abrir mão do torcedor comum. Já nas oitavas de final contra o Cruzeiro o valor para a torcida em geral na arquibancada será de R$ 60. As vendas devem começar no máximo até segunda-feira (27) e nossa ideia, principalmente após o lançamento do novo programa de sócios, é antecipar o máximo possível essa comercialização.
Você falou anteriormente de um projeto para reunir são-paulinos influentes no mundo dos negócios, comunicação, publicidade e outras áreas. Isso tem sido tocado?
Sim. Uma das primeiras ações seria um “São Paulo Day” para reunir personalidades são-paulinas de diversas áreas que possam contribuir com o clube. Esse é sim um dos meus objetivos, vamos fazer o clube estar próximo de todos os seus torcedores, viabilizar parcerias, ter transparência, enfim, dentro do que posso fazer quero aproximar o São Paulo Futebol Clube da sociedade em geral e claro, daqueles que possam colaborar. Esse projeto está em andamento e é um pedido do presidente Aidar.
Sobre a Under Armour, alguns resultados já apareceram antes mesmo do lançamento oficial do uniforme. Basta citar que a camisa (ainda não revelada completamente) vende atualmente 11 vezes mais que no mesmo período de 2014 e algumas informações dão conta de que o post nas mídias sociais da empresa oficializando a parceria com o Tricolor foi o mais citado, curtido e compartilhado em toda a história da Under Armour no mundo. Quais suas expectativas para essa parceria? Você teve acesso aos novos uniformes?
Trata-se de uma empresa gigantesca com qualidade incrível que escolheu o São Paulo para adentrar o mercado brasileiro. O contrato é bom para todas as partes envolvidas. O time entra em campo contra o Cruzeiro no dia 6 de maio já vestindo o novo manto, embora o lançamento ocorra no dia seguinte, no Morumbi, com a presença do CEO mundial da marca e ex-jogador de futebol americano, Kevin Plank. A empresa tem um leque de produtos muito maior que todas suas concorrentes e acredito muito nessa parceria. A Under Armour já está muito satisfeita com o acordo e certamente ficará muito mais. Vi a camisa, mas não posso falar muito. A torcida pode se animar, teremos produtos de ponta. Para a internacionalização do clube é algo espetacular, já que se trata de uma corporação presente em todas as partes do mundo, dos Estados Unidos ao Japão. Vamos surpreender muita gente com essa parceria.
Quando algo dá errado no futebol, uma parte da torcida critica não o time ou comissão técnica, mas todo um trabalho realizado pelos mais diferentes departamentos do clube, do marketing à cozinha. Como é possível mudar essa cultura do torcedor?
Esse é um ponto importante. Por exemplo, antes do jogo contra o Corinthians fomos criticados por realizar um show com grandes músicos que criaram uma nova e espetacular versão do hino do São Paulo, como se fosse uma celebração à derrota contra o Santos no domingo anterior. É preciso compreender que o futebol é e sempre será o carro-chefe, mas as atividades do clube não se resumem a esse departamento. E claro, para que o time tenha sucesso dentro de campo é necessário o trabalho de muita gente que as pessoas muitas vezes não consideram. Criticar tudo e todos em momentos de derrota é algo muito fácil, mas de fato são poucos aqueles dispostos a ajudar. Vibrei muito após a vitória na quarta, mas na quinta acordei disposto a trabalhar sem nenhuma influência do resultado, assim como ocorreu nas derrotas.
Fique a vontade para deixar seu recado ao torcedor são-paulino que acompanha o Arquibancada Tricolor.
Primeiro é um prazer receber vocês, acompanho o trabalho do Arquibancada há muito tempo. Estou chegando com todo o gás para trabalhar pelo São Paulo. Peço um voto de confiança, o momento é de união. O “Juntos Somos Mais Fortes” não é simplesmente uma frase de marketing. A diretoria tem trabalhado muito, são pessoas sérias que estão por lá e espero trazer resultados o mais rápido possível. Alguns já apareceram, como as parcerias, o show e o novo hino em conjunto com o Schwartzmann, mas certamente vamos mostrar muito mais.
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