Muricy Ramalho vs Milton Cruz (análise tática)

Muricy Ramalho vs Milton Cruz (análise tática)

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Após consecutivos fracassos em mata-matas, início de ano pífio em clássicos e problemas sérios de saúde em sua segunda passagem como técnico pelo São Paulo, o lendário e eterno ídolo tricolor Muricy Ramalho deu adeus (ou melhor, até logo) ao time. Nessa segunda passagem, o técnico começou utilizando um 4-2-1-3 com dois pontas e um centroavante fixo, que foi substituído por um 4-2-2-2 "quadrado" com a chegada de Kaká, esquema que deu certo no ano passado e foi talvez o esquema mais bem elaborado por Muricy Ramalho nos últimos tempos.
O esquema contava com:
Rogério Ceni;
Hudson, Rafael Tolói, Edson Silva e Álvaro Pereira;
Denílson e Souza;
Ganso e Kaká;
Alexandre Pato e Alan Kardec.


Nesse esquema o São Paulo jogava um futebol envolvente. Por terem características mais defensivas, os dois laterais subiam até no máximo a intermediária, o que permitia aos volantes (em especial ao Souza) uma maior chegada ao ataque. A intensa movimentação de Kaká fazia com que otime tivesse uma ligação de jogo privilegiada,e com que Ganso sempre tivesse opções de passe disponíveis. Allan Kardec, centroavante moderno que é, saía da área para tabelar e a velocidade de pato deixava o ataque do São paulo leve, ou melhor, "mágico".
O grande problema desse esquema era a completa falta de opções para jogar pelas laterais do campo, o que levou a diretoria à contratar para a temporada 2015 dois laterais com características ofensivas (Bruno e Carlinhos) e vender o lateral com características mais defensivas no elenco (Alvaro "Palito" Pereira). A zaga do São Paulo - que já não era das melhores - ficou totalmente desprotegida nesse esquema, e protagonizou várias "lambanças". Para corrigir isso, Muricy Ramalho optou por um esquema em que o São paulo sempre obtivesse a máxima posse de bola, impedindo assim que o adversário não crie chances, bem no estilo Seleção Espanhola de 2010.

Não deu certo.

Uma posse de bola irritantemente improdutiva aliada à lentidão de todo o time fez com que o São Paulo fracassasse em seu jogos mais difíceis.

Eis que surge Milton Cruz, que com a saída de Muricy assume a responsabilidade de comandar o elenco tricolor. O fato de ser interino tirou um pouco da pressão que ele receberia, e fez com que ele tivesse mais liberdade para testar novas formações. Surgiu então, pela primeira vez no São Paulo, um esquema tático tido por muitos como "retranqueiro", o 4-3-2-1.

no jogo contra o Red Bull Brasil, o time escalado foi:
Rogério Ceni;
Hudson, Rafael Tolói, Lucão e Reinaldo;
Denilson, Souza e Wesley;
Ganso e Michel Bastos;
Alexandre Pato.

1- O primeiro ponto a ser citado é o elenco tricolor. Nenhum setor no nosso time é privilegiado como o setor de volantes (Rodrigo Caio, Hudson, Souza, Wesley, Thiago Mendes, Denilson). Podemos jogar com 3 volantes sem o medo de sofrer com contusões (diferente do que aconteceria se dois laterais esquerdos se contundissem, por exemplo), pois temos jogadores de muita qualidade técnica.

2- O esquema caiu coo uma luva para Paulo Henrique Ganso. O meia perdeu muito da sua responsabilidade na marcação, devido à contenção dava pelos volantes. Também Ganso sempre foi um jogador técnico, mas sem velocidade e sem físico, e os 3 volantes permitem a ele atuar mais à frente, próximo aos atacantes, onde ele mesmo diz preferir jogar. A intensa movimentação dos volantes fez com que Ganso sempre tivesse uma opção "fácil" de passe, que geralmente era Wesley, fazendo função parecida com a que ele fazia no Santos de Neymar.

3- Apesar de apagados no jogo, Souza de Denilson taticamente desempenharam uma função importante na marcação, tendo que cobrir a subida dos dois laterais (Hudson e Reinaldo). O São Paulo dessa forma ganhou volume por todo o campo. Os laterais saindo juntos obrigavam a defesa do RB a se descompactar, deixando zonas mortas no campo onde Wesley sempre aparecia. Acho que uma boa aposta pra esse time seria a entrada do Thiago Mendes no lugar do Souza ou do Denilson, assim teríamos dois volantes que poderiam subir (mesmo que um de cada vez) e nossos ataques ficariam ainda menos previsíveis.

4- Pato saiu da área quando necessário, sendo sempre uma opção pra tabelar com Michel Bastos (que jogou MUITO) e com Ganso. Dessa forma nosso ataque ficou mais leve, e perdemos a dependência de um centroavante fixo.

5- Nossa defesa - que já é frágil - ficava muito exposta no esquema do Muricy. Para evitar isso, Milton Cruz escalou mais um volante, fazendo com que o São Paulo sempre tenha a vantagem numérica na defesa. Talvez por isso o time tenha tido dificuldade em furar o bloqueio do RB no primeiro tempo.

Apesar de afastado do cargo, Muricy e Cruz ainda conversam sobre táticas, e Muricy aprovou o novo esquema de Milton. No final, quem sai ganhando é o São Paulo.

Enfim, essa é minha análise :)

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