20 anos da morte de Senna. E ainda me emociono.

20 anos da morte de Senna. E ainda me emociono.

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Muitos aqui não eram nascidos quando o Senna entrou no carro da Willians pela última vez em 1994, e por isso mesmo não fazem ideia do que foi ver aquele acidente fatídico ao vivo, a cores e com câmera dentro do carro do piloto.

Galvão Bueno que eu acho um merda, foi de um profissionalismo extremo, narrar a corrida inteira e aguardando notícias do que já imaginava, foi de desesperar. Senna era seu amigo pessoal.

Pra galera que nunca viu o Senna na pista e só ouviu e viu em compactos vou tenta narrar como foi aquele domingo, melhor no sábado.

Primeiro vamos voltar o que significava assistir Fórmula 1 em 1994. O Brasil sempre teve grandes pilotos e, a cada ano surgia um novo craque como acontece no futebol, nem menos se aposentava um piloto já tinham dois disputando a Fórmula 3 e muitos no kart. E com Senna não foi diferente. Isso criou no brasileiro uma rotina de acompanhar corrida, e também, porque a Globo assumiu a F1 ainda nos tempos de Fittipaldi e sempre deu as corridas a importância que ainda dá e dá ao futebol. Tenho muitos amigos estrangeiros, e nenhuma TV no mundo acompanha a F1 como a Globo, tem país que nem tem o direito de transmissão. Ou seja, acompanhamos então desde o final dos anos de 1970 e todo os anos de 1980 e 1990 com a rotina de acordar cedo no domingo e assistir algum brasileiro destruindo na F1, sem deixar de lado os rivais que existiam torcida aqui com a mesma rivalidade do futebol.

Chegado o final dos anos 1980, com Senna arrebentando na Lotus e ainda não vencendo títulos, todos já esperavam que o gênio iria surgir, e ele inteligente criou uma mística na maneira de pilotar, e a busca da perfeição em equipamentos, equipe, pistas e torcidas eram uma engrenagem perfeita. Senna não tinha discurso pronto, falava o que pensava sobre rivais, cabeça quente, fria, era igual.

Tudo isso pra explicar que criou-se uma paixão avassaladora das pessoas, desde as mais humildes quanto as mais ricas, em sentar em frente da TV no Domingo normalmente as 10:00 e acompanhar e esperar o que o Senna iria inventar, galera, a manobra X que já existia na F1 com o Senna fazendo a 300 km/h numa reta e não muito longa era inimaginável, récord de volta em cima de volta. Se Senna estivesse atrás de algum competidor à 3 segundos (uma eternidade de tempo na F1) era a garantia da ultrapassagem, independentemente do carro que estava ou o rival, tudo isso contribuiu pras pessoas sentarem em frente da TV e aguardar as novidades. E as poles position? Sempre faltando 1 minuto e meio pro final do treino, Senna saia dos boxes e fazia a melhor volta da pista, meu Deus, era demais

O coroamento dessa relação se deu no GP Brasil de 1991. A equipe Honda era uma das últimas a utilizarem câmbio manual sendo que todas já usavam borboleta, existia o tabu de não vencer no Brasil e essa prova acabou com tabu. Ele venceu de ponta a ponta, mas a dificuldade só foi aumentando quando as marchas de seu carro foram quebrando, nas três últimas voltas começa a chover em Interlagos, e ele pede pra corrida terminar mas a direção da prova não deixa, ele continua, fica apenas com uma marcha e com chuva e vence a corrida. Fora as bolhas na mão, Senna não consegue se mexer e nem movimentar direito os braços e mesmo assim ergue a taça. Dali a relação entre Senna e povo brasileiro se consolidava.

Várias vitórias e derrotas, mas a relação com o povo brasileiro (e estrangeiros) era imutável.

Chegamos em 1994, a Willians era a melhor equipe e, depois de vários anos na Honda Senna se muda pra tradicional escuderia, por causa das suas vitórias e potência de equipe a F1 retira toda a eletrônica dos carros e os carros voltam a ficar perigosos. Pra entenderem, até mais ou menos 1986, piloto de F1 era uma espécie de gladiador que sabia que suas chances de morrer eram reais, combustível que explodiam os carros com pilotos presos, capotamentos, morte era o que mais ocorria na F1 e em outras competições, depois da morte de Giules Villineuve em 1984? A F1 começa a se preocupar com a segurança e isso melhorou muito, até o final dos anos de 1980 acidentes aconteciam alguns fatais mais muito raros, por causa da tecnologia dos carros e a introdução de barras de carbono etc., isso tudo diminui demais. Mas com o final da tecnologia em 1994, os carros voltavam a ficar inseguros

Nos treinos de 30 de abril, Barrichelo sofre um terrível acidente, Ratzemberg morre nos treinos, Senna da entrevista dizendo que estava preocupado com a vida dos pilotos jovens (caso de Ratzember) e pediu pra cancelarem a corrida de domingo. A F1 e o mundo tratou como chororô do Senna que ainda não tinha vencido nenhuma corrida naquele ano e por pressão da Benneton com Shumaccher que voava com o melhor carro, continuaram, mesmo assim Senna faz a poli mais uma vez.

Começa a corrida, o Brasil inteiro sentado em frente da TV, seja rico, pobre, donas de casa, crianças, jovens, Sennistas, velhos e esportistas, TODOS em frente da TV tentando prever qual seria a genialidade de Senna pra superar mais um desafio, perigo da pista, carro inferior etc. TODOS sabiam que alguma coisa inesperada aconteceria.

"Senna bate forte" essa é a frase de Galvão Bueno, passado alguns segundos com a voz amarrada ele repete, "Senna bate forte", a câmera de dentro do carro mostra a visão do piloto com a parede chegando sumindo a imagem na colisão, câmera do helicóptero, câmera da pista todos os ângulos possíveis. Sua cabeça mexe, Galvão fala numa esperança, "ele se mexeu". Alguns minutos até chegar o resgate é muito criticado ao vivo, dentro da minha e de milhões de brasileiros estavam todos quietos esperando. A equipe de resgate tenta reanimar, mas estranha o fato de ninguém tirar o capacete do piloto pra colocar o respirador, ele é colocado no helicóptero, o diretor de prova manda continuar a corrida, acho que ninguém lembra quem venceu aquela corrida.

Não precisa dizer mais nada.

O enterro do Senna comoveu o Brasil inteiro, tinha amigos e amigas que nunca diziam nada sobre corrida de F1 dizendo que haviam sonhado com o Senna, uma loucura, insano, nunca vi nada igual aqui no Brasil.

O que deixa estranho é que a pessoa do Senna era de uma postura meio arrogante até, mas TODO mundo torcia pra ele incondicionalmente, não tinha mais-mais. Das milhares de homenagens feitas pela Globo pra ele, uma me marcou muito.

A Globo fez uma volta inteira do Senna acho que em Interlagos, sem narração, nessa volta mostra o Senna acelerando sua Maclaren/Honra, e junto começa a música My Way do Sinatra interpretada pelos Sex Pistols. Só de lembrar me emociono e choro.

Por fim, desculpem o imenso texto, uma coisa a mais sobre o Senna e sua morte. Quando um fato histórico acontece é comum perguntarmos: onde vc estava quando a Guerra acabou? Quando o prédio caiu ou a luz acabou? Com o Senna, todo mundo daquela época tem a mesma resposta: EM FRENTE DA TV.

My Way (Frank Sinatra)

Tradução

Meu Jeito

E agora o fim está próximo
E portanto encaro o desafio final
Meu amigo, direi claramente
Irei expor o meu caso do qual estou certo

Eu tenho vivido uma vida completa
Viajei por cada e todas as rodovias
E mais, muito mais que isso
Eu o fiz do meu jeito

Arrependimetos, eu tive alguns
Mas aí, novamente, pouquíssimos para mencionar
Eu fiz o que eu devia ter feito
E passei por tudo consciente, sem exceção

Eu planejei cada caminho do mapa
Cada passo, cuidadosamente, no correr do atalho
E mais, muito mais que isso
Eu o fiz do meu jeito

Sim, em certos momentos, tenho certeza que tu sabias
Que eu mordia mais do que eu podia mastigar
Todavia fora tudo apenas quando restavam dúvidas
Eu engolia e cuspia fora

Eu enfrentei a tudo e de pé firme continuei
E fiz tudo do meu jeito

Eu já amei, ri e chorei
Cometi minhas falhas, tive a minha parte nas derrotas
E agora conforme as lágrimas escorrem
Eu acho tudo tão divertido

E pensar que eu fiz tudo isto
E devo dizer, sem muita tímidez
Ah não, ah não, não eu
Eu fiz tudo do meu jeito

E para que serve um homem, o que ele possui?
Senão ele mesmo, então ele não tem nada
Para dizer as coisas que ele sente de verdade
E não as palavras de alguém de joelhos

Os registros mostram, eu recebi as pancadas
E fiz tudo do meu jeito

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