O nome do meia Igor Gomes, atualmente no Atlético-MG, passou a integrar uma investigação da Polícia Civil de São Paulo após a identificação de transferências bancárias consideradas suspeitas feitas por um dirigente do São Paulo Futebol Clube. As movimentações ocorreram entre novembro de 2023 e maio de 2025, período em que o jogador já não possuía vínculo esportivo com o Tricolor.
De acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), foram identificadas 11 transferências realizadas pelo supervisor de futebol do São Paulo, Michel Gazola, para a conta do atleta. Os valores somam pouco mais de R$ 73 mil e passaram a integrar o inquérito que investiga um possível esquema de lavagem de dinheiro e exploração ilegal de camarotes no MorumBis.
A investigação ganhou força após a operação realizada no último dia 21 de janeiro, quando a Polícia Civil e o Ministério Público cumpriram mandados ligados à apuração de irregularidades envolvendo dirigentes do São Paulo. No mesmo dia, Júlio Casares renunciou à presidência do clube após aprovação de seu impeachment pelo Conselho Deliberativo.
Segundo os investigadores do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), o ponto central da suspeita não está no valor absoluto das transferências, mas no padrão das movimentações. O relatório cita um possível “conflito de interesse” e classifica a relação entre dirigente e atleta como “anômala”, uma vez que não haveria justificativa profissional para depósitos pessoais após a saída do jogador do clube.
“Não há justificativa profissional aparente para um supervisor do clube anterior de um atleta realizar depósitos pessoais, vultuosos e fracionados para esse jogador depois da sua saída”, aponta o documento da Polícia Civil. Para os investigadores, esse tipo de movimentação pode indicar pagamentos irregulares, comissões veladas ou acertos financeiros fora dos contratos oficiais.
Procurado, Igor Gomes se manifestou por meio de sua assessoria e afirmou que os valores recebidos dizem respeito a um contrato de aluguel de um apartamento localizado próximo ao Centro de Treinamento da Barra Funda. Segundo a versão apresentada, o imóvel teria sido utilizado pelo próprio jogador quando atuava pelo São Paulo e permaneceu alugado após sua transferência para o Atlético-MG.
A assessoria do atleta também informou que Igor Gomes nunca foi procurado pela Polícia Civil para prestar esclarecimentos até o momento. Já o dirigente Michel Gazola não foi localizado pela reportagem para comentar o caso e, assim como o jogador, não foi alvo de mandados na operação realizada na semana passada.
A Polícia Civil segue analisando documentos, registros bancários e possíveis vínculos entre as partes citadas no inquérito. O São Paulo, por sua vez, informou em ocasiões anteriores que colabora com as autoridades e acompanha os desdobramentos das investigações em andamento.
Caramba, até o Igor Gomes estava nos esquemas