Nossa História - Onze camisas, uma bandeira e muitas dívidas - 1950 a 1959
No post anterior citei como o clube obteve os meios para construir o estádio do Morumbi mas acho que não foi visto por muitas pessoas... na verdade história é uma coisa um pouco chatinha pois tem de ler mto mas é interessante saber algums coisas, principalmente da nossa história....
Em tempos de travecada e construção de estádio com dinheiro público e muitas falcatruas leio esse texto e vejo como o clube sempre teve vocação para ser grande e em tempos dificeis se sobresaiu ainda assim....
No post anterior o que mais me chamou atenção foi a grande frase de Laudo Natel que ao ser questionado sobre a possibilidade de se trocar o Pacaembu no então quase pronto estádio do Morumbi, ele prontamente respondeu:
" O sonho do São Paulino não cabe no pacaembu..."
Rejeitando prontamente tal oferta...
Ai vai mais um "pequeno" texto... boa leitura a quem se interessar...
Detalhe especial pra esse trecho:
- Com isso, a construção foi conduzida de maneira firme e passando por cima de dificuldades incríveis, pois nada do que entrou para a construção foi cedido por qualquer poder público.
Onze camisas, uma bandeira e muitas dívidas — 1950 a 1959
A década de 1950 começou com bastante expectativa sobre o time que havia conquistado o decênio anterior. Além disso, em 4 de janeiro de 1950 Leônidas marcou seu último gol pelo clube e após mais três partidas se aposentou, em 21 de janeiro. Todos queriam saber como seria o time sem seu maior jogador. Pois no fim da década anterior começara a ganhar força um movimento para a construção de um estádio à altura das conquistas do clube. O então presidente Cícero Pompeu de Toledo encabeçou o grupo que era a favor do estádio, com a justificativa de que o clube não poderia apenas ganhar títulos, precisava também crescer patrimonialmente. Havia muitas pessoas, até de dentro do próprio clube, contra a construção. Diziam que seria uma loucura que poderia prejudicar muito as finanças do clube, pois o projeto não visava apenas à construção de um grande estádio, mas sim do maior estádio particular do mundo.
“ Fazer o difícil na hora e o impossível um pouco depois. ” — Cícero Pompeu de Toledo
A ideia original era construir o estádio no próprio terreno do Canindé, mas com a construção da Marginal Tietê dois terços do terreno — cerca de 20 mil metros quadrados — foram desapropriados pela prefeitura, e a construção de um estádio no local foi então descartada. Com esse primeiro contratempo, Luís Campos Aranha disse a Pompeu de Toledo que sabia quem poderia arrumar o clube para que o estádio fosse construído. Esse alguém era Laudo Natel, diretor financeiro do Bradesco e são-paulino. Para conseguir um empréstimo junto ao banco, o São Paulo precisava sanar suas dívidas. Para tal, Natel sugeriu a venda do único patrimônio do clube, o Canindé. O campo de treinamento foi então vendido a Wadih Sadi, conselheiro do clube, com a condição que o clube pudesse continuar treinando por lá até que tivesse outro local.
“ Não podemos ser um clube de onze camisas, uma bandeira e muitas dívidas nos assustando." — Laudo Natel.
Com as dívidas sanadas e o empréstimo engatilhado, o clube partiu atrás de um local que atendesse às exigências, sendo logo escolhido um terreno alagado no bairro do Ibirapuera, onde hoje se localiza o Parque Ibirapuera. O prefeito Armando de Arruda Pereira deu sinal verde para o uso do terreno e enviou oficio à Câmara dos Vereadores para a oficialização. Mas Jânio Quadros, presidente da Câmara, se opôs e vetou o projeto. A solução encontrada foi edificar o estádio longe do centro da cidade, em um local à época conhecido como Jardim Leonor e que depois se transformaria no bairro do Morumbi. O local, desabitado e sem infraestrutura, estava sendo loteado pela imobiliária Aricanduva e em dezembro de 1951 o São Paulo, por meio de Luís Aranha, conseguiu que a imobiliária destinasse ao clube uma área que antes serviria para parques e jardins. Com isso, o clube recebeu uma doação da imobiliária em 4 de agosto de 1952, em troca da compra de parte do terreno. A prefeitura foi mediadora do processo e impôs certas condições à construção. Já em 15 de agosto a pedra fundamental foi abençoada pelo Monsenhor Bastos, e a escritura de posse, assinada por Pompeu de Toledo. Ainda no mesmo dia foi formada uma comissão pró-estádio, presidida por Cícero Pompeu de Toledo, independente da direção do clube e que se ocuparia somente com o estádio.
Antes até de ser escolhido o projeto, as cadeiras cativas já começavam a ser vendidas pelo goleiro José Poy por sua vontade, uma vez que a diretoria almejava apenas usar sua imagem. Poy foi muito bem sucedido, pois, das 12 mil cativas colocadas à venda, conseguiu vender 8 mil.
Muitos projetos foram apresentados à comissão, inclusive um de uma construtora soviética chamada Antonov & Solnnerkevic, que previa uma cobertura transparente e removível em todo o estádio. Mas o projeto escolhido foi o de João Batista Vilanova Artigas, conceituado arquiteto da Escola Paulista, principalmente por possuir capacidade para 150 mil pessoas. Já em 1953 a obra teve seu início com o estanqueamento do terreno, a construção de galerias e o escoamento do campo.
Faltava agora o nome para o estádio, pensou-se em "9 de Julho", em homenagem à Revolução Constitucionalista de 1932, e até em "Paulistão", mas em 1957 Cícero Pompeu de Toledo adoeceu e afastou-se do cargo. Pressentindo que ele não duraria muito, conselheiros reuniram assinaturas para que o nome fosse o do idealizador e maior motivador da obra, estádio Cícero Pompeu de Toledo. Em 1958 Cícero faleceu, mas já com a ciência de que seu sonho seria realizado. Com a morte de Pompeu de Toledo, uma nova comissão foi formada, dessa vez encabeçada por Laudo Natel. Com isso, a construção foi conduzida de maneira firme e passando por cima de dificuldades incríveis, pois nada do que entrou para a construção foi cedido por qualquer poder público.
De 1952 até 1959 o clube destinou todo o dinheiro para o estádio, mas mesmo assim conseguiu ter equipes competitivas com craques, chegando a ganhar os Paulistas de 1953 e 1957, sendo que este último título marcou a despedida de Teixeirinha e contou com a experiência do carioca Zizinho, já com 35 anos, em campo e o treinador húngaro Béla Guttmann no banco.
Sobre o Paulista de 1953 cabe dizer que deu ao clube o título de "Campeão do IV Centenário" da cidade de São Paulo, pois o título somente fora decidido em 24 de janeiro de 1954, um dia antes do aniversário de 400 anos da cidade, tornando o time, dessa maneira, o legítimo campeão paulista das comemorações do aniversário.
O São Paulo também ficou com os vice-campeonatos paulista de 1950, 1952, 1956 e 1958. Sendo que a partir do Campeonato de 1956, perdido para o Santos, o clássico entre as duas equipes foi apelidado de San-São por Thomaz Mazzoni.
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