Jorge Henrique usou a camisa do São Paulo em pelada de fim de ano (Foto: Divulgação/ Fair Play Assessoria)
“Nem de brincadeira!”
Essa costuma ser a resposta do torcedor quando pensa na hipótese de ver um ídolo do seu time vestindo a camisa do arquirrival. Casos de trocas de clubes, porém, são comuns. Paulo Henrique Ganso, que hoje joga pelo São Paulo, até outro dia fazia gols pelo Santos. Sheik, que estará no comando do ataque do Timão no Majestoso dessa tarde, já ganhou título por Flamengo e Fluminense...
Mas o caso de um jogador colocar a camisa do rival “só por brincadeira“ é quase inédito. E aconteceu com Jorge Henrique em dezembro de 2012, em pelada de fim de ano organizada por Denilson, do Sampa.
Na ocasião, o são-paulino convidou vários jogadores para o jogo beneficente em Campina Grande (PB). Entre eles, o camisa 23 do Timão, que havia acabado de ser campeão mundial no Japão, sendo titular e tendo atuação decisiva na final contra o Chelsea (ING). Respaldado por isso, o atacante não viu problema em vestir a camisa do rival, que era o uniforme do seu time na brincadeira. Para atenuar, porém, cobriu o símbolo com uma fita isolante (veja a foto).
– Minha atitude tinha o intuito de respeitar, principalmente, os torcedores corintianos, mas também os são-paulinos. Foi uma pelada de fim de ano e não era o time do São Paulo e nem do Corinthians que estavam em campo – lembra o jogador, em respostas enviadas via assessoria.
- Se usar a camisa do adversário, ainda com o escudo coberto, em uma pelada, tem mais peso do que todo meu empenho em campo em todos esses anos pelo Corinthians, mostra que o cara que critica só quer aparecer - completou.
Denilson, o organizador da festa e responsável pelo constrangimento de Jorge Henrique, também diz não ter visto problema na atitude do amigo, que viu grande repercussão na internet por conta da foto e recorreu ao Twitter para dar explicações.
– Jogador do outro time é adversário, não inimigo. Um dia o jogador está em um clube e depois, mesmo que não seja o time dele de coração, defende outro. Daí, nascem amizades – diz o atleta revelado no Sampa, que promete, porém, um uniforme diferente para a próxima edição do jogo.
No clássico, por opção de Tite, o atacante será substituído por Romarinho e começa no banco. Já o volante, apesar de Ney Franco não ter confirmado a equipe, deve sair entre os 11, já que foi poupado contra o Paulista. Hoje, portanto, voltarão a se cruzar, desta vez sem brincadeiras.
– No jogo, cada um defende o seu lado, com seriedade, profissionalismo e, às vezes, até com o coração – garante o camisa 15 do Tricolor.
Uma coisa, porém, eles garantem. Independentemente do resultado do clássico, ao apito final do árbitro Leandro Bizzio Marinho, os dois vão se procurar no gramado para, amigavelmente, trocarem as camisas. Sem polêmica alguma.
Bate-Bola: Jorge Henrique
Atacante do Corinthians, ao LANCE!Net
Conte sobre o caso em que você vestiu a camisa do São Paulo...
Foi uma pelada entre amigos. Marcelinho Paraíba e Hulk também estavam. Não fiz e nem faria nenhuma piada. Tinha acabado de ser campeão mundial e esperava ter a atitude compreendida pelos torcedores. Alguns não compreendem, mas isso é normal.
Você sofreu críticas no Twitter... Falta maior tolerância no futebol?
Falta, claro. Dentro de campo, não tenha dúvida de que o jogador luta pela camisa que está vestindo, independentemente de ter ou não amigo do outro lado. Ninguém alivia. Em alguns casos, como no nosso, existe uma identificação com o clube. Já vi Denilson dizer várias vezes que é são-paulino desde criança e eu passei a torcer pelo Corinthians e isso estreita mais o laço com o clube. Fora de campo, somos amigos.
Vai fazer piada com Denilson em caso de vitória no clássico?
Nós nos conhecíamos pouco até a pelada de 2012. Ainda não estamos no estágio da zoação, mas se acontecer, será bem compreendido pelos dois, tenho certeza.
Bate-Bola: Denilson
Volante do São Paulo, ao LANCE!Net
O que pode falar sobre o Jorge Henrique e a pelada de 2012?
Tínhamos um amigo em comum e eu o convidei. Ele saiu de Recife e viajou três horas de carro para valorizar a festa. No dia seguinte, fiz uma festa no meu sítio e ele pegou o microfone e fez um belo discurso. É uma figura e quero contar com ele na minha pelada este ano, novamente. Desta vez ele pediu para providenciar um outro uniforme para não ter problema (risos). Estou devendo uma visita à boate que ele tem.
Jorge Henrique é um provocador nato em campo. Acha que falta um pouco disso no futebol? Como vê esse lado do seu amigo?
Futebol está mecânico demais. O jogador não pode isso, não pode dizer aquilo...Futebol é festa. Precisamos ter um certo cuidado com o que dizemos, pois, infelizmente, ainda existem torcedores que pensam que futebol é guerra, mas acredito que vai chegar o dia que este esporte será só da paz. Vale lembrar que é do estilo do Jorge Henrique provocar, mas isso faz parte, vale. Nós é que não podemos cair nas provocações. Vou procurá-lo ao fim da partida para trocar camisa, independentemente do resultado do jogo.
E como você vê o clássico e logo na sequência ter uma decisão na Libertadores, na quinta-feira?
Agora a cabeça é no clássico. Nossa classificação está garantida para a próxima fase do Paulista, mas ninguém quer perder clássico. Quanto à Libertadores, a situação é complicada, mas temos chances de classificar.
Meses após vestir a camisa do São Paulo, Jorge Henrique pede mais tolerância para os torcedores
Em pelada de fim de ano organizada por Denilson em 2012, o atacante teve de vestir a camisa do São Paulo. Hoje, no Morumbi, troca é só no apito final
Fonte Lancenet
31 de Março de 2013
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