Os garotos são filhos de Sandra Regina Arantes do Nascimento Felinto, que brigou na justiça pelo direito de ser reconhecida pelo pai. Ela faleceu em 2006, e o ex-jogador nunca conviveu com os netos, muito menos os viu jogar. Mas em campo provam que podem chegar a ter um bom futuro no futebol.
— O Gabriel é ainda novo, e joga no meio. Já o Octavio é atacante, destro e tem potencial. Comprometido, disciplinado e marca muitos gols. Tanto que conquistou a titularidade no Sub-15. Em campo, ele gosta de alternar os lados e criar jogadas também — contou o técnico Andrey Mayr.

Octavio, de 15 anos, é titular do Sub-15 do Grêmio Osasco Foto: Andrey Mayr
Os irmãos chegaram no clube, que tem Vampeta como diretor de futebol, em janeiro deste ano, após uma peneira. Dos 400 inscritos, eles ficaram entre os 50 e terminaram selecionados entre os 12 escolhidos. Atualmente, estão no grupo de 30 atletas da base do time.
— Em um mês de testes eles mostraram que realmente jogam bem. No início, o que atrapalhou foi fato deles serem tachados como os netos do Pelé. O pai deles chegou aqui falando isso. Mas a nossa psicóloga foi encarregada de tirar isso da mente deles. Eles precisam criar suas identidades — disse o supervisor de futebol, Alessandro Belcorso.
Nas brincadeiras entre os companheiros de times sempre se houve um "Pelé, toca a bola", "Chuta aí, Pelezinho". Mas nada além disso.
— Eles brincam, é normal. Não tem como evitar. Mas os garotos os respeitam acima de tudo — contou o treinador.

Gabriel posa com um companheiro de time Foto: Reprodução / Facebook
Meninos custam R$ 10 mil por mês ao clube
Mesmo como jogadores das categorias de base, Gabriel e Octavio têm uma boa estrutura de trabalho. Juntos, os netos de Pelé custam cerca de R$ 10 mil mensais aos cofres do clube. Dentro desse valor está incluído alimentação, escola particular, equipe médica e multidisciplinar e transporte, já que eles ainda moram na capital paulista.
— Não podemos assinar contratos com eles antes dos 16 anos. Por isso disponibilizarmos toda a ajuda de custo, que é a mesma para os demais garotos. Aqui eles são tratados iguais a qualquer outro menino, não importa quem seja o pai, a mãe ou o avô — disse Alessandro Belcorso.
No entanto, antes de irem para o Grêmio Osasco, eles passaram dois meses sem clube. Os irmãos, que começaram a jogar na base do Paraná, assinaram com o São Paulo em abril de 2011, mas foram dispensados pelo Tricolor em novembro de 2012. O mais novo tinha contrato até 2016, enquanto o mais velho até 2015. Em fevereiro deste ano a rescisão foi assinada. Por mês, cada um recebia cerca de R$ 8 mil em ajuda de custo.
Procurados pelo Jogo Extra, a diretoria do São Paulo não quis se pronunciar sobre o motivo da dispensa. Ex-dirigente do clube, o deputado estadual Marco Aurélio Cunha não participou da contratação dos meninos, mas criticou a gestão da base do time.
— Sou um crítico da base. Acho a gestão mal feita. O que o clube tem de modernização e investimento não reflete na qualidade da base. É incompatível — falou Cunha.