Bastidores da demissão de Leão: decisão foi tomada há 90 dias; presidente vai "falar forte" com jogadores

Fonte Terra/Luciano Borges
A demissão do técnico Emerson Leão foi uma decisão que começou a ser tomada em abril.
“Tive a convicção de que teria de mudar técnico há 90 dias”, disse o presidente Juvenal Juvêncio. A avaliação do trabalho do ex-treinador do São Paulo não era das melhores: “Um time desarrumado, com as mudanças de sempre, que não se ajustava”, afirmou o dirigente ao Blog do Boleiro.
Agora JJ vai entrar em ação junto ao elenco. Na tarde desta terça-feira, ele conversou com os jogadores. Vai acompanhar a delegação até Minas Gerais. Pretende discursar para os atletas antes do jogo contra o Cruzeiro, sábado no estádio Independência. “Vou falar mais forte, para levantar o ânimo”, garantiu.
Juvenal confia no seu poder de oratória. Sente que empolga os atletas e os estimula ainda mais. Acha que os jogadores o procuram nos momentos mais difíceis. Gostou de saber que o atacante Luis Fabiano reuniu o grupo antes do treino da manhã para lembrar que a turma precisa reagir no Campeonato Brasileiro. “Não falei com ele. Gostei desta iniciativa e ela mostra que os atletas já estavam sentindo que é hora de reagir”, avaliou.
Na entrevista coletiva que concedeu, Juvenal Juvêncio fez os olhos dos jornalistas brilharem com declarações como “eu seria um bom técnico de futebol”, “até um treinador estrangeiro pegar o jeito, a vaca já foi pro brejo” ou “temos dois ou três jogadores que precisam sair”. Ele confirmou que o clube sondou o português André Villas'Boas, mas o técnico pediu seis meses para vir. Foi descartado.

Juvenal iniciou com uma declaração onde criticou Leão, elogiou as contratações que fez para esta temporada (23, contando os garotos que subiram da base), disse que o plantel não é mais problema, falou em contratar um zagueiro, admitiu que anda difícil encontrar um treinador que dê jeito no time.
Mas desde sábado, depois que a torcida do São Paulo protestou antes, durante e depois da derrota para a Portuguesa (1 a 0), o presidente já tinha decidido que este era o momento de demitir Leão. “O fator determinante foi o Campeonato Brasileiro. Estamos no início da competição, a coletividade está reclamando e não se vê resultados no time”, afirmou o vice de futebol João Paulo de Jesus Lopes.
Nesta segunda-feira, na hora do almoço, Juvenal Juvêncio convocou o auxiliar técnico Milton Cruz, homem do clube que ajuda na contratação de atletas, analisa adversários e ajuda os treinadores, para uma conversa na sala da presidência no Morumbi. Cruz, que também foi vaiado e criticado pelas uniformizadas tricolores, foi informado da demissão e recebeu a missão de dirigir o time contra o Cruzeiro.
Nas conversas com João Paulo e outros integrantes da diretoria, Juvenal mostrou que continua resistente a trazer um técnico estrangeiro para a vaga de Leão. Na coletiva, disse que isso não vai acontecer agora, mas pode ser realidade num futuro próximo. O vice acha que ainda não dá para descartar a ideia.
Emerson Leão parecia saber que seria demitido. Quando o treino físico no campo ia começar, ele passou pelos jogadores, elogiou Lucas, Casemiro e Bruno Uvini, que entraram numa lista da CBF para os Jogos Olímpicos. Voltou ao vestiário, cortou o cabelo no barbeiro do CT da Barra Funda. Foi chamado para uma conversa com Juvenal.

Na versão do treinador, o dirigente nem teve tempo de sentar para conversar. “Entrei, ele deu a mão e ia sentar, mas disse para ele falar ali”, afirmou. Juvenal resumiu o diálogo, que durou cerca de 30 segundos, da seguinte maneira: “Eu disse que iríamos encerrar o contrato dele. E ele disse ‘ok’. Estava decidido”, falou aos repórteres.
Leão vai agora saber quanto deverá receber por ter sido demitido. Não há multa contratual. Mas deverá haver um acordo. Leão foi embora, vestido de preto, depois de anunciar – em primeira mão – sua própria saída. Ele foi embora desconfiado com a eficiência da torcida no Canindé, que levou balões coloridos, faixas e tinha refrões muito criativos para pedir sua cabeça e criticar todos os jogadores, além do próprio Milton Cruz. "Foi orquestrado", disse Leão.
João Paulo de Jesus Lopes fez questão de negar que, se houve um maestro por trás do protesto, ele não pertence à diretoria atual. "Não temos nada com isso", afirmou o vice de futebol.
Juvenal sabia que iria demitir o técnico há 90 dias. Esperou até depois da derrota para a Portuguesa e chegou à conclusão que era hora de mudar. Garante que ainda não tem um substituto. Pode inclusive tentar tirar um técnico de outra equipe no futebol brasileiro. "A gente pode eventualmente pegar um que esteja empregado…até porque se tiver desempregado, ele está um pouco à deriva neste processo", concluiu.
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