A Comissão de Ética do São Paulo Futebol Clube recomendou formalmente o afastamento de Olten Ayres da presidência do Conselho Deliberativo. A decisão surge em um momento conturbado, baseado em um relatório que sugere a convocação de uma reunião extraordinária para que os conselheiros votem pela sua saída. Para que a proposta seja aprovada, é necessário o apoio de dois terços dos conselheiros, totalizando 170 aprovações.
O movimento da Comissão de Ética é uma resposta direta a um pedido de expulsão apresentado pelo presidente do clube, Harry Massis, que acusa Ayres de gestão temerária. Em meio a este cenário, permanece em andamento uma investigação destinada a elaborar um relatório final sobre as alegações de Massis.
A base das discordâncias se dá em torno de uma proposta de reforma estatutária, que foi inicialmente apresentada por Julio Casares em dezembro. Essa proposta buscava alterar exigências de quórum qualificado, permitindo mudanças estruturais significativas, como a transição para a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e a separação entre a gestão do futebol e do clube social.
Em resposta, Ayres enviou a proposta ao Conselho Consultivo, que a aprovou, impulsionando sua análise pela Comissão Legislativa. Contudo, um parecer emitido em abril foi contrário à proposta, gerando um impasse na discussão. Apesar disso, no final de março, Ayres criou uma nova Comissão de Reforma Estatutária, com a intenção de elaborá-la de forma mais ampla, estabelecendo um prazo para a apresentação de novas sugestões.
Massis argumenta que a formação de uma nova comissão para tratar do mesmo tema fere o estatuto, uma vez que a proposta já havia sido rejeitada anteriormente. Esse desdobramento reflete as tensões internas que afetam a gestão do clube e a busca por um consenso sobre a direção futura.
Com a recomendação de afastamento e as investigações em andamento, o cenário dentro do São Paulo se torna ainda mais complexo. Os próximos passos dependerão da convocação da reunião extraordinária e da homenagem dada pelos conselheiros ao parecer da Comissão de Ética, que definirá também os rumos da gestão e do relacionamento entre os membros do Conselho.