A exploração irregular de camarotes no Estádio Morumbi, relacionado ao São Paulo Futebol Clube, está sob investigação desde o início de 2023. As apurações indicam que a venda clandestina desses espaços não se restringiu a eventos específicos, como o show da artista Shakira, mas ocorreu de forma reiterada em diversas ocasiões. A pesquisa busca esclarecer a possível vinculação entre dirigentes do clube e a comercialização não autorizada dos camarotes.
No âmbito do inquérito, levantam-se suspeitas de corrupção privada no esporte e associação criminosa. A atual fase da investigação envolve a coleta de depoimentos e uma análise aprofundada de documentos que podem servir como evidências. Os investigadores estão atentos ao impacto das movimentações nos camarotes na receita do clube, que é considerado a possível vítima desse esquema.
Recentemente, um dos indiciados, Rita de Cássia Adriana Prado, compareceu à delegacia, porém optou por não prestar declarações, alegando questões de saúde. Outras audiências estão agendadas, incluindo a participação de Mara Casares e Douglas Schwartzmann. A Polícia Civil considera que o avanço da investigação não depende exclusivamente das oitiva dos suspeitos, pois já foram realizadas buscas e apreensões nos domicílios envolvidos, e o material coletado está em análise.
A investigação é conduzida pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), em colaboração com o Ministério Público, sob a liderança do delegado Tiago Fernando Correia. Além do caso dos camarotes, outras irregularidades durante a gestão do ex-presidente Julio Casares estão sendo examinadas, totalizando três inquéritos em andamento, todos com o clube na condição de possível prejudicado.
Revelações recentes incluem um áudio de Antonio Donizete, ex-diretor do São Paulo, que detalha o funcionamento do esquema de exploração dos camarotes. O material sugere que o direito de comercialização foi transferido a Rita de Cássia, que atuava como intermediária no esquema. O evento de fevereiro de 2025, onde ingressos de camarote foram vendidos por até R$ 2,1 mil, levantou a suspeita sobre a geração de cerca de R$ 132 mil apenas com o camarote 3A.
O clima político no Morumbi permanece tenso, refletindo a gravidade das acusações e as implicações para a gestão do clube. Com as investigações em curso, a expectativa é que novos desenvolvimentos possam surgir, afetando a administração e a imagem institucional do São Paulo FC. Os próximos passos incluem a continuidade das oitiva, análise dos documentos e potencial apresentação de novas provas.