Seu trabalho no Tricolor paulista merece ser coroado por uma taça e há grande possibilidade de que isso aconteça, em virtude da qualidade do jogo apresentado pela equipe.
Mas o futebol é detalhista e traiçoeiro.
Mesmo sendo líder com boa vantagem e jogando o fino da bola, o São Paulo tem rivais de peso no Brasileiro, principalmente Flamengo e Atlético-MG. A Copa do Brasil é um labirinto e uma noite ruim pode significar a perda do caminho.
No futebol brasileiro, a chancela de um bom trabalho costuma vir acompanhada de conquistas.
Arrisco-me a dizer que Diniz já é um vencedor, mesmo sem ter conquistado títulos de primeira linha.
A grande vitória do treinador foi ter corrigido rotas, revisto conceitos e jamais ter abandonado as ideias que fundamentam seu estilo de jogo: intensidade, movimentação e versatilidade. Mais do que ganhar jogos, identifico no trabalho de Fernando Diniz um desejo maior: melhorar os jogadores como atletas e indivíduos. Uma tarefa de educador.
Diniz poderia ter seguido o caminho mais fácil e abandonado suas ideias. No entanto, preferiu corrigir, aperfeiçoar, rever alguns conceitos, mas jamais renunciou ao fio condutor de sua visão de futebol.
Há nos arquivos do podcast do narrador Cléber Machado uma saborosa entrevista com Fernando Diniz. Nela aflora este lado educador.
Muito além das pranchetas e "tactical pads", sua forma de trabalhar busca de maneira incessante tirar o máximo do que cada atleta pode dar de forma individual para um conceito coletivo de jogo.
Para que o São Paulo encaixasse como time foram necessárias mudanças – várias. Jogadores entraram, saíram, retornaram. Luan, Tchê, Tchê, Arboleda, Bruno Alves, Diego Costa, Léo, Victor Bueno, Igor Gomes, Pablo, Brenner, Toró, Juanfran.
Daniel Alves acrescentou à sua técnica uma combatividade de pitbull.
Reinaldo encontrou a regularidade que faltava na carreira.
Mas o jogador que melhor representa o jeito Diniz de ser e jogar é Luciano.
Confesso que não acreditava que ele fosse capaz de se reinventar após a passagem apagada pelo Grêmio.
Ou talvez faltasse a mim a capacidade de identificar suas qualidades como atleta. Assim como em algumas críticas anteriores ao trabalho de Diniz eu possa ter deixado escapar o que estava sendo executado pela simples falta de resultado.
Luciano percorre o campo de jogo da forma como o treinador gosta. Aparece na saída de bola, cobre o lateral, arma o jogo, entra na área para concluir, faz tabelas e dá assistências.
Claro que isso não aconteceu da noite para o dia. Houve jogos em que Luciano simplesmente não se achava. Corria tanto que se desgastava e raramente aparecia no lugar e na hora certos. As discussões e cenas curiosas protagonizadas por ele e pelo treinador são exemplos dos perrengues que costumam acontecer entre mestre e aprendiz.
Assim como houve partidas em que o São Paulo se mexia tanto como time que quando precisava estar bem posicionado não estava.
Tempo, treinamento, evolução individual, repetição de escalações e passagem até agora sem sustos pelos surtos de Covid contribuíram para o fortalecimento da equipe.
Dois momentos são determinantes: o susto diante do Fortaleza na Copa do Brasil, que poderia, inclusive, ter encerrado o ciclo, e a sequência de vitórias sobre o Flamengo, quando, passado o susto, instalou-se a confiança.
Como identifico em Diniz mais que um treinador, um educador, considero seu trabalho vencedor mesmo que ele não seja campeão nesta temporada.
Telê Santana, para ficar no campo são-paulino, não ganhou logo de cara em sua segunda passagem pelo clube (havia fracassado em 1973). Mas enfileirou conquistas logo depois.
Telê também foi um educador do futebol.
Fernando Diniz, Maurício Noriega, São Paulo, Copa do Brasil, Brasileirão
Acho q o Diniz tem muito a ver é com o Muricy. O futebol dele é um pouco parecido pq busca o controle do jogo e pressão, embora os esquemas sejam diferentes. Muricy tb falava sobre valores familiares dentro do clube e pedia pra não trazerem desagregadores e perdidos. Esses caras passam a maior parte do tempo deles junto com os colegas e treinadores, então é muito importante q se sintam como em uma família saudável, e não num batalhão de guerra ou numa festa. Agora vejo o Volpi agradecendo a Deus na entrevista após a partida, Igor Gomes e outros rapazes fazendo oração antes e depois da partida, todos fazendo brincadeiras na comemoração... isso tudo é importante pra manter uma unidade familiar.
Fantástico esse texto do Noriega, um cara muito sensato nos comentários
Diniz calando a boca de muita gente
O imprensa lixo outro dia todos estavam pedindo a cabeça do cara hoje e o melhor do mundo.
Simplesmente diniz mostrou algo óbvio que muitos nao gostam de enchergar, para ser campeão, precisa que todos trabalhem em prol daquele objetivo. Deixando ego de lado e pensando na instituição que é mais importante do que qualquer profissional. Vamos sao paulo!
A história do Fernando Diniz, guardadas as devidas proporções, é identica a história do Tele Santana. Se não vender esses jogadores e reforçar o elenco, temos a chance de ganhar títulos mais importantes em 2021.
Com o elenco do SPFC, acho muito pouco provável que outro técnico desse certo. O feito do Diniz já é imenso. Se for campeão será uma redenção de todos.
K maior mérito dele é ter transformado um time mediano em forte. Taticamente forte. Parabéns.
Fora o *Festival de palavrões! Ele uniu o São Paulo desde a diretoria, atletas e até a torcida, inclusive a impresensa. Isso é Inédito!!!