Imagem: Paulo Paiva/AGIF e Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Dois técnicos com DNA ofensivo vão medir forças neste domingo (30) muito mais preocupados com resultado. Para Fernando Diniz e Tiago Nunes, ainda em busca de estabilidade na temporada, o clássico São Paulo e Corinthians vale muito. A partida, pela sexta rodada do Brasileirão, será no Morumbi, a partir as 11h (horário de Brasília).
Ao contrário do técnico corintiano, Diniz chega menos pressionado depois de o time são-paulino somar sete pontos nas últimas três rodadas. Nessa sequência, viu o São Paulo jogar de forma mais pragmática, com duas vitórias por 1 a 0 e um empate por 1 a 1 contra o Bahia.
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Há 11 meses no São Paulo, Diniz obteve resultados em alguns momentos por meio de sua filosofia de posse de bola, aproximação e movimentação de atletas. Antes da paralisação dos campeonatos por causa da pandemia do novo coronavírus, por exemplo, a equipe tricolor flertou com essas características.
No Campeonato Paulista, derrotou o Oeste por 4 a 0. Na Libertadores, depois de uma estreia com derrota para o Binacional na altitude peruana, venceu a LDU por 3 a 0 com autoridade no Morumbi. Em seguida, derrotou o Santos na primeira vitória em um clássico na temporada, depois de empates sem gols com Palmeiras e Corinthians.
Na retomada do futebol, porém, o São Paulo ressurgiu com um time de baixa conectividade e a defesa vulnerável, resultando na eliminação acachapante diante do Mirassol pelas quartas de final do Paulista. Toda a moral construída em março acabou dissolvida, e a cobrança nos bastidores do Morumbi foi forte por sua demissão. Raí, o executivo do futebol, bancou sua permanência.
O desafio de Diniz agora será armar um time que volte a ser criativo sem poder contar com a articulação e técnica de Daniel Alves, afastado por conta de uma fratura no braço. Com o time em boa ou má fase, o veterano ainda era o jogador mais dinâmico do time. Hernanes deve ganhar mais espaço. Mas será que está pronto para corresponder?
Discurso revisado
Assim como Fernando Diniz, o técnico Tiago Nunes chegou ao Corinthians com a promessa de aplicar um futebol bonito. Para Tiago, o desafio talvez seja maior ainda, pois ele se apresentou com o propósito de findar um longo período de futebol conservador, apesar de vencedor, sob o comando de Fábio Carille.
Diretoria, conselheiros, torcedores não aguentavam mais ver o Corinthians atuar taticamente como time "pequeno em campo", ou seja, todos na defesa, atrás da linha da bola, e apostando em "uma bola" ou contra-ataque para vencer.
Com Carille, o Corinthians chegou a ter as duas linhas de jogadores dentro da área em jogos, e Vagner Love atuou aberto pelos lados, mas como uma espécie de lateral-esquerdo. Por coincidência ou não, o centroavante até se lesionou nesse jogo e desfalcou o time por vários jogos.
Tiago Nunes chegou para acabar com tudo. E mostrou que o Corinthians voaria em seus primeiros jogos, antes da Pandemia. O problema é que os resultados começaram a não vir. O Corinthians atacava muito, não fazia os gols e sofria lá trás.
O Corinthians foi eliminado na pré-Libertadores e ficou ameaçado de rebaixamento no Paulista. Tiago Nunes começou a se sentir ameaçado. Com isso, Tiago Nunes se sentiu ameaçado apesar do sempre respaldo da diretoria e do histórico do presidente Andrés Sanchez de não demitir seus treinadores com facilidade.
Tiago Nunes voltou diferente após paralisação da pandemia. O Corinthians começou a atuar mais defensivamente e apostando em "uma bola" para vencer os jogos. A equipe foi salva pela defesa em diversos jogos, inclusive no ataque, já que Gil e Danilo Avelar fizeram gols importantes na reta final do Paulistão.
Tiago até mudou o discurso. Ele disse que nunca se intitulou técnico ofensivo e começou a lembrar em diversas entrevistas que precisa de mais de 40 jogos para colocar o sistema de jogo ofensivo em prática no Corinthians.
O treinador, aliás, começou atacar mesmo foi em entrevistas coletivas. Tiago se mostra incomodado com as perguntas sobre não conseguir fazer o time atacar e costuma responder com "cutucadas".
Tiago Nunes também não acertou o time titular. Desde que início o seu trabalho no Corinthians, ele não consegue achar os 11 titulares. Hoje, apenas a primeira linha, a defensiva, pode se dizer que está definida, com Cássio, Fagner, Gil, Danilo Avelar e Sidcley.
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