Em dez dias, o temor se confirmou. O maior problema hoje é a falta de respostas da prefeitura de São Paulo. Os dirigentes foram para a reunião com Bruno Covas, na quinta-feira (11) com a informação de que haveria o decreto de aprovação do retorno aos treinos. O prefeito Bruno Covas preferiu jogar a responsabilidade para a vigilância sanitária.
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Não se trata de exigir uma proposta positiva, mas de ter uma resposta. Qualquer uma. A prefeitura não responde. Internamente, a informação é de que o governador João Dória pediu ao prefeito Bruno Covas que não liberasse os treinos. Liberar seria como entrar na onda de Bolsonaro, que pediu desde o início que o futebol retorne.
Ocorre que a prefeitura abriu o comércio de rua e shopping centers. O futebol paulista não está pedindo o retorno dos jogos, mas dos treinos individuais, ao ar livre, com grupos pequenos de jogadores. Outra vez: a prefeitura não precisa dizer que sim. Precisa apenas responder alguma coisa. Dar o norte.
A segunda dificuldade é Ribeirão Preto. A cidade do noroeste paulista voltará da zona laranja para a vermelha e interromperá o processo de flexibilização do isolamento a partir de segunda-feira (15). Por pelo menos quinze dias, o Botafogo já sabe que não poderá trabalhar em seu CT. Se todos os demais clubes puderem voltar durante este período, é possível que o clube de Ribeirão tente treinar em outra cidade. Hoje, a direção não considera esta hipótese.
A terceira dificuldade é a unidade. São Paulo deu o maior exemplo de união, ao definir que todos os clubes voltarão ao mesmo tempo, mas o Bragantino furou o acordo, foi advertido e obrigado a parar. Apesar disso, seguem os boatos de que Ferroviária, Ituano e Oeste estão treinando. Ninguém confirma.
Há clubes do interior questionando a isonomia e a mudança do regulamento, que terá de ser aprovada por unanimidade na reunião do conselho arbitral. Mudar o regulamento será essencial, porque os clubes precisarão usar jogadores que não estão inscritos. Há quem tema que isto possa levar a ações na Justiça pela mudança de regras no meio da disputa.
O Mirassol, por exemplo, já negociou três atletas com a Ponte Preta: o meia Camilo, o lateral Ernanes e o volante Neto Moura. Sem os três, é certo que o Mirassol entrará em campo com um time enfraquecido. Será adversário da Ponte Preta na última rodada. O Botafogo disputa cabeça a cabeça o rebaixamento com a Ponte e o Água Santa. Por outro lado, parte da torcida da Ponte teme o jogo de entrega do Guarani, adversário do Botafogo, que pode levar os ponte-pretanos à segunda divisão.
Tudo isto já foi falado à boca pequena na última semana.
Resta apenas a esperança pelo bom senso. Assim como em 1918, quando o regulamento foi mudado e o Paulistano ganhou o campeonato mesmo sem adversários realizarem todas as partidas, agora também será necessário abrir mão do rigor de outras temporadas para poder terminar esta. Não concluir o Paulista pode representar não receber cotas de televisão e dos patrocinadores por toda a temporada.
Depois da autorização da vigilância sanitária, será preciso haver acordo para jogar. Será a única chance de salvar a todos, mesmo com o sofrimento maior de alguns.
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