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Ao falar sobre o derradeiro confronto com o Atlético-MG, Ney Franco deu outra senha para sua demissão: “Problemas de relacionamento passaram a ficar mais claros”. Aqui, ele se refere ao vestiário tricolor e não apenas aos bastidores políticos e à pressão pública.
Embalado pela conquista da Sul-Americana, o São Paulo chegou confiante à Libertadores. Um dos investimentos feitos foi pela repatriação do veterano zagueiro Lúcio. Prestigiado, com o discurso de que ainda sonhava com uma vaga na Copa de 2014, o defensor era mais uma peça em um elenco que parecia promissor.
"Acho que a chegada do Lúcio, realmente, foi uma chegada que mexeu um pouquinho com o grupo, não sei se com o elenco. Foi um jogador que chegou, entrou em campo e não rendeu tudo o que se esperava.”
Dois episódios envolvendo o experiente zagueiro chamaram a atenção:
- Quando foi substituído durante o jogo contra o Arsenal de Sarandi, da Argentina, o pentacampeão mostrou irritação e se isolou no ônibus da delegação –em geral, os atletas, quando deixam o time, acompanham o fim da partida no banco de reservas. Questionado, ele ainda disse que o jogo estava empatado até ele sair de campo, e a equipe depois perdeu por 2 a 1.
- Por outro lado, no duelo com o Atlético-MG, no Morumbi, o time ganhava por 1 a 0 e o defensor foi expulso. O Tricolor paulista levou a virada e, na sequência, acabou sendo eliminado.
Insisti em alguns momentos na permanência do atleta [Lúcio] dentro de campo, e a gente foi penalizado naquele jogo. Não pela culpa do Lúcio, mas, quando teve a derrota, começaram a ter alguns problemas. Em alguns momentos, quando você perde, as responsabilidades são transferidas e falta ao atleta assumir a responsabilidade. Em alguns momentos, essa culpa vai só em cima do treinador, mas, realmente, é um que não tava muito fechado.”
O São Paulo até chegou a afastar jogadores durante o auge da crise. Ney Franco hoje considera esse um dos maiores arrependimentos de sua carreira. Na época, o treinador acatou a interferência da diretoria, que pediu a separação de Cañete, João Filipe, Wallyson, Fabrício, Luiz Eduardo e Henrique Miranda do grupo. Sobrou até mesmo outro reforço badalado, o lateral Cortez, que veio do Botafogo e havia sido até convocado para a seleção brasileira.
"Houve o afastamento de alguns atletas. Alguns que, inclusive, não eram nem para terem sido afastados. Um deles é o Cortez. Esse jogador foi marcado muito negativamente. A diretoria pediu. Eu acho que foi um dos grandes erros meus no São Paulo ter aceitado. Eu poderia ter lutado um pouquinho para ter segurado, principalmente, o Cortez, naquele momento ali.”
“É um momento que o treinador estava fragilizado, depois de uma desclassificação. Hoje, eu me arrependo de não ter lutado, principalmente, por esse jogador de ter ficado conosco. A partir daquele momento ali, a temporada do São Paulo foi toda perdida”, completa.
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Nem me lembre