A reinvenção terá de ser o lema para o futebol brasileiro ter uma retomada financeira em meio ao impacto causado pela pandemia do novo coronavírus. Sócio da Sports Value, uma das principais empresas de marketing esportivo do país e que prevê um prejuízo superior a R$ 1,1 bilhão aos cofres dos clubes, Amir Somoggi detalha o panorama do que virá em campo.
- Além de não podermos estabelecer por quanto tempo durará esta situação. - - Os clubes vão encarar um cenário no qual as pessoas estão com menos dinheiro e o futebol nacional passa por uma crise de imagem. O desafio de cada equipe será se adequar a um modelo de gestão para esta nova realidade - afirmou, ao LANCE!.
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O consultor de marketing e gestão esportiva aponta uma oportunidade que as agremiações perderam de conseguir engajamento de suas respectivas torcidas, e vê com preocupação o rumo das equipes.
- Tem clube que pode falir! - declarou.
L!: A organização do futebol brasileiro traz quais empecilhos para os clubes?
Sim. Quem está mais preparado como, a Premier League, a Bundesliga, vai retomar em uma estrutura mais forte. Aqui no Brasil não se sabe ainda ao certo nem se vão manter ou não o calendário dos Campeonatos Estaduais!
'A perda (dos clubes) é inevitável. É necessário criar mecanismos para o futebol sobreviver a esta crise profunda que estamos vivendo'
L!: Em meio à crise do novo coronavírus, até mesmo clubes que "fizeram o dever de casa" e estão com boas condições financeiras solicitaram uma ajuda para manter seus cofres no azul. Porém, muitas das agremiações têm dívidas financeiras. Como projetar esta equação?
Bem, olhando pelo que está acontecendo no mundo, há clubes que correm o risco de falir. Nos mercados mais desenvolvidos, você tem uma liga, que injeta dinheiro nos cofres dos clubes. O Flamengo, que tem dinheiro em caixa, pediu um suporte porque tem um custo operacional de R$ 50 milhões por mês. Ele precisa tanto quanto os outros. Entretanto, os outros não têm sequer uma receita, crédito, que é mais grave... O valor que a CBF ofertou para medidas emergenciais (a clubes das Séries C e D e a Federações) nesse primeiro momento não vão resolver o problema por completo. Essas equipes não têm receita, não têm cota de TV, não estão jogando futebol! O futebol paga um preço alto por ser um fenômeno capaz de aglutinar multidões. Temos de entender a perda. A perda é inevitável. É necessário criar mecanismos para o futebol sobreviver a esta crise profunda que estamos vivendo. Caberá à CBF ter um papel importantíssimo neste momento de reconstrução, uma vez que a entidade tem muito dinheiro em caixa.
L!: Além do auxílio da CBF, acredita que o Estado possa contribuir para "socorrer" o futebol de alguma forma nesta crise?
Olha, o Governo não tem de dar um centavo para ajudar o futebol. O momento é de voltar as atenções para salvar a saúde pública, que está em colapso. A única medida que o Estado pode tomar é dar uma ajuda momentânea aos clubes é reduzir os impostos e contribuições sociais para desafogar a folha salarial neste momento de caos. Mas, naturalmente, tudo depois seria retomado.
'Caberá à CBF ter um papel importantíssimo neste momento de reconstrução'
L!: O projeto do clube-empresa vem ganhando muita força entre as agremiações. Acredita que este também pode ser um caminho para que sejam recolhidos os cacos depois da pandemia do novo coronavírus?
A transformação em clubes-empresas pode ser, de fato, um caminho para a salvação do futebol brasileiro. Contudo, assim que passar esta crise, tem de ver quem conseguirá se reerguer. Quem sobreviver pode pegar este caminho, mas alguns clubes podem se tornar uma verdadeira massa falida. Há diretorias que hoje não conseguem pagar o mês seguinte! Além disto, antes da transformação em clube-empresa, os dirigentes têm de saber quanto o clube vai valer e se haverá alguém interessado em investir. É um panorama bem desafiador.
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