Torcedor-símbolo do clube não deixou de ir ao Morumbi contra o Coritiba. E protestou do jeito certo (Foto: Marcos Ribolli)
A invasão do Centro de Treinamento do São Paulo no sábado é inadmissível – por ser criminosa. Por que motivos a relação de um clube de futebol com sua torcida não precisa obedecer ao Código Penal?
Quem se dispuser a ler as reportagens e assistir aos vídeos publicados por Marcelo Hazan aqui no GloboEsporte.com ao longo do sábado constatará que houve invasão, agressão e furto – no mínimo.
Justificar crimes ocorridos em nome (e no ambiente) do futebol é esporte quase tão popular quanto o próprio futebol no Brasil. Você já deve ter ouvido que quem perdeu para um time da Série C "merece apanhar".
Diretoria e jogadores do São Paulo merecem críticas, e há incontáveis maneiras de fazer a mensagem chegar sem que seja necessário arrombar um portão, agredir pessoas que estão em horário de trabalho e roubar material esportivo.
Importa saber se os invasores do CT Tricolor o fizeram por vontade própria, se foram financiados por alguém, se havia ali algum componente de retaliação a quem quer que seja. Importa e muito.
Mas o que aconteceu no sábado tem raízes mais profundas do que o joguinho político eternamente em curso no Morumbi.
São anos de ingressos, festas, churrascos e desfiles de carnaval financiados por dirigentes - da situação ou da oposição. São anos de jogadores usando bonés das organizadas, fazendo os gestos típicos delas para comemorar gols.
Quem invadiu o clube no sábado se sente dono dele - e se sentiu autorizado a fazê-lo por ter sido tratado como dono do clube durante muitos anos. Há dois meses pressionaram a diretoria a dispensar um jogador que nem havia sido contratado - e conseguiram.
Clubes de futebol são mais importantes do que suas torcidas. Quem tenta inverter essa equação está convidado a um espetáculo em que as organizadas lotam um estádio, qualquer estádio, e time nenhum aparece para jogar.
Um subproduto dessa inversão de valores é a estupidez segundo a qual um torcedor pode ser considerado mais são-paulino (ou corintiano, ou palmeirense, ou santista) do que outro.
Uma amostra dessa idiotice pôde ser vista em julho, na saída de um jogo entre São Paulo e Nacional de Medellín, quando "organizados" barbarizaram "torcedores comuns".
Torcidas organizadas fazem lembrar "movimentos" que se declaram apartidários até que se descobre o partido que os financia. Quem vive de vender apoio quer sempre mais. Para quem vive de comprar apoio, uma hora a conta chega.
* As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a posição da empresa
Opinião: Anos de relação equivocada, entre torcida e Diretores, deram aos invasores 'Liberdade' de ação no CT
Quem arrombou um portão e barbarizou jogadores do São Paulo se sentiu autorizado a fazê-lo por ter sido tratado como dono do clube
Fonte globoesporte.com
29 de Agosto de 2016
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