O São Paulo, tricampeão da Libertadores, inicia nesta quarta-feira a penúltima etapa da busca pelo tetra. E se o título vier, a América do Sul está inteiramente conquistada, dominada. É que nas campanhas vitoriosas de 1992, 93 e 2005, o clube derrotou adversários de sete países sul-americanos, além de um mexicano (bolinhas brancas no mapa). Para completar o “War Tricolor”, falta ser campeão eliminando um peruano, um venezuelano e um colombiano.
Os dois primeiros já foram aniquilados em 2016. O César Vallejo, do Peru (bolinha amarela no mapa), deu mais trabalho do que se imaginava na primeira fase, com um empate de 1 a 1 em sua casa e uma derrota por 1 a 0 no Pacaembu, mas ficou para trás. Na etapa de grupos, o Trujillanos, da Venezuela (bolinha vermelha no mapa), quase venceu em casa, mas o jogo terminou 1 a 1. No Morumbi, um massacre tricolor: 6 a 0 com quatro gols do centroavante Calleri.

Calleri fez quatro gols no Trujillanos, venezuelano que já ficou pelo caminho do São Paulo (Foto: Marcos Ribolli)
Agora é a vez do Atlético Nacional, da Colômbia (bolinha verde no mapa), país que costuma produzir pedras no sapato são-paulino. O último estrangeiro a eliminar os paulistas da Libertadores, por exemplo, foi o Once Caldas, também numa semifinal, em 2004.
A partir de quarta, com o primeiro jogo no Morumbi, o São Paulo tenta marcar mais um território nessa batalha chamada Libertadores. A volta será em solo inimigo, em Medellín, no dia 13. Caso consiga a classificação, o time comandado pelo argentino Edgardo Bauza, e que tem no elenco o uruguaio Lugano, o chileno Mena, os argentinos Calleri e Centurión e o peruano Cueva (que não pode disputar o torneio porque já atuou pelo Toluca), além de Wilder, colombiano que retornou ao Toluca, mas participou da campanha, vai duelar pelo tetra contra o vencedor da outra semifinal, entre o tradicional Boca Juniors, da Argentina, e o equatoriano Independiente Del Valle.
Veja o histórico de batalhas do São Paulo contra outros países em suas campanhas de título:

A campanha do primeiro título começou com um susto: um time quase todo reserva do São Paulo tomou 3 a 0 do Criciúma. O troco veio ainda na primeira fase de 1992, com goleada no Morumbi. Os times se reencontraram nas quartas de final, e os placares foram bem mais apertados. Com os dois times priorizando o torneio, o Tricolor passou apertado. Em 1993, o Flamengo foi a vítima, novamente nas quartas de final. O São Paulo voltou a superar rivais brasileiros no ano do tri: em 2005, eliminou o Palmeiras em dois clássicos nas oitavas de final (no antigo Palestra Itália e no Morumbi, e na primeira decisão da história do torneio entre dois times do Brasil, bateu o Atlético-PR com direito a uma goleada no último jogo.


Depois dos brasileiros, os argentinos foram os que mais estiveram no caminho do São Paulo nas campanhas do tri da Libertadores. Na maioria das vezes, em jogos dramáticos. Em 1992, o Newell's foi o rival da final, derrotado nos pênaltis. Em 93, por ser atual campeão, o Tricolor entrou diretamente nas oitavas de final (na época o regulamento era esse) e, surpresa, pegou de novo o Newell's, com uma virada surpreendente no Morumbi. Os duelos contra o Quilmes marcaram casos de racismo com a expulsão e a detenção do zagueiro Desábato, que ofendeu Grafite. Ainda em 2005, o São Paulo superou o River Plate, que havia sido o melhor da fase de grupos, para se classificar à decisão.


A altitude de La Paz foi adversária do São Paulo na trajetória do tricampeonato. Em 1992, o grupo tinha, além do Criciúma, dois bolivianos: San José e Bolívar. Naquela época, a Conmebol separava dessa maneira as chaves da Libertadores, com os dois clubes de cada país reunidos. Depois de passar com duas vitórias e dois empates, o Tricolor voltou a se deparar com a altura no ano do tri: o jogo em La Paz contra o The Strongest marcou a estreia no torneio, enquanto a volta, no Morumbi, foi o primeiro de Paulo Autuori na competição. O técnico substituiu Emerson Leão.


O duelo mais marcante contra os times do Chile foi a final de 1993. No Morumbi, o São Paulo aplicou uma goleada sobre a Universidad Católica, e foi tranquilo para Santiago... Tranquilo? Os 2 a 0 no primeiro tempo assustaram, mas a equipe brasileira suportou a pressão e abriu caminho para ser bicampeã mundial no fim do ano. Em 2005, na fase de grupos, uma vitória e um empate ajudaram a classificar. Destaque para um gol de Lugano.


Foram poucos, mas foram emocionantes. Em 1992, o São Paulo disputou a semifinal contra o Barcelona de Guayaquil. A vitória tranquila no Morumbi não garantiu a vaga, já que os equatorianos por pouco não devolveram o placar. Aqueles jogos levaram o time à final que abriria caminho para conquistar o mundo sobre o Barcelona.


Quando se enfrentaram nas quartas de final, em 2005, ambos eram os últimos invictos da Libertadores. Um tirou a invencibilidade do outro. Melhor para o São Paulo, que goleou com dois gols e um pênalti perdido por Rogério Ceni. Seria seu único "hat-trick" da carreira. Uma atuação de gala do goleiro tricolor.


O Cerro Porteño segurou o São Paulo de Telê Santana como poucas equipes conseguiam em 1993. Mas levou um gol no Morumbi, de Raí, capitão daquele super time, que valeu a ida para a final, a sobrevivência na luta pelo bicampeonato. Em Assunção, o lateral-esquerdo Ronaldo Luís salvou gol em cima da linha. Essa era uma de suas especialidades.


O São Paulo se classificou para as oitavas de final contra o tradicionalíssimo Nacional, em 1992. E ainda teve de superar a expulsão de Zetti. Surgiu o reserva Alexandre, que entrou no primeiro jogo, atuou no segundo e, com grandes atuações, não sofreu gols. Ele faleceu meses depois.
