Quando Corinthians e São Paulo entrarem em campo na noite desta quarta-feira para a segunda partida da decisão da Recopa Sul-Americana, é certo que dois irmãos de Mogi das Cruzes estarão em lados opostos. Mas não é só a torcida por times diferentes que deixa Castro Alves, de 51 anos, e Antônio Alves, de 49, em pé de guerra. Fanáticos e apaixonados por seus clubes de coração, os irmãos levam a rivalidade ao pé da letra.
- Tudo é São Paulo e Corinthians na vida da gente. Desde pequenos competimos em tudo. Já foi jogo de botão, videogame e até par ou ímpar - disse Antônio, o caçula, torcedor do Tricolor.
Composta em sua grande maioria por são-paulinos, a família Alves também tem sua ovelha 'alvinegra'. Antônio afirma que é são-paulino graças ao pai, para quem fez uma homenagem. Já o imão mais velho nega as origens. Segundo Castro, sua família não foi páreo para os moradores do bairro em que morava.
- Eu sempre fui corintiano. Meu pai não era tão fanático e eu tinha muitos vizinhos, todos corintianos também. Sou Corinthians desde pequeninho - contou.

Irmãos Alves ainda bebês (Foto: Rodrigo Mariano)
Provocações e desafios
Os dois irmãos levam a competição tão a sério e há tanto tempo, que até criaram um desafio: quando saem juntos, eles contam quantos torcedores de cada equipe veem nas ruas.Quando voltam para casa, quem torce para o time que teve a maioria das camisas, vence.
De personalidades diferentes, os 'Alves' não perdem a chance de se desafiar. Quando crianças, o futebol de botão era a competição favorita. Atualmente, a contagem de camisas e as provocações em dias de jogos fazem parte da rotina dos dois.
- Sou tirador de sarro. Fico nervoso, mas brinco mais. Ele é esquentado com tudo. Quanto mais nervoso ele fica, mais risada eu dou, principalmente nos últimos tempos - explicou Castro.
Se Castro é o mais descontraído, seu irmão caçula é o mais irritado. Como em qualquer família, as brigas entre irmãos eram comuns, mas, mais uma vez a rivalidade clubística colocava lenha na fogueira, principalmente quando o time de Antônio perdia.
- Quando a gente tinha 12 ou 13 anos, saíamos na porrada mesmo. Em 1981, o São Paulo enfrentou o Grêmio (na final do Brasileirão, vencida pelos gaúchos) e eu estava esperando o título. Quando o Baltazar fez o gol, o Castro veio tirar sarro e acabamos brigando.
Após muitas partidas entre as equipes, a forra veio em 2007, com a queda do Timão para a segunda divisão nacional. Antônio pegou tanto no pé do irmão mais velho, que acabou 'expulso' de casa.
- Eu estava provocando demais. Ele estava passando tão mal que nossa mãe teve que me tirar de casa na hora - se divertiu o são-paulino.
No videogame, deu Corinthians
Enquanto a reportagem do GLOBOESPORTE.COM esteve na casa de Antônio, as provocações não pararam e, como não podia deixar de ser, os irmãos se desafiaram. No videogame, o Corinthians de Castro levou a melhor, e derrotou o São paulo por 1 a 0, com gol de Paolo Guerrero.

No videogame, o Corinthians levou a melhor: Castro fez 1 a 0, com gol de Paolo Guerrero (Foto: Rodrigo Mariano)
- Não sei como venci, porque sou ruim. Acredito que a noite o São Paulo vai continuar freguês e também vamos vencer, por 3 a 0 - disse o primogênito, que foi prontamente interrompido por Antônio.
- Vai ser 2 a 0 para o São Paulo, com gol de pênalti do Rogério Ceni. No videogame sou ruim. O Tricolor, em campo, é bem melhor do que eu com o controle.
Com tanta rivalidade e o título sul-americano da Recopa em aberto, a única certeza para a partida de logo mais é que os irmãos não estarão juntos.
- Nas últimas partidas que assistimos, o Corinthians levou vantagem, ganhou títulos, mas não importava quem ganhasse, a gente sempre brigava. Então deixamos de assistir juntos. Ele assiste na casa dele com a família e eu com amigos corintianos. Não dá mais para a gente conciliar isso. Os nervosos ficam à flor da pele - finalizou Castro.