Desde 2009, o Tricolor já tentou de tudo. Trouxe técnicos com pulso forte, comandantes estilo paizão, profissionais consideradas inovadores e profundos conhecedores das categorias de base. Nenhum deles deu certo. O que estaria errado então? O problema não seria a qualidade do elenco?
Juvenal Juvêncio e seus comandados rebatem essa tese. Para Adalberto Baptista, as constantes trocas não significam que o clube está errando.
– Acredito que no futebol brasileiro, somente três ou quatro clubes mantiveram seus treinadores após um ano. O São Paulo troca o comando sempre que acha necessário. Sempre que fazemos uma contratação, esperamos que ela seja a mais duradora possível. Só que os resultados precisam andar juntos. No futebol, não existe meio termo. Os resultados levam você ao céu ou ao inferno – diz Adalberto.
O São Paulo quer aceitar um novo comandante rapidamente. Para domingo, no clássico contra o Santos, o interino Milton Cruz vai comandar o time. A intenção é que o novo técnico seja apresentado até terça-feira para que já fique no banco de reservas na quarta-feira, na partida contra o Bahia, no Morumbi.
Perfis diferentes
A primeira tentativa veio com Ricardo Gomes, um perfil totalmente oposto ao de Muricy. O antigo técnico tinha gênio explosivo, enquanto o novo candidato era considerado um "cavalheiro". Levou o time até a semifinal da Taça Libertadores de 2010, quando o Tricolor foi eliminado pelo Internacional. Com o técnico pressionado pela torcida, a diretoria não quis renovar o contrato do treinador que, no ano seguinte, mostraria seu valor ao levar o Vasco ao título da Copa do Brasil.
Juvenal Juvêncio resolveu inventar. Com o discurso de que era preciso pensar em algo novo e, principalmente, apostar nas categorias de base, o presidente resolveu efetivar o técnico do time sub-20, Sérgio Baresi. Durou apenas três meses. Ele foi demitido após uma vexatória derrota para o Goiás por 3 a 0, no Morumbi. Perdida, a diretoria resolveu apostar em Paulo César Carpegiani, que já tinha feito um bom trabalho em 1999, quando levou o time até as semifinais do Campeonato Paulista e do Brasileirão.
Dos seis técnicos pós-Muricy, Carpegiani é o que tem melhores números. Chegou na reta final do Campeonato Brasileiro de 2010 e não levou o time para a Libertadores. No Paulista de 2011, foi eliminado pelo Santos. Na Copa do Brasil, começou a cavar sua sepultura com a eliminação diante do Avaí e a discussão acalorada com Rivaldo, quando chegou a chamar o veterano meia de "mau caráter". Durou poucos jogos mais e, no começo do Campeonato Brasileiro, foi demitido para a chegada de Adilson Batista.
Começava a terceira passagem do treinador pelo futebol paulista. No Tricolor, sonhava apagar a péssima imagem deixada em Corinthians e Santos. Logo, o sonho se transformou em pesadelo. Ele caiu após uma derrota por 3 a 0 para o Atlético-MG. Sem admitir seus erros, Juvenal decidiu que o problema era o perfil do grupo, que estava acomodado. Para acabar com a festa, recorreu a Emerson Leão que, em dois meses, pouco fez. Mesmo assim, teve seu contrato renovado para 2012.
Conforme prometido, Juvenal reformulou o elenco. Leão conseguiu fazer o São Paulo entrar nos eixos. Mas acabou sofrendo com a ingerência do presidente, que determinou o afastamento do zagueiro Paulo Miranda, em má fase, e ainda amargou as eliminações no Paulistão, diante do Santos, e na Copa do Brasil, para o Coritiba. Foi demitido para a chegada de Ney Franco, que vinha com a expectativa de trazer novas ideias. Respaldado pelo ótimo trabalho na base da seleção brasileira, chegou trazendo enorme expectativa. Um ano depois, se transformou em mais uma decepção.
Sem reconhecer seus erros, a diretoria estuda seu próximo passo. Para acalmar a torcida, irritada com a sequência de resultados ruins, a ideia é trazer um dos nomes que fizeram sucesso em um passado recente: Muricy Ramalho ou Paulo Autuori, os dois técnicos mais vitoriosos da história recente do São Paulo, depois de Telê Santana. O primeiro levou o time aos títulos da Libertadores e do Mundial de Clubes de 2005; o segundo conquistou o tricampeonato brasileiro, entre 2006 e 2008.. Resta saber se a tentativa dará certo.
