Uma enorme manifestação toma conta do entorno da Arena Castelão, em Fortaleza, poucas horas antes do jogo da seleção brasileira, que enfrenta o México às 16 horas pela Copa das Confederações. Os manifestantes reivindicam direitos como saúde, educação e transportes, protestam contra os gastos com a Copa do Mundo e se solidarizam com outras manifestações que têm ocorrido em outros estados brasileiros nos últimos dias.
"Nossa intenção é fechar a BR", disse em entrevista ao portal Terra uma manifestante do grupo, que se encaminha para a BR-116, principal acesso para o estádio da capital. A polícia tenta conter o protesto atirando balas de borracha e gás lacrimogêneo. Os torcedores que passam no meio do ato para assistir ao jogo são vaiados, assim como foi a polícia. Existe até uma expectativa de que os jogadores também se manifestem ficando de costas para o campo no momento do Hino Nacional.
Os manifestantes furaram uma das barreiras policiais feitas por PMs a cerca de 3 km do estádio Castelão no início da tarde. Houve confronto e os participantes do protesto foram contidos ao chegar à segunda barreira policial. Ainda há uma outra barreira de PMs atrás.

AP Photo/Andre Penner
O protesto em Fortaleza é chamado + Pão - Circo e foi organizado, principalmente, via redes sociais. De acordo com a página do evento no Facebook, está confirmada a presença de 40 mil pessoas. De acordo com um dos organizadores da manifestação, o jornalista Livino Neto, 27 anos, não há como prever o quórum do protesto – que, além dos confirmados via internet, deve arregimentar mais pessoas ao longo do trajeto.
"Existe um gasto absurdo com a Copa do Mundo. Aqui no Ceará, só o Castelão custou R$ 500 milhões. Outro problema são as ameaças de remoção em função das obras para a competição. Em Fortaleza temos um déficit habitacional de pelo menos 70 mil unidades habitacionais. Dez mil famílias podem ser deslocadas por isso. Em vez de fazer [moradia] para quem não tem, você afasta ainda mais as pessoas", explicou, sobre as principais motivações do protesto.

Luiz Paulo Montes/UOL
